






 Um milionrio surpreendente
  Plain Jane's texan
  Jane Hudson
  Cherokee 2

   Assim que seus olhares se cruzaram e seus lbios se encontraram em um beijo apaixonado, Eve Ellison comeou a fantasiar com a idia de que um homem como Matt
Crow pudesse desej-la ela. Ele era sofisticado, sexy, rico... e podia ter qualquer mulher que quisesse. Mas depois de seu mgico encontro, disse que a queria ela.




















   Captulo Um

   Quando Matt Crow estava de p ante o altar de uma pequena igreja episcopal no Akron, Ohio, vestido de smoking e com suas botas de vestir, viu um anjo, um autntico
anjo. No tinha visto nada to bonito desde que aquela manh partisse do Texas. Logo que podia apartar os olhos daquele rosto. Matt se esqueceu dos convidados 
bodas e a msica que soava para anunciar  noiva lhe soou como uma melodia celestial. Toda sua ateno estava centrada na divina criatura que se aproximava para
ele.
   Em vez de uma difana tnica branca levava um vestido de cor vermelha, e tampouco apareciam asas por suas costas, mas, pelo resto, era absolutamente celestial.
O sol que entrava pelos altos ventanales fazia reluzir seu cabelo como se fora de ouro entrelaado com prolas.
   Hipnotizado, no pde apartar seus olhos dela  medida que se aproximava do altar sustentando um precioso ramo de lrios e rosas. Quando por fim ocupou seu lugar
ao outro lado da igreja, levantou a cabea, lhe deixando ver os mais preciosos olhos que ele tivesse visto em toda sua vida. Uns olhos de anjo.
   Eram de um azul to claro que, por contraste com sua pele dourada, pareciam partes do mesmo cu. Ao v-los, o mundo pareceu deter-se para o Matt.

   Eve Ellison se aferrava ao ramo como se fora sua tabela de salvao naquele turbulento mar de emoes que ameaava devorando-a. por que diabos teria aceito ser
dama de honra? Tinha tentado por todos os meios convencer ao Irish para que o propor a alguma de suas sofisticadas amigas, mas sua irm no tinha querido nem pens-lo.
   -Eve, no seja tola -havia-lhe dito-. Jamais me ocorreria pedir-lhe a outra que no fora meu hermanita pequena.
   Eve lhe tinha arrojado um olhar furioso por cima dos culos.
   -Creio que j estou bastante crecidinha para que me siga chamando assim. Meo quase um metro oitenta, e nunca me gostaram dos encaixes nem os perifollos, j sabe. 
Se quiser, farei-te o ramo, cozinharei o bolo, e at prepararei o confete se voc quiser, mas, por favor, no me pea que me disfarce de Escarlate O'Hara diante 
de toda a famlia. Irish: voc  a beleza da famlia, est acostumada a ser o centro de ateno... Eu me sentiria como uma idiota.
   Mas Irish lhe lanou um daqueles eloqentes olhares delas que deixava bem s claras que nada nem ningum lhe fariam trocar de opinio.
   -Eve Ellison: no sei onde ter tirado essas estpidas idias. vais ser uma dama de honra preciosa. Mas se for muitssimo mais bonita que eu!
   -Sim, claro! Todo mundo sabe o que me custa me liberar das hordas de admiradores que me acossam noite e dia. Para sua informao, irmzinha, direi-te que ningum 
me pediu sair em todo um ano.
   -Isso s demonstra que os homens de Cleveland devem estar cegos. Todo mundo pode dar-se conta de quo bonita . Eu creio que  sua atitude mais que seu fsico 
o que lhes mantm apartados. Embora, para falar a verdade, tambm poderia te arrumar um pouco o cabelo...
   -O que acontece com meu cabelo? -perguntou Eve imediatamente.
   -Nada: s que parece que lhe cortaram isso com uma foice e que no lhe escovaste isso em uma semana, e que o tem pacote com um cordo imundo...
   -Sim, j vejo que te parece perfeito -grunhiu Eve.
   Irish se ps-se a rir.
   -Olhe, irmzinha, o que me parece  que te est passando em seu af por no parecer atrativa. Nunca te maquia, e sua roupa  disforme... O que tenta demonstrar?
   Para falar a verdade, Eve no estava tentando demonstrar nada. Nunca tinha emprestado muita ateno a sua aparncia. No merecia a pena incomodar-se: das duas, 
Irish sempre tinha sido a bonita, e ela a lista. No  que sua irm fora tola, muito ao contrrio, era uma garota muito brilhante, mas que, alm disso se tinha preocupado 
pela roupa e a maquiagem, enquanto que Eve se conformou permanecendo em um segundo plano, abstrada com seus livros ou seus quadros. Sempre lhe tinha gostado mais 
se sujar para cuidar do jardim que preocupar-se com faz-la manicura.
   Como era de esperar, Irish tinha decidido que tinha chegado o momento de que Eve comeasse a cuidar-se, e dada a cabezonera de sua irm, no ficou mais remdio 
que passar com ela uma semana em Nova Iorque. Seu futuro cunhado, o doutor Kyle Rutledge, tinha apoiado com entusiasmo aquele projeto, insistindo alm em financi-lo.
   Assim ali estava ela, luzindo um novo corte de cabelo, umas unhas impecveis, com lentes de contato e levando um vestido no mais puro estilo Escarlate Ou'Hara... 
e sentindo-se por tudo isso como uma completa imbecil. Sabendo que seria o centro de ateno, se obstinou em manter o olhar baixo enquanto caminhava pelo corredor 
da igreja, rezando para no tropear-se com N nada. Estava to aterrada que aqueles poucos metros lhe desejaram muito a mais larga caminhada que tinha empreendido 
em sua vida.
   O primeiro que viu quando por fim levantou a vista foram um par de olhos negros que a olhavam diretamente. Para falar a verdade, aquele homem, que ela sups seria 
o primo do Kyle, olhava-a como se estivesse hipnotizado, certamente pensando que tinha aspecto de tola. Desejou com toda sua alma desvanecer-se sem deixar rastro.
   Automaticamente, quis encurvar-se, mas o novo prendedor que Irish tinha insistido em que ficasse obrigou a manter os ombros retos. Aquele maldito objeto lhe apertava 
tanto, que, em vez de esconder-se como uma tartaruga, viu-se obrigada a levantar o queixo desafiante.
   Entretanto, custou-lhe manter esse gesto diante de um homem to atrativo. Media ao menos um e noventa, e era muito bonito, com o cabelo negro, aquela boca to 
sensual e uns ombros to largos...
   Ao dar-se conta de que ele tambm a estava olhando, no pde evitar ruborizar-se at a raiz do cabelo. voltou-se rapidamente para o corredor, para presenciar 
a entrada de sua irm do brao de seu pai.
   Aquele desconhecido devia ser Matt Crow, disse-se, enquanto comeavam a soar os lembre da marcha nupcial. Durante os ensaios da cerimnia tinha conhecido ao Jackson 
Crow, o irmo do jovem que agora tinha diante. Embora Smith, o irmo do noivo, no tinha podido assistir  bodas, nunca em toda sua vida tinha estado Eve rodeada 
de homens to arrumados como os da famlia do milionrio que Irish tinha conseguido por marido. Jackson era muito bonito, mas seu irmo era to atrativo que cortava 
a respirao.
   Eve comeou a sentir-se um pouco enjoada, assim que se voltou para o sacerdote, disposta a seguir a cerimnia com os cinco sentidos.
   
   Matt no podia deixar de olhar ou de pensar na dama de honra. Devia ser a irm pequena de Irish. Ann? Karen? Lisa? No podia recordar seu nome; quando Kyle ou 
Irish o mencionaram, no tinha emprestado ateno e, entretanto, naquele momento, ela era quo nico existia para ele.
   Por fim Kyle beijou  noiva e a cerimnia chegou a seu fim; Matt estava impaciente porque comeasse o banquete nupcial e apresentassem a aquele precioso anjo. 
Viu como o sortudo do Flint Durham, o padrinho, oferecia-lhe o brao para escoltar ao casal de noivos enquanto saam da igreja. Seguiram-lhes Jackson e uma das damas 
de honra, primeiro e, por fim, ele mesmo e outra das amigas da noiva, Kim Devlin.
   -Como se chama a irm da noiva? -perguntou a seu acompanhante assim que saram do templo.
   -Eve.  muito bonita, verdade?
   -Voc o h dito.
   Matt tentou aproximar-se dela, mas logo um fotgrafo reuniu a todo o grupo para tirar uma foto, assim no teve oportunidade de falar com ela. Matt rezou para 
que Jackson no se desse conta de seus furtivos olhares para o Eve e, por uma vez, teve sorte, j que seu irmo maior estava muito ocupado flertando com outra das 
damas de honra, uma espetacular moria chamada Olivia.
   Jackson, que se tinha como um dos maiores donjuans do Texas, agarrou a jovem pela cintura e lhe sussurrou algo ao ouvido. Olivia o olhou com desprezo.
   -Direi-lhe isso por ltima vez -disse friamente-: no me interessa nada, e se no me tira as mos de cima em seguida, asseguro-te que te romperei os dedos.
   Matt teve que fazer um enorme esforo por conter a risada; por sorte, justo nesse momento o fotgrafo lhes pediu que sorrissem.
   O fazia muita graa que seu irmo estivesse em semelhantes apuros, j que sempre conseguia o que queria. Entretanto, decidiu no perder um segundo em ir burlar 
se dele, por muito que o merecesse: estava muito ocupado pensando no melhor modo de aproximar-se do Eve.
   Aquela jovem lhe tinha enfeitiado, embora, curiosamente, no podia dizer o que era exatamente o que lhe tinha cativado tanto. Certamente, no era por sua formosura, 
j que ele estava mais que acostumado a tratar com mulheres muito belas. Era algo menos evidente, mais profundo, uma sorte de inocncia que se refletia no mais fundo 
de seus claros olhos e que fazia que desejasse proteg-la mais que qualquer outra costure no mundo. E tambm possui-la.
   Matt tinha a certeza de que ela era a mulher de sua vida. Via-o com tanta claridade como se o tivesse anunciado do cu uma voz divina em meio de um coro de trompetistas 
ressonando. Ao v-la ali diante, posando com o cenho franzido e um leve gesto de preocupao, lhe deu vontade de ter  mo um cavalo, atravessar com ele a multido 
e obrig-la a subir  garupa para levar-lhe bem longe de tudo o que pudesse faz-la infeliz...
   
   Eve tivesse preferido ter que submeter-se a algum terrvel tortura medieval antes que posar para as fotos, especialmente ao lado do Irish. Sua irm tinha uma 
beleza deslumbrante, enquanto que ela... J quando estava no jardim de infncia, a gente ficava olhando assombrada, lhe perguntando sem nenhum rubor como era possvel 
que ela fora a irm do Irish.
   passou-se muitas noites chorando, atormentada por aqueles comentrios hilariantes e pelas brincadeiras de seus companheiros devido a sua alta estatura e aspecto 
desajeitado. Tinha aprendido muito em breve que s poderia destacar nos estudos, j que sua irm tinha monopolizado toda a beleza da famlia. As coisas pioraram 
quando Irish comeou a trabalhar de modelo: enquanto ela aparecia nas capas de todas as revistas, Eve estava ainda estudando, magra como um arame e lhe tirando a 
cabea at aos jogadores da equipe de basquete do instituto.
   Tentou escapulir-se para no sair na foto, mas adivinhando suas intenes, sua irm a aferrou pelo brao.
   -No te ocorra partir, quero uma foto em que voc estejamos e eu sozinhas.
   -Nem pensar! Seguro que rompo a cmara... 
   Irish se ps-se a rir.
   -Olhe que  boba! Mas se estiver muito bonito! 
   -Parece-me que te falha a vista... 
   -E Matt Crow pensa o mesmo -sussurrou-lhe Irish, enquanto se arrumava a saia do vestido-. No te tirou os olhos de cima. Parece-me que gosta... 
   -Que gosta? A verdade, irmzinha, no creio que seja seu tipo nem pelo mais remoto, assim no te atreva sequer a fazer de casamenteira. Se o fizer, jogarei-te 
uma maldio para que comece a te sair barba em meio de sua lua de mel... 
   Mas Irish riu ainda mais alegremente.
   
   antes de que Matt tivesse sequer a oportunidade de aproximar-se do Eve, todos os convidados foram transladados em limusine at o hotel. Assim que chegaram, dirigiu-se 
direito  sala de banquetes, onde por fim a viu falando com seu av, Cherokee Pete. Matt tentou aproximar-se deles, mas o impediu sua me, lhe aferrando com fora 
pela boneca e insistindo para que fora a conhecer os pais do Irish.
   
   -Juro-te que  mais bonita que um quadro -afirmou terminante o av do Kyle com uma ampla
   sorriso iluminando seu rosto enrugado-. Recorda a um anjo.
   Eve se ps-se a rir. O ancio, que acontecia os oitenta, era to encantado como seus netos. Media mais de metro oitenta e se mantinha direito como um poste. Com 
seus olhos escuros e aqueles mas do rosto proeminentes, herana de seus antepassados indgenas, seu aspecto ainda resultava imponente.
   -Obrigado, senhor Beamon. Est voc muito bonito de smoking -e, efetivamente, apesar das cs, estava-o.
   -Dir mas bem que tenho pinta de muda de alface! -riu o ancio-. Jamais me tinha posto um traje to ridculo, mas decidi deixar em casa o macaco de trabalho e 
as camisas de flanela para no envergonhar a sua irm. Ah, outra coisa! Por favor lhe peo isso, nada de me chamar "senhor Beamon": todo mundo me chama Cherokee 
Pete, ou, simplesmente, Pete, assim faz voc o mesmo.
   -Muito bem, chamarei-te Pete -assentiu Eve, encantada por sua simplicidade-. Eu tambm te contarei um segredo: tambm prefiro ir com um macaco ou uns jeans... 
Irish me contou tantas coisas de ti e de sua vida no Texas que estava desejando te conhecer. De verdade esculpe lhes anime de madeira com uma serra mecnica como 
faz Kyle?
   -Sim -replicou Pete modestamente-. Eu ensinei ao Kyle tudo o que sabe...  o nico de meus netos com essa afeio, embora agora que  todo um doutor no a pratica 
muito, a verdade. Como sabe, tenho quatro netos, e Kyle  o primeiro que se casou. Ficam trs: Smith, que  o irmo do Kyle, Jack-so e Matt. No so feios de tudo, 
verdade? -comentou com uma picasse olhar-. Voc no gosta de algum deles?
   -No, no -replicou Eve rapidamente. -Est segura? Estou desejando lhes dar de presente a cada um um milho, e voc poderia ter sua parte -props tentadoramente-. 
Claro que Jackson  o major, e eu gostaria que fora o primeiro em fundar uma famlia e sentar cabea.
   Apesar de seu aspecto afvel e seu singelo estilo de vida, Eve sabia que aquela oferta ia a srio. Pete tinha descoberto petrleo em suas terras fazia anos e 
tinha muitssimo dinheiro.
   -E eles sabem que est tentando vend-los? 
   -Bom, o trato ficaria entre voc e eu -disse Pete lhe piscando os olhos um olho-. Seu pai me esteve contando que quando se aposentar pensa ir-se viver ao Texas 
com sua me. J lhes tenho dito que temos uma casa enorme l abaixo, com um monto de terreno, alm disso. Voc no gostaria de ir com eles?
   -eu adoraria ter mais sitio para meus animais, mas, por desgraa, meu trabalho est em Cleveland. 
   - que tem animais?
   -Sim, muitos: minha me diz que sou incapaz de resistir quando vejo um abandonado. A verdade  que todos acabam chegando a minha porta: tenho dois gatos, que 
se chamam Charlie Chan e Pansy, uma cabra que se chama Elmer, um porco, um galo, dois patos, quatro ces...
   -Gosta de tomar uma taa de champanha? Eve se voltou, topando-se de mos a boca com o Matt Crow, que sustentava duas finas taas com sua mo esquerda e uma mais 
na direita que lhe tendeu com um sorriso.
   Ela ficou olhando, revirando os miolos para que lhe ocorresse algo inteligente. Por desgraa, parecia incapaz de articular palavra. Matt arqueou as sobrancelhas, 
convidando-a a que agarrasse a taa, o que ela fez com dedos trementes. 
   -Quer, av?
   -Pois no me importaria me encharcar um pouco o gog -aceitou Pete encantado. 
   -Interrompi-lhes? 
   -Estava tentando convencer ao Eve para que se mudasse ao Texas, assim poderia ter um monto de stio para seus animais -explicou-lhe o ancio-. Eve, apresento 
a meu neto Matt.
   -Ah! Tem animais? -perguntou-lhe o jovem olhando-a diretamente aos olhos.
   Eve quis responder, mas tinha a boca completamente seca.
   -Sim -conseguiu articular, no sem esforo, depois de beber um sorvo de champanha.
   -E te convenceu o av? 
   Convenc-la? Do que? Tentou concentrar-se na conversao que acabava de manter, incapaz entretanto de recordar o mnimo detalhe. Evidentemente, Matt deveu dar-se 
conta de sua confuso, j que acrescentou em seguida:
   -Sim, convenceu-te o av Pete para que mude ao Texas? me parece uma idia muito bom. 
   -Impossvel -replicou Eve sacudindo a cabea. 
   -No h nada impossvel -Matt apurou sua taa e a deixou sobre uma mesa-. Danamos? 
   -No... no sou muito boa bailarina... 
   -No te creio. Os anjos se limitam a flutuar -Matt lhe tirou a taa dos dedos dando-lhe ao Pete-. Venha, vamos -insistiu, lhe tendendo os braos.
   Eve obedeceu, como se fora a coisa mais natural do mundo, e ambos comearam a danar aos lembre de uma valsa. Ela, que sempre tinha sido to torpe, movia-se em 
perfeita sincronizao com o Matt. E continuaram danando at que por fim a risada apareceu por sua garganta como as borbulhas saindo de uma garrafa de Dom Perignon. 
Quando Matt lhe sorriu com os olhos lhe reluzindo como uma noite estrelada, um incrvel estremecimento lhe percorreu o corpo de ps a cabea.
   A melodia se permutou em uma doce balada e ele a estreitou ainda mais entre os braos, de modo que Eve pde apoiar a frente no oco de sua bochecha. Em perfeita 
harmonia, seus movimentos se fizeram mais lentos, enquanto que, ante to estreito contato, lhes acelerou o pulso. Eve podia sentir seu calor e seu morno aroma masculino, 
feito de especiarias, limo e almscar. Aquele homem apelava a todos seus sentidos de uma forma que ningum antes tinha feito, despertando uma quebra de onda de 
sensaes que percorriam suas veias com a mesma fora que a lava de um vulco.
   -No... no quero isto... -murmurou tremente.
   -E o que  isto? -replicou Matt em um tom que quase a fez derreter-se
   -E... isto... -pugnou por largar-se, mas ele a apertou com mais fora.
   -te explique.
   Eve se sentia to intimidada como uma adolescente que se ficou a ss com sua estrela de rock favorita. sentia-se muito envergonhada para explicar seus sentimentos: 
a fim de contas, ela no era mais que uma garota do monto, enquanto que ele era um rico milionrio texano, acostumado sem dvida a tratar com as mais belas mulheres.
   - incrvel, verdade? -sussurrou-lhe Matt ao ouvido-. Do momento em que te vi, senti como se me tivesse corneado um touro. Creio que  a mulher mais perfeita 
que vi em minha vida, no sente saudades que te chame Eve -disse, lhe acariciando o lbulo da orelha com a ponta da lngua-. Se me oferecer uma ma, juro-te que 
serei tua em alma e corpo -continuou, fazendo que lhe tremessem os joelhos-. Por favor, vamos a outro stio, morrerei se no poder te beijar em seguida.
   Ela sentia exatamente o mesmo. Aquele homem era um dom Juan: sabia perfeitamente que lhe dizia todas aquelas coisas s para seduzi-la, mas, por desgraa, seu 
sentido comum tinha perdido por completo o controle daquela situao. At a seu pesar, no pde fazer outra coisa que assentir com um gesto.
   Levando a da cintura, Matt a tirou da pista de baile. O corao lhe pulsava com tal fora que temia que lhe estivesse dando uma taquicardia. Sabia que o mais 
sensato seria d-la volta ali mesmo, lhe deixar plantado sem mais desculpa, mas os ps no lhe obedeciam. Assim, seguiu a seu lado, como um cordeiro caminho do matadouro.
   Matt encontrou por fim uma habitao vazia, meteu-a nela e, sem mais prembulos, comeou a beij-la. Eve esteve a ponto de deprimir-se: seus hormnios pareceram 
enlouquecer ante aquele contato; sentia-as correr por todas suas veias, como uma manada de elefantes enlouquecidos. S pde apertar-se contra ele e lhe devolver 
aquele beijo.
   depois de cinco minutos de beijar-se sem parar, Matt se separou ao fim com a respirao entrecortada.
   -Deus, Deus do cu, carinho! -murmurou-. Acreditei que me dava um enfarte... Quer te casar comigo?
   Ante aquelas palavras, Eve pareceu recuperar um ponto de lucidez.
   -me casar contigo? Claro que no! Acaso te tornaste louco?
   -Pode que sim... Sinto como se me tivesse enfeitiado, como se existisse magia entre os dois. Voc no? Embora no queira te casar, viria-te comigo ao Texas? 
Se vivermos juntos durante uma temporada, seguro que acaba trocando de idia...
   Aquela proposta fez que Eve recuperasse imediatamente o sentido comum.
   -Est louco. No penso ir a nenhuma parte contigo. 
   -E por que no?
   -Creio que  bvio, acabo de te conhecer, no sei absolutamente nada de ti.
   -Isso tem fcil remdio, o que  o que quer saber? -disse Matt. Tentou beij-la de novo, mas ela o evitou jogando a cabea a um lado.
   -No o tente -advertiu-lhe.
   -Acreditei que voc gostava -protestou Matt.
   -Pois te equivoca.
   -De verdade?
   Eve tinha ouvido falar do poder que por si s tinham certos gestos, mas nunca o tinha experiente at ver a forma em que ele a sorriu, to cativante que fez que 
sua aparente firmeza se cambaleasse. Nunca tinha conhecido a ningum como aquele arrumado texano... definitivamente, estava fora de seu alcance, mas, ainda assim, 
voltou a beij-la, at que uns estridentes assobios lhes sobressaltaram.
   -Maldito telefone! Perdoa, carinho, deve ser uma emergncia -exclamou Matt contrariado, tirando um mvel do bolso da jaqueta-. Espero que tenha uma boa razo 
para chamar -disse a seu interlocutor. Depois de escutar uns instantes, acrescentou:- Muito bem, irei imediatamente -apagou o telefone e voltou a estreit-la entre 
seus braos-. Tenho que voltar para casa; por favor, vem comigo -insistiu persuasivamente.
   -Impossvel: tenho trabalho, uma carreira que manter -replicou Eve categrica.
   -Pois deixa seu trabalho, no te far falta trabalhar: eu cuidarei de ti, Eve, prometo-lhe isso.
   -Cuidar de mim? -Eve estava atnita. Que classe de pessoa se acreditava que era?-. Nem o sonhe!
   Matt lhe agarrou pela nuca, obrigando-a a que o olhasse.
   -E por que no? Kyle me h dito que no est casada, nem comprometida tampouco. Acaso est com algum?
   Vendo o cu aberto, Eve cruzou os dedos em um gesto infantil, decidida a sair daquele transe a toda costa.
   -Sim, estou com... Charlie.
   -Pois lhe deixe! No creio que o queira muito, tendo em conta a forma em que me beijaste...
   -Pois est equivocado: adoro-o. Levamos vivendo juntos dois anos. No posso lhe deixar, pelo menos, justificou-se, em todo aquilo havia boa parte de verdade.
   Agachando a cabea, Matt permaneceu em silncio uns instantes.
   -Entendo -disse ao fim tristemente. Eve teria jurado que tinha os olhos cheios de lgrimas... embora possivelmente fora s um efeito da luz-. Bom, pelo menos 
o tentei -acrescentou, lhe beijando na frente-. Charlie  um tipo com sorte. Adeus, anjo. Querer te despedir de outros de minha parte? Tenho que me ocupar de um 
assunto muito importante, assim que irei agora mesmo.
   
   
   Captulo Dois
   
   Sustentando o correio com os dentes e levando em um brao uma bolsa de comestveis e na outra um saco de seis quilogramas de areia para gatos, alm disso da bolsa 
e uma carteira, Eve abriu a porta de seu apartamento justo quando o telefone comeou a soar.
   A bolsa do supermercado comeou a escorregar-se o perigosamente, assim deixou a areia e a carteira no cho, em um intento porque no casse o carto de ovos.
   Por desgraa, a condenada bolsa acabou rompendo-se: ficou s com uma bolsa de po e uma garrafa de suco enquanto os ovos se esparramaram contra o cho... junto 
com os cogumelos, as laranjas, as cebolas e as conservas...
   E, enquanto isso, o telefone no parava de sonar.
   Reprimindo um juramento, Eve desprendeu o auricular.
   -Diga? -balbuciou com a boca cheia de envelopes.
   -Eve? -replicou uma voz masculina-. Eve Ellison?
   -Sim, sou eu -disse, livrando-se por fim do correio-. No quero nenhum seguro, nem tampouco um carto de crdito nova...
   -Eve, sou Matt Crow.
   Ela deixou a bolsa de po e a garrafa e se derrubou em uma cadeira.
   -Matt Crow?
   -Sim, conhecemo-nos nas bodas, o passado fim de semana... Espero que no o tenha esquecido to facilmente -brincou.
   Esquec-lo? Desgraadamente, logo que tinha podido pensar em outra costure em todos aqueles dias.
   -No, recordo-te muito bem -disse, esforando-se para que a voz no lhe tremesse-. Ter que me desculpar, mas  que estou tendo uma semana horrorosa, e isso que 
s estamos a quarta-feira!
   -Sim, entendo-te. Eu tambm estou muito encalacrado. Muitos problemas?
   -Um monto!
   -E no me quer contar isso.
    Seu tom era to amvel, que a ponto esteve de desafogar-se com ele. Entretanto, decidiu mostrar-se distante.
   -No creio que te interesse ouvir meu triste historia.
   -Pois te equivoca, Eve. Anda, me diga o que te passa.
   -Vrias coisas: o mais grave  que ontem recebi uma carta da prefeitura me comunicando que me saltei um regulamento municipal, e que tenho que me desfazer de 
alguns de meus animais a no ser quero que o eles faam... Imagino que me mandaram isso porque a semana passada escaparam Elmer e Minerva; Elmer se comeu as alfaces 
da senhora Gaither, e pode que a senhora Ramsey se queixou de que Minerva...
   -Para, para! -interrompeu-a Matt rendo-. Quais so Elmer e Minerva?
   -Ah, sim! Perdoa: Elmer  uma cabra e Minerva uma cerda.
   -Tem uma cabra e uma cerda na cidade?
   Eve suspirou tristemente.
   -Eis estado tentando lhes buscar uma casa como louca. Oua, no te interessaria por acaso ter uma cabra?
   -Vivo em um piso, mas, se quiser, o posso perguntar ao av Pete.
   -Muito obrigado, mas  que Elmer no  meu nico problema. A soluo mais lgica seria me mudar...
   -J sabe que se quer pode te vir ao Texas -disse, em um tom lhe sugiram que lhe fez pensar em clidas noites entre suaves lenis-. Minha oferta segue em p.
   Ao Eve o corao comeou a lhe pulsar como uma locomotiva: evidentemente, estava-a tirando o sarro, mas no sabia como reagir ante semelhantes comentrios. No 
podia lhe responder a srio, porque isso lhe revelaria o pouco sofisticada que era, e tampouco tinha experincia suficiente para manter um frvolo bate-papo com 
homens como ele. 
   -Eve?
   A jovem fez um esforo por aparentar um bom humor que estava muito longe de sentir.
   -Perdoa: estava tentando imaginar ao Elmer, Minerva e outros em seu salo. Temo-me que tenho que declinar sua oferta embora, para falar a verdade, depois de ter 
conhecido hoje a Godzilla, sinto-me tentada a aceit-la. 
   -A Godzilla?
   - meu novo chefe. Contrataram-no como diretor de arte, embora me temo que seu ltimo pensamento criativo data de 1989. Pelo visto, tm-no em muita estima porque 
trabalhou em uma agncia de Nova Iorque. Esse posto teria que ter sido meu, maldita seja! Perdoa, perdoa -desculpou-se em seguida-, no quero te aborrecer com meus 
problemas.
   -No me est aborrecendo absolutamente. A verdade  que nas bodas logo que tivemos tempo de falar. Oua, tenho que ir a Cleveland dentro de um par de dias, e 
j que somos quase famlia, me tinha ocorrido que poderamos ficar para jantar ou algo assim...
   Aquela proposta a ponto esteve de sumi-la no pnico: sabia que, fossem onde fossem, sentiria-se completamente desconjurado ao lado de um homem como Matt. Por 
outro lado, no se fazia falsas esperanas: s a tinha chamado por obrigao, porque iria  cidade e porque, como havia dito, "eram quase de ]a famlia".
   Uma parte dela estava desejando desesperadamente sair com ele, mas seu lado mais judicioso insistia em que no havia nada que servisse de apie para uni-los. 
Inclusive embora seguissem com aquele tolo flerte algum tempo mais, isso s traria problemas  famlia. Eve recordava muito bem uma dolorosa experincia, acontecida 
alguns anos atrs, quando aceitou sair com o irmo de sua amiga Amy Ao terminar o romance, as coisas no haviam tornado a ser o mesmo entre ela e Amy. 
   -Eve?
   -Sim? -"te limite a lhe dizer amavelmente que j tem outros planos", ordenou-se a si mesmo. Entretanto, suas cordas vocais se negaram a obedec-la.
   - pelo Charlie?
   -Charlie? -de repente, recordou que Matt acreditava que Charlie era um homem. Rogando aos cus que lhe perdoassem uma mentira piedosa mais, decidiu continuar 
com o engano-. Sim,  por ele;  muito ciumento, sabe? De todas formas, obrigado por chamar. Agora tenho que te deixar, tenho o grifo aberto da banheira -e sem acrescentar 
palavra, pendurou o auricular.
   Charlie Chan, o gato metade siams, metade guia de ruas que era o autntico senhor da casa, encarapitou-se  mesinha ficou a sentado, reclamando sua ateno. 
Eve lhe arranhou distraidamente a cabea.
   -Ol, pequenino. Que tal aconteceste o dia? O meu foi um desastre total. Voc crie que Matt Crow quer lombriga de verdade?
   -Miaooo -respondeu o felino meneando a cabea.
   -Sim, possivelmente tenha razo. Mas no creio que seja nada razovel voltar a lhe ver. Romperia meu corao e, se o fizer, minha me acabar inteirando-se, e 
ento Irish se zangar, e pedir ao Kyle que fale com ele, o que colocaria ao Matt em uma situao muito incmoda, j que so primos e muito amigos alm disso. No, 
Charlie, o melhor ser deixar as coisas como esto. Mas, se isso era o melhor, por que tinha tantas vontades de chorar?
   
   Quando ouviu que outra vez saltava a secretria eletrnica, Matt proferiu um juramento e pendurou com raiva o telefone. Havia-lhe flanco trs dias inteiros reunir 
o valor suficiente para chamar o Eve outra vez... e levava trs noites chamando-a cada hora, das seis at a meia-noite. Todas as vezes tinha saltado a secretria 
eletrnica. Teria que ir fazendo-se  idia de que aquela garota lhe estava dando esquinazo.
   Depois de partir de Ohio, tinha estado tentando se autoconvencer de que Eve no era para ele, de que tinha que tirar-lhe como fora da cabea. Mas tinha fracassado 
miseravelmente no empenho: ela invadia todos seus pensamentos, alimentava seus sonhos, despertava seus sentidos.
   Cada dia que passava estava mais convencido de que a jovem era incomparvel. Apesar de sua evidente beleza, carecia por completo de presuno, e em vez de mostrar-se 
arrogante, era muito doce e carinhosa, quase tmida. Em definitiva, sua beleza interior era ainda mais impressionante que a puramente fsica. Matt no conseguia 
esquec-la. Por fim decidiu mandar ao diabo a aquele condenado Charlie. Estava disposto a lutar pela garota com unhas e dentes: sempre tinha brigado por conseguir 
as coisas que queria, e desejava ao Eve mais que a qualquer outra costure no mundo.
   Por outra parte, se lhe importasse de verdade Charlie, no lhe teria beijado daquela forma. Isso lhe dava muitos esperanas. E tambm o fato de que ela parecesse 
to desanimada: evidentemente, aquele noivo no lhe estava emprestando a ateno que merecia e necessitava. Matt planejava escavar a resistncia do Eve precisamente 
por aqueles dois flancos.
   Tamborilou sobre a mesa, pensando em que algo do que Eve lhe havia dito em sua ltima conversao da quarta-feira no acabava de lhe quadrar. Parecia nervosa, 
quase assustada... teria diante a aquele miservel verme? seria por isso pelo que no respondia a suas chamadas?
   -Ciumento, ela disse que era muito ciumento -recordou. Pegaria-a acaso? Furioso, pensou que se aquele mequetrefe ousava tocar um cabelo da roupa a sua idolatrada 
Eve, ele mesmo lhe amassaria a cabea com suas prprias mos.
   Ao ver que era impossvel acessar a ela pela via mais direta, comeou a lhe dar voltas a um plano alternativo.
   
   Enquanto punha uma chaleira de gua a ferver para preparar-se um pouco de massa, Eve escutou as mensagens do com testador. O primeiro era de seus pais, que acabavam 
de retornar de uma viagem ao Texas.
   -Encantou-nos essa terra -dizia nele sua me, Beverly Ellison-. Como seu pai decidiu ao fim aposentar-se, compraremo-nos ali uma parcela. Pensamos nos mudarmos 
muito em breve. me chame e lhe contarei isso com detalhe.
   Eve suspirou para ouvir aquela mensagem. Apesar de que logo que ia pela casa de seus pais, no Akron, ia sentir falta dos ter a menos de uma hora em carro. Alm 
disso, sua me fazia os melhores bolos de chocolate que ela tivesse provado em sua vida, e sempre podia contar com eles como ltimo recurso quando no tinha a ningum 
com quem deixar a seus animais.
   Primeira ris e depois seus pais: todo mundo a estava abandonando para partir ao Texas. Que diabos teria aquele lugar para subjugar assim a todos os membros de 
sua famlia?
   A seguinte mensagem era do Lottie Adams, uma caa-talentos com a que se entrevistou um par de vezes.
   -Eve -dizia-lhe-, por favor, me chame assim que chegue. Uma agncia muito importante de Dallas acaba de ver seu book e esto muito interessados em falar contigo. 
Oferecem um posto de diretor criativo e o dobro de seu salrio atual. Pode ser uma magnfica oportunidade para ti.
   Dallas? No Texas?
   O corao lhe deu um tombo: o primeiro que lhe veio  mente foi a imagem de um homem alto e moreno, com uma covinha no queixo e um sorriso deslumbrante. chamava-se 
Matt Crow e vivia em Dallas.
   Sacudiu a cabea, como querendo apagar essa imagem, mas Matt no era um homem a quem se pudesse esquecer de qualquer jeito. depois de sua ltima conversao, 
tinha-lhe mandado um precioso ramo de rosas amarelas, e durante trs dias tinha deixado infinidade de mensagens em sua secretria eletrnica, cada um mais premente 
que o anterior. Deliberadamente, ela no tinha respondido a nenhuma de suas chamadas, at que ele, certamente desanimado ao fim, tinha deixado das fazer. Paradoxalmente, 
Eve as sentia falta de.
   Tinha que esquecer-se dele, recordar que no era seu tipo... fora o que fosse o que isso significava...
   Dallas lhe aparecia como a melhor opo: seus pais viveriam a to s duas horas de caminho em carro, e provavelmente encontrasse ali um bom stio para viver e 
com muitssimo espao. O melhor de tudo  que por fim poderia abandonar seu aborrecido trabalho, que to pouco lhe gratifiquem lhe estava resultando ultimamente.
   Eve tinha trabalhado muitssimo, e graas a seu esforo, a agncia onde estava empregada tinha conseguido importantes prmios. Tinha pensado em multido de projetos 
para melhorar mais a situao se conseguia o posto de diretora, mas, incompreensivelmente, tinham-na deixado de lado. Se no se mexesse logo, sua carreira profissional 
ficaria prejudicada.
   Diretora criativa? Com o dobro de salrio?
   Era precisamente a oportunidade que o fazia falta. Soava inclusive muito bem para ser certo... no seria a primeira vez que Lottie lhe falava com entusiasmo de 
um posto que logo resultava muito mais medocre do que lhe tinha prometido. Em qualquer caso, tampouco passava nada por chamar, disse-se. Prudentemente, decidiu 
no contar nada de momento a sua famlia e, cruzando os dedos, marcou o nmero da caa-talentos.
   
   Dois dias depois, Eve estava em Dallas. Parecia-lhe incrvel ter tido to boa sorte: Coleman-Walker era uma agncia jovem, mas j com certa fama no mundinho da 
publicidade pela qualidade e originalidade de seus trabalhos. Lottie lhe tinha mandado um par de artigos sobre ela que Eve tinha lido no avio; todos aqueles dados 
to favorveis se viram confirmados pela boa impresso que lhe causou a agncia durante a entrevista.
   Do momento em que atravessou as grandes leva daquela velha fbrica, reconvertida em um ultramoderno escritrio, Eve intuiu que adoraria trabalhar ali. Aquele 
stio estava vivo, respirava-se energia. Tambm gostou do aspecto dinmico e alegre dos empregados que viu de caminho ao despacho do chefe. riu ela sozinha ao pensar 
na cara que tivesse posto Godzilla ao ver um deles com patins!
   entendeu-se s mil maravilhas com o Bart Coleman, o diretor encarregado de entrevist-la. Conversaram sem parar durante mais de uma hora. Trabalhar para o Coleman-Walker 
seria como um sonho feito realidade. Estavam na crista da onda, e ela morria por formar parte daquela equipe.
   Quando Bart lhe disse que, se o desejava, o trabalho seria dele, esteve a ponto de arrebentar de satisfao. Teve que conter o impulso de lhe dar um abrao ali 
mesmo. Claro que o queria!  mais, estava disposta a pagar por trabalhar naquele stio. Entretanto, as arrumou para aparentar certa calma ao menos at que saiu dos 
escritrios; uma vez na rua, deu um salto e proferiu um grito de pura alegria, ante o atnito olhar de quo transeuntes passavam a seu lado.
   Sentia que tinha por fim a sorte de cara, que aquela era a oportunidade que tinha estado esperando durante toda sua vida. E se convenceu de que naquela cidade 
estava seu destino quando encontrou quase  primeira o perfeito lugar para viver aos subrbios da cidade.
   tratava-se de uma pequena granja, com seu estbulo e demais dependncias, rodeada de rvores, que era propriedade de um ancio que tinha decidido ir-se a um asilo. 
Seu filho lhe vendeu a propriedade a um preo de ganga em troca de que ficasse tal e como estava e aceitasse fazer-se carrego de uma mua e uma vaca. Um moo de 
uma das granjas prximas se esteve ocupando dos animais, e provavelmente estaria encantado de seguir fazendo-o se Eve lhe pagava um mdico salrio.
   Ao Eve no importou absolutamente aceitar esta condio, assim assinaram os papis em um tempo recorde. Certo era que a granja parecia um pouco descuidada, mas 
certamente uma mo de pintura melhoraria seu aspecto, e, por sorte, as cercas estavam em muito bom estado. Inclusive poderia ter um cavalo, algo que sempre tinha 
desejado.
   Do aeroporto chamou o Bart Coleman para aceitar o trabalho com uma nica condio: que lhe ajudasse a encontrar a forma de transportar a seus animais ao Texas.
   
   Matt Crow estava esparramado na cadeira de couro de seu escritrio, com os ps sobre a mesa, entretendo-se encestando bolas de papel no cesto de papis e sem 
tirar olho ao retrato daquele anjo. Tinha-lhe comprado aquele retrato ao fotgrafo das bodas do Irish, colocando-o imediatamente sobre seu escritrio, e pondo outra 
cpia em sua casa.
   Parecia que aquele maldito telefone no fora a soar nunca. Nervoso, arrancou outra folha do caderno e fez uma bola com ela. Se aquela situao se prolongava muito 
tempo mais, acabaria lhe saindo uma lcera.
   Quando por fim soou o telefone, desprendeu-o antes de que tivesse acabado o primeiro toque. 
   -Assunto resolvido -disse-lhe Bart Coleman.
   -aceitou? -perguntou Matt sorrindo aliviado
   -Sim. Coleman-Walker tem uma nova diretora criativa. Incorporar-se nos dia quinze.
   -Ento, podem ficar com a conta do Crow Airline tal e como combinamos. Mas lhe advirto isso, Bart, se...
   -Seja  seja: se chegar a inteirar-se, cortar-me o cangote.
   -Efetivamente-Rio Matt-. E tampouco quero que Jackson ou qualquer outro membro da famlia se inteirem disto.
   -No se preocupe, Matt, este assunto ficar entre ns. Tenho de te dizer, entretanto, que estou realmente impressionado pela qualidade de seu trabalho. Creio 
que encaixar muito bem em nossa equipe, Y...
   -Lo s -le interrumpi Matt-. Has dicho que llega dentro de dos semanas? -pregunt, sonriendo como un tonto.
   
   
   Captulo Trs
   
   -J te instalaste? -perguntou- Bart Coleman ao Eve ao v-la entrar com um monto de pastas debaixo do brao.
   -Quase. selecionei estes curriculuns de entre todos os que me deixou -disse, sentando-se frente a ele-. S necessitamos a trs pessoas? Vi vrios trabalhos realmente 
bons.
   -Sim, de momento s trs. Bryan Belo, Sam Marcus e Nancy Brazil fizeram j parte do trabalho ajudados por dois colaboradores externos. Quero que voc te encarregue 
pessoalmente de fiscalizar esta nova conta. Bryan est agora mesmo fora da cidade, assim j lhe apresentarei isso quando retornar.
   -Estupendo. J conheo o Sam e Nancy, e estou desejando comear. me conte algo mais de nosso cliente. Nancy me disse que se trata de uma companhia de aviao 
pouco convencional... Soou-me do mais estranho. A verdade, no sei se me sentiria muito segura voando com eles... -brincou.
   -No se preocupe -disse Bart rendo-. Embora no se pode comparar com as maiores, Crow Airlines tem muito boa reputao... o que passa  que  um pouco alternativa. 
J sabe, desenho de vanguarda, uniformes excntricos...
   -Crow Airlines? -conseguiu articular Eve, sem dar crdito ao que estava ouvindo.
   -Efetivamente, pode que no tenha ouvido falar deles, mas te asseguro que ter conseguido esta conta  todo um pontao para a agncia. No s poderemos desenvolver 
todas nossas idias criativas, mas tambm, alm disso supor uma fonte de ganhos de primeira categoria. Conto contigo para tirar adiante o trabalho e fazer que nosso 
cliente se sinta satisfeito conosco.
   Era evidente que Bart estava encantado com aquele negcio, mas ela no pde evitar uma pontada de apreenso. "Por favor, Deus", rezou, "que os donos no sejam 
os primos do Kyle". No queria nem pensar na terrvel possibilidade de que tivesse conseguido aquele trabalho s porque era a irm do Irish 
   -Er... e quem  o representante da companhia? 
   -O proprietrio.  um tipo estupendo. Conhecemo-nos na Universidade do Texas. Meu scio, Gene Walker, e eu estivemos sonhando conseguindo esta conta desde que 
abrimos a agncia. E por fim o conseguimos! -exclamou orgulhoso-. Ser melhor que nos demos pressa -continuou, depois de jogar uma olhada a seu relgio-. fiquei 
com nosso cliente para comer.
   Completamente tensa, Eve se levantou para segui-lo.
   -E quem  o "grande tipo" exatamente? -atreveu-se a perguntar-, No ser por acaso Jackson Crow?
   -Jackson? No, no  ele -Eve suspirou aliviada para lhe ouvir-.  seu irmo Matt.
   Empalidecendo subitamente, Eve se voltou para ele.
   -Matt? Matt Crow?
   -Sim,  genial. Te vai gostar de muito.
   -J... j o conheo.
   -De verdade? -perguntou Bart surpreso-. V! Isso  estupendo!
   - primo de meu cunhado -explicou-lhe, observando cuidadosamente sua reao.
   -Sua primo? Diz-o a srio?  genial! Ver quando Gene se inteire. No posso acreditar a sorte que tivemos... Vem, vamos dizer se o agora mesmo.
   -Espera, Bart, quero te fazer uma pergunta: voc sabia que minha irm estava aparentada com o Matt Crow?,  essa a razo de que me desse este trabalho?
   -No tinha nem idia! -protestou Bart-. E de hav-lo sabido, no me tivesse parecido relevante, Eve, dei-te este encargo porque tem muito talento e sei que saber 
tir-lo adiante. No o duvide alguma vez. Por certo, quem  sua irm? Ao melhor a conheo...
   -Irish Ellison, a modelo. Acaba de casar-se com o doutor Kyle Rutledge e se vieram a viver a Dallas. Kyle e Matt so primos.
   - irm do Irish? No a conheo em pessoa, mas vi muitas reportagens nos que sai.  uma mulher muito bonita -Bart inclinou a cabea, observando ao Eve com ateno-. 
Agora que o diz, parecem-lhes muito. por que no te fez voc tambm modelo?
   -Eu? Por favor, no tire o sarro: Irish  a bonita da famlia. Eu me dediquei a cultivar minha inteligncia.
   -Pois me parece que tem tanta beleza como talento. Venha, vamos ver nosso cliente. Mida surpresa vai levar se!
   
   Matt estava muito nervoso. Tinha destroado todas as flores do vaso, brincado com os cubinho de acares e se tomou duas margaridas. Estava a ponto de pedir a 
terceira quando a viu aparecer.
   Deus, que bonita era.
   Estava duplamente agradecido ao destino por lhe permitir desfrutar daquela viso. To solo uns anos atrs, antes de sua operao de olhos, em vez de um anjo s 
tivesse visto um borro aproximando-se de sua mesa. Com os culos de culo de copo que estava acostumado a levar naquela poca no poderia haver-se dado conta da 
preciosa cor de seus olhos, ou daqueles lbios to sensuais.
   Talvez devido  tequila ou aos nervos, comearam a lhe tremer as pernas, o corao ficou a pulsar a mil por hora e as Palmas de suas mos se cobriram instantaneamente 
de suor. No tinha experiente tal conjuno de sintomas desde que aos quatorze anos beijasse ao Miranda Toney atrs do ginsio da escola. S que se sentia muito 
pior que ento.
   -Ol, Bart; ol, Gene -saudou, estreitando a mo aos dois scios-. E esta encantadora senhorita ... Eve.
   -Eve Ellison  a nova diretora de arte atribuda a sua conta -explicou-lhe Bart-. H-me dito que sua irm se casou com sua primo.
   -Assim  -disse Matt lhe estreitando a mo-. Conhecemo-nos nas bodas. Me alegro muito de verte por aqui, no sabia que te tivesse transladado a Dallas. Vivia 
em... Pittsburg? 
   -Em Cleveland. 
   -E como est George? 
   -George? 
   -Sim, seu amigo...
   -Meu o que...? Ah, refere ao Charlie! 
   -Isso! Charlie!
   -Est muito bem -respondeu Eve lacnicamente. 
   -veio-se contigo a Dallas? 
   Ela assentiu.
   Matt apertou a mandbula com tanta fora para reprimir um juramento que quase lhe chiaram os dentes.
   -O que querem beber? -perguntou-. Posso-lhes recomendar as margaridas. De fato, creio que me vou pedir outra -disse, chamando com um gesto ao garom.
   Maldita fora a imagem daquele metomentodo do Charlie! Tinha tido a esperana de que ficar em Cleveland, mas, por desgraa, no tinha ocorrido assim. Se embargo, 
estava disposto a conseguir ao Eve como fora, e, normalmente, quando se empenhava em algo, cedo ou tarde o conseguia.
   Sempre.
   O av Pete estava acostumado a dizer que Matt era como uma tartaruga mordedora: quando agarrava algo, no o soltava. E tinha razo. Durante toda sua vida tinha 
estado fascinado pelos avies. Tivesse desejado mais que nada ser piloto, mas sua m vista o impediu. Assim, o primeiro que fez com o milho de dlares que lhe deu 
seu av, foi pagar uma operao de cirurgia laser. No lhe havia dito a ningum nenhuma palavra de seus planos, e muito menos a sua me, mas estava decidido a aprender 
a voar. J pesar de todos quo condicionantes tinha em contra, tinha-o conseguido.
   De algum modo conseguiu centrar-se durante toda a comida nos negcios, sem provar, isso sim, a terceira margarida que tinha pedido. Entretanto, no conseguiu 
apartar o olhar do Eve, houve um momento em que ela levantou a cabea e se deu conta do que estava fazendo. Ficando mais tinta que um tomate, agachou a cabea rapidamente, 
aparentando estar muito interessada no que tinha no prato.
   Matt sorriu. Charlie ou no Charlie, seguia havendo qumica entre eles.
   
   A comida devia estar deliciosa, ou ao menos isso diziam Bart e Gene, mas tudo o que Eve se levava a boca ficava atravessado na garganta. Para piorar as coisas, 
comeou a preocupar-se com seu aspecto.
   Estaria bem penteada? Lhe teria deslocado o batom? Infelizmente, levava uma jaqueta cor prpura que, segundo Irish, ficava fatal, alm de estar completamente 
passada de moda e bastante alhada. Lamentou no ter feito caso a sua irm e hav-la atirado ao lixo tempo atrs. Para mais inri, lembrou-se de que um dos ces, Gmez 
provavelmente, tinha mordiscado seu sapato esquerdo. Por sorte, tinha conseguido dissimular os rastros de seus dentes com um pouco de tintura; de todas formas, deu 
obrigado porque ele no pudesse ver o desastre... e por desgraa no se podia tirar a jaqueta j que aquela manh lhe tinha descosturado a cava da blusa enquanto 
tentava apanhar ao maldito co e no tinha tido tempo de trocar-se.
   De todas formas, Matt Crow no estava to interessado com ela como lhe tinha parecido. Nem sequer a tinha reconhecido ao princpio. Ela, pelo contrrio, tinha 
gravado a fogo a lembrana de sua voz, de seus olhos, de suas mos... Mas ao o ter outra vez diante dela se deu conta de que sua memria no lhe tinha feito justia 
absolutamente, que era seu incrvel carisma o que em realidade lhe conferia seu lhe esmaguem atrativo.
   sentia-se quase nua diante dele.
   Quando surpreendeu seu olhar, adivinhou que sabia no que estava pensando, e, sem pod-lo evitar, avermelhou at a raiz do cabelo. Como ia poder trabalhar com 
aquele homem sentindo por ele o que sentia? Mas se nem sequer sabia quanto tempo poderia resistir sem acabar jogando-se em seus braos lhe dizendo, "tome, sou tua", 
ou alguma estupidez pelo estilo!
   A Deus obrigado, Matt era o presidente de uma prspera companhia pelo que, certamente, no poderia dedicar muito tempo para fiscalizar cada fase da campanha de 
publicidade que lhes tinha encarregado. Provavelmente; Eve trabalharia com algum de seus colaboradores. Isso seria sua tabela de salvao, pois do contrrio estava 
quase segura de que acabaria ficando em evidncia e envergonhando a sua famlia.
   Ao acabar a comida e detrs assinar a conta, Matt se voltou para ela com um radiante sorriso.
   -Tenho a inteno de organizar minha agenda de forma que tenha tempo suficiente para participar de cada detalhe da campanha. Para falar a verdade, eu gostaria 
de te convidar para jantar esta noite para comear a discutir os detalhes.
   -Para jantar? -repetiu Eve, presa do pnico-. Esta noite?
   Desesperada-se, olhou para seus chefes: por sua expresso deduziu que ambos esperassem que aceitasse.
   -Sim -disse Matt alegremente-. Se te parecer, passarei para te buscar ao escritrio, e logo podemos ir tomar umas taas.
   -Er... isto...  que tenho animais...
   -Que bem! eu adoro os animais. A que hora ficamos?
   -No, no me entendeste: tenho que ir a casa e dar os de comer. Esto um pouco nervosos com a mudana de casa e todo isso... Esta manh tive que encerrar ao Gmez 
no estbulo porque se ps a perseguir as vacas do vizinho e a lhes morder as patas... Espero que no se escapou...
   -Gmez?
   - um co de raa indefinida. adora escavar e fazer buracos por debaixo das cercas.
   Matt se ps-se a rir.
   -Quando era pequeno tubo um co parecido. Voltava louca a minha me. No o pode vigiar Charlie?
   -Charlie? Claro que no!
   -Proponho-te uma coisa: vete a casa a dar os de comer que eu irei depois. J comprarei algo para jantar. Quais sua direo?
   - que vivo muito longe -respondeu Eve evasivamente-, nos subrbios. No te incomode...
   -No  molstia, eu gosto de conduzir -replicou Matt, disposto a no deixar-se intimidar por suas objees. Sorriu-a de tal forma que toda sua determinao se 
derreteu como um floco de neve contato com um fsforo-.Me diga onde vive.
   Derrotada, Eve lhe deu a direo da granja
   -O que gosta ao Charlie?
   -Ao Charlie?
   -Sim, gosta da massa, por exemplo?
   Horrorizada, Eve se deu conta  de que ia dar-se conta de que lhe tinha estado mentindo.
   -Llvale pescado -respondi con un hilo de voz-. Le encanta.
   
   
   Capitulo Quatro
   
   A chuva golpeava o cristal do pra-brisa com fora. Eve se aferrou ao volante, tentando ver algo pela cortina de gua que estava caindo. Embora tinha sado do 
escritrio com tempo de sobra para chegar a casa, dar de comer aos animais e trocar-se, um acidente na auto-estrada tinha provocado um entupo importante. Para piorar 
as coisas, tinha comeado a chover.
   Havia ficado de que Matt chegaria  granja em menos de um quarto de hora. Lhe fez um n no estmago ao ver o relgio e dar-se conta de que lhe seria impossvel 
chegar a tempo. Alm disso, estava muito preocupada com os animais, os pobrezinhos estariam impregnados e famintos; rezava para que se refugiaram no alpendre, ou 
sob o beiral do estbulo.
   Preocupavam-lhe especialmente Lonesome e Sukie, a mula e a vaca que tinha recebido junto com a granja. Lonesome estava mdio cega, e terei que ordenhar ao Sukie. 
Normalmente estavam no estbulo, mas aquele dia as tinha deixado fora para encerrar ao Gmez em seu lugar, sem pensar nem pelo mais remoto que ia retornar to tarde 
a casa.
   Acendeu a rdio, mas nem a msica conseguiu lhe acalmar os nervos.
   depois do que lhe pareceram horas de caminho, chegou aos subrbios de Dallas, atravessou Mesquite e saiu da auto-estrada. J no ficava muito para chegar a casa. 
Quando por fim enfiou o caminho de entrada, o primeiro que viu a tnue luz dos faris foi um carro esportivo negro estacionado ante a casa.
   -OH, no! -gemeu. Inexplicavelmente, tinha conseguido chegar antes que ela.
   Assim que abriu a porta, Matt se adiantou a receb-la com um enorme guarda-chuva em uma mo e uma lanterna na outra.
   -J tenho suposto que te teria ficado apanhada na auto-estrada -disse.
   -Sim, e o sinto. Agora ter que me perdoar, mas o que tenho que fazer  dar de comer aos animais. As pobres Lonesome e Sukie devem estar muito assustadas, e Gmez 
mdio louco, depois de haver-se passado o dia no estbulo. Sinto muito, mas teremos que deixar o jantar para outro dia...
   Fazendo caso omisso da chuva, Eve ps-se a andar para o estbulo, rodeada pelos ces, que ladravam como loucos, como se pensassem que todo aquilo era muito divertido. 
   -Ajudarei-te -gritou Matt.
   -No, volta outro dia! -girou-se com tanta brutalidade que escorregou, caindo sobre o barro. Os ces se equilibraram sobre ela para lamb-la e jogar-. Parem, 
meninos, parem! Venha, a casa, a casa! -a contra gosto, os bichinhos obedeceram.
   Amaldioando pelo baixo, conseguiu ficar em p. Estava coberta de barro de ps a cabea. Irish j no teria que preocupar-se mais pela jaqueta, pensou, parecia 
um asco.
   Quando chegou s imediaes do estbulo, comprovou aliviada que os animais pareciam tranqilos, apesar da tormenta. Justo ento, teve a m sorte de que lhe casse 
uma lente de contato. Embora sabia que era uma causa perdida, agachou-se e ficou a apalpar o cho, com a v esperana de encontr-la.
   -Tem-te feito mal? -perguntou Matt ficando a seu lado e lhe tampando com o guarda-chuva.
   -No, estou perfeitamente -dava-lhe muita vergonha que ele a visse naquele estado, assim que se incorporou, tentando inutilmente limpar-se um pouco a cara-. Escuta, 
no creio que este seja o melhor momento para falar do projeto. Como v, tenho muitssimo confuso. Se quiser, ficamos outro dia -e fechando o olho do que se cansado 
a lente de contato, voltou-se para o estbulo.
   Sukie e Elmer, muito quietinhas, cobriram-se sob o beiral, enquanto que Lonesome se ficou sob o temporal, diante da porta do estbulo. Ao v-la, Eve se sentiu 
como um desprezvel verme.
   -minha pobrezinha! -disse, lhe acariciando o lombo-. J ver como em seguida estar seca e quentinha -abriu a porta e a fez acontecer imediatamente ao interior, 
chamando depois  vaca e a cabra. 
   -O que posso fazer? -insistiu Matt 
   Eve ficou petrificada para ouvi-lo. 
   -Pensei que j te tinha partido. Sinto muito, de verdade, mas tenho muitas coisas que fazer... no posso estar pendente de ti -disse, e agarrando um monto de 
trapos ficou a secar  mula.
   -E no quero que o esteja. Alm disso, ter que comer algo, no? O jantar est no carro, em uma geladeira porttil, assim no se preocupe. De verdade, quero te 
ajudar, assim me diga o que posso fazer.
   Eve suspirou profundamente. Devia ter um aspecto lamentvel, mas, naqueles momentos, os animais eram muito mais importantes que sua aparncia.
   -Est bem: acaba de secar ao Lonesome se quiser enquanto eu ordenho ao Sukie. Elmer  bastante independente, assim no creio que lhe acontea nada. Depois, se 
te parecer, pode dar de comer ao Winston Churchill, ao Louie e A.... Gmez! -rapidamente ficou a procurar o co por todos os rinces-. Onde est Gmez? Eu o deixei 
aqui dentro, e o muito malvado se escapou...
   Sukie se dirigiu a seu stio mugindo.
   -J sei, bonita -disse-lhe Eve-. Estarei contigo em seguida. OH, Deus! -gemeu-, espero que esse bandido no esteja perseguindo outra vez s vacas do vizinho.
   -Quer que v busc-lo? -disse Matt. 
   -No, j vou eu -decidiu Eve-. Lhe poder arrumar isso -chale una manta a Lonesome y ordea a Sukie -respondi Eve saliendo por la puerta. 
   -Claro, o que tenho que fazer? 
   -Joga uma manta ao Lonesome e ordenha ao Sukie -respondeu Eve saindo pela porta. 
   -Ordenhar ao Sukie?
   -Sim, o caldeiro est detrs da porta. Poder faz-lo?
   - obvio -disse Matt enquanto ela ficava a chamar gritos ao co-. Sem problemas... -decidido, deixou sua jaqueta de seda em um prego da parede e se arregaou 
a camisa. Com o cubo em uma mo e o tamborete na outra, aproximou-se da vaca-. Ol, Sukie, bonita: vim a te ordenhar.
   O animal meneou a cabea e ficou olhando com seus enormes olhos escuros. Matt tivesse jurado que tinha suspirado ao lhe ver, pensando sem dvida que aquele humano 
no tinha pinta de saber como se ordenhava uma vaca.
   E, para falar a verdade, Matt no tinha nem idia de por onde comear. Sua nica experincia daquele tema era o que tinha visto nos filmes embora, uma vez, quando 
tinha oito anos, seu av tinha querido lhe ensinar a faz-lo, mas o nico que tinha conseguido  que a vaca lhe desse um coice tal que esteve coxeando duas semanas.
   -Vamos, bonita -disse, depois de sentar-se no tamborete e colocar o caldeiro debaixo das beres-. Me ajude e lhe agradecerei isso... -murmurou-. E no te ocorra 
me dar um coice!
   Por sorte, Sukie ficou muito quietinha. Matt desentorpeceu os dedos e, muito decidido, agarrou uma bere em cada mo e apertou.
   No aconteceu nada.
   Voltou a tent-lo com mais fora.
   Nenhuma gota.
   -Sukie, carinho, colabora um pouquinho, anda.
   A vaca se voltou de novo para ele. Esta vez teria jurado que punha os olhos em branco.
   depois de cinco minutos de estirar, apertar e amaldioar, no havia mais que duas miserveis gotas de leite no cubo. Suando como um condenado, Matt se disse que 
tinha chegado o momento de consultar com um perito. Quo ltimo queria era ficar como um idiota diante do Eve.
   -Espera um momento, garota, tenho que fazer uma chamada -disse, lhe dando ao Sukie um tapinha no lombo. levantou-se, tirou o mvel da jaqueta e marcou o nmero 
de seu av. Por sorte, o velho Pete estava em casa.
   Matt lhe explicou seu problema, fazendo que ao ancio quase lhe desse uma apoplexia de risada.
   -Muito bem, filho -disse entre gargalhadas-, escuta com ateno como se faz...
   
   Quando Eve retornou ao estbulo, imerso e tremente, encontrou-se ao Matt Crow, o muito mesmo presidente do Crow Airlines, sentado em um tamborete e cantando 
alegremente uma entusiasta, embora um pouco desafinada, verso de "Na velha feitoria", enquanto ordenhava ao Sukie. Levantou a vista de sua tarefa e lhe dirigiu 
um de seus maravilhosos sorrisos.
   -encontraste ao Gmez? -perguntou.
   Ela assentiu, retirando o cabelo da cara.
   -Estava to contente, em casa dos vizinhos, quentinho e seco. ficar com eles at manh. J lhes dei a comida ao Winston Churchill, Louie e Dewey. Voc j terminaste 
com o Sukie?
   -enchi meio cubo: creio que j no vou tirar muito mais.
   - muito mais do que estou acostumado a tirar eu -disse Eve-. Nunca tinha ordenhado uma vaca em minha vida at a semana passada; ensinou-me Jimmie Johnson, o 
filho de uns vizinhos. No te perguntei se sabia faz-lo porque supus que ao ter vivido no Texas toda sua vida estaria acostumado a trabalhar com o gado. Jimmy me 
disse que todo mundo por aqui aprendia a ordenhar de pequeno. Senti-me o mar de ignorante, claro. E, por isso vejo, voc  todo um perito -acrescentou, assinalando 
o cubo-. Quando aprendeu?
   -OH, bom... creio que a primeira vez que o fiz teria uns oito anos. me diga, quais so Winston Churchill, Louie e Dewey?
   -Winston Churchill  um galo, e Louie e Dewey so patos.
   -Como conseguiu semelhante galinheiro?
   -depois de Pscoa, a gente est acostumada abandonar aos pintinhos e patinhos que do de presente aos meninos, sobre tudo nas cidades.
   -Sim, quando crescem j no so to bonitos... Onde os encontrou?
   -Mas bem me encontraram eles . Tenho um talento especial para atrair aos bichinhos necessitados -disse Eve tremendo.
   -Ser melhor que vamos dentro e nos tiremos estas roupas molhadas.
   S de pensar no Matt tirando-a roupa, ao Eve lhe aconteceu o tremor. Esperava que no tivesse querido dizer... que no estivesse pensando... no que ela estava 
pensando.
   -Vamos -insistiu. Aparentemente, sua proposta era do mais inocente-. Tem que te trocar.
   Assim que se assegurou de que os animais do estbulo estavam perfeitamente, Eve conduziu ao Matt at a casa. Embora j estava imerso at os ossos, Matt insistiu 
para que ela levasse o guarda-chuva enquanto ele carregava com o cubo de leite.
   -Tem uma cerda dentro de casa? Eve sorriu enquanto secava ao bojudo bichinho no alpendre.
   -Chssss. Minerva no sabe que  uma c-e-r-d-a. Alm disso, para sua informao te direi que  muito mais limpa que os ces, e mais suave tambm... Minerva grunhiu 
agradada.
   Matt secou primeiro ao Charlotte, uma bonita So Bernardo, enquanto Lucy e Bowie, os dois ces guias de ruas que Eve tinha acolhido em sua casa, esperavam pacientemente 
seu turno.
   -Primeiro lhes daremos a comida -disse Eve-, e depois jantaremos ns.
   Quando entraram no salo que estava justo em meio da casa, Matt ficou muito surpreso para ouvir que algum cantava "Caro nome chel IL mijou cor" a grito descascado. 
   - Charlie? 
   Eve se ps-se a rir. 
   -No,  Caruso,  um mina. 
   -Um qu?
   -Um pssaro tropical que imita a voz humana. A jaula est no corredor. Espero que voc goste da pera... s vezes fica muito caladinho, mas outras no pra de 
cantar. Seu anterior proprietrio era um fantico do belo canto.
   -Como  que ficou com ele? 
   -Sergio, seu dono, morreu de uma embolia. Tinha oitenta e dois anos e era um ancio adorvel. Ele e Caruso viviam frente a minha casa... bom, o caso  que me 
deixou isso em seu testamento. J v que Caruso  um pouco... peculiar, e a irm do Sergio no podia suport-lo, atacava-lhe os nervos, assim...
   -Assim que se levou o piano e a baixela de prata e deixou a ti ao pajarraco.
   -Bom, um pouco parecido -admitiu Eve. 
   -RI-dava Pagliaccio -cantou Caruso do corredor-. Ah-h-h-h!
   Matt se ps-se a rir.
   -Deveria lhe ensinar alguma cano do Mark Chestnut, George Strait ou Neal McCoy -disse.
   -Quais so? -perguntou Eve.
   Matt a olhou atnito.
   -Alguma vez ouviste falar do George Strait?
   -Creio que no.  um cantor?
   -O melhor. Por isso vejo, tem importantes lacunas em sua educao. No pode viver no Texas sem ter ouvido nada do George, Mark ou Neal. So cantores de country 
e, o que  mais importante, texanos os trs. No tm casas de jogo clandestino em Cleveland?
   -No que eu saiba; ao menos, eu no estive em nenhum.
   -Se tivesse estado, lembraria-te. Creio que vou ter que te tirar por a... j te levarei a Rede Dog um dia. Anda, agora vete a te trocar de roupa antes de que 
pilhe um resfriado. J lhes darei de comer eu a estas feras -disse, assinalando aos ces.
   -Obrigado. Sua comida est na despensa... -Eve se deteve o ver uma poa d'gua no cho-. Muito bem, meninos -disse, voltando-se com olhar severo aos ces-, quem 
foi?
   -Eu no, juro-o -disse Matt.
   -Muito gracioso! -riu Eve.
   -Parece-me que tem uma goteira -disse Matt assinalando para o teto.
   -OH, no! Trarei uma chaleira em seguida.
   Havia outro atoleiro na cozinha.
   -Maldio! -exclamou contrariada-. O telhado parece um coador -enquanto ela esfregava o cho, Matt ps uma bacia no corredor e uma caarola ao lado da velha cozinha 
de gs. Localizaram duas goteiras no salo, outra mais no corredor e uma em um dos dormitrios. Por sorte, Eve comprovou que seu quarto estava em perfeito estado; 
quando ia sair, topou-se com o Matt, quem lhe tinha seguido sem que ela se desse conta.
   -Cuidado! -exclamou, sustentando-a pelos ombros para evitar que perdesse o equilbrio.
   -Perdoa, eu... -incapaz de continuar, notou chateada que voltava a ruborizar-se... o que no era de sentir saudades se pensava que estavam os dois plantados em 
meio de seu dormitrio.
   Eve no estava acostumada a ter homens em semelhante stio, e menos ainda a homens como Matt, que com sua s presena lhe punha o corao a cem e conjurava em 
sua imaginao todo tipo de fantasias. "Tome cuidado, Eve", disse-se a si mesmo: "Este homem pode acabar te obrigando a fazer algo realmente estpido, e romper seu 
corao, alm disso". Quis afastar-se dele, mas seus ps se negavam a obedec-la. De repente, o nico no que podia pensar era na cama, que parecia fazer-se maior 
quanto mais a olhava pela extremidade do olho.
   -Eve -a voz do Matt se fez mais rouca, incrivelmente sexy.
   -me diga.
   -S queria dizer seu nome. eu adoro como sonha.
   -De verdade?
   -De verdade.
   Quando aproximou seu rosto um pouco mais ao dela, entrou-lhe pnico e, precipitadamente, saiu da habitao, charloteando de mil trivialidades para dissimular 
sua confuso.
   Para ouvir o repico das gotas de chuva nos cacharros repartidos por toda a casa, ficou a calcular mentalmente o que custariam as reparaes. No podia permitir 
um telhado novo, j que sua conta bancria se ficou exausta depois de pagar a entrada da granja e do que havia flanco arrumar a calefao e os encanamentos.
   A nica opo que ficava, pensou filosoficamente, era estudar-se cada dia o parte meteorolgico para ver se tinha que tirar as caarolas ou no.
   Enquanto Matt lhes punha a comida aos animais na galeria traseira, deu-se uma rpida ducha e se trocou de roupa. Como no tinha lentes de contato de reposto, 
no ficou mais remedeio que fic-las culos; Irish lhe havia dito mais de uma vez que estavam acontecidas de moda, que a forma no lhe sentava bem e que lhe faziam 
parecer maior. Por um momento pensou em tirar-lhe mas ento se chocaria contra todas as portas, e o efeito seria ainda pior.
   Ao sentar-se na cama para fic-los meias trs-quartos, descobriu com espanto outra goteira. O edredom da cama estava completamente empapado pela chuva. 
   -Genial. Isto  simplesmente genial -grunhiu. 
   Resignada, retirou os lenis e mantas e ps um plstico sobre o colcho que, por sorte, no estava molhado.
   Pelo visto, ia se ter que passar o fim de semana encarapitada ao telhado com um martelo e uns pregos. Finalmente, acabou de arrumar-se e de ordenar o dormitrio 
e baixou  cozinha, de onde emanava um delicioso aroma.
   -Hmmmm! Cheira de maravilha! -exclamou-. Mas, o que...?
   Matt estava acendendo uma vela. Tinha posto a mesa com uma toalha, os guardanapos e um pequeno ramo de rosas amarelas em um vaso. voltou-se para ela com um sorriso; 
por um momento seus olhares se cruzaram e foi como se o tempo se detivera, como se o espao entre eles se enchesse de fascas de pura magia. Matt foi o primeiro 
em apartar a vista, rompendo desse modo o feitio; sem saber muito bem o que fazer, como reagir, Eve se agachou para lhe fazer uma bajulao ao gato.
   -Ol, Charlie, bonito. A que voc tambm tem fome?
   -"Charlie?"
   -chama-se Charlie Chan, embora no sei por que, porque no  chins, a no ser siams, e s em parte; entretanto, j se chamava assim quando fiquei com ele, faz 
um par de anos.
   -Um par de anos?  que este Charlie  Charlie?
   OH, no! Tinha metido a pata sem remdio. Por um momento pensou em manter como fora sua estpida mentira, mas em seguida desprezou a idia.
   -Sim -confessou-.  o autntico Charlie. deveu cheirar o pescado.
   -Ento -insistiu Matt-, o Charlie com o que me disse que vivia  "este gato"?
   Eve tragou saliva.
   -Bom... era-o a ltima vez que o vi -disse, como se todo aquilo fora em realidade um gracioso mal-entendido. Entretanto, Matt no sorriu-. Est zangado?
   -Zangado? No, confuso talvez... e me sinto bastante aliviado, a verdade -acrescentou. Sacudiu a cabea rendo alegremente-. Ol, companheiro -disse, acariciando 
ao gato-, alegra-me muito te conhecer. Voc gosta do pescado, verdade? Quer um pouco de salmo defumado?
   Charlie miou agradado; at o Pansy saiu de seu esconderijo sob a cama do Eve para reclamar sua rao do festim.
   -Voc tambm cheiraste o salmo, pequenina? -disse Eve com a menina nos braos-. Tem boa mo com os animais, Matt.
   -Pode... mas o que eu gostaria de verdade  me levar bem com sua proprietria. Posso-te tentar a ti tambm com um pouco de salmo?
   -Sou vegetariana.
   -J me havia dito Irish que voc no gostava da carne, assim que te tenho gasto um monto de verduras: aspargos com vinagrete, salada de batatas, cogumelos salteados, 
brcolis com molho holands, bolo de milho... ah!, tambm h massa com manjerico e tomate. Tenho gasto po francs; coloquei-o no forno com todo o resto.
   -Hmmmm! Que delcia! Cheira a glria. Matt agarrou um de seus cachos, enredando-lhe entre os dedos.
   -eu adoro seu cabelo, parece feito de luz de lua.
   Incapaz de articular palavra, de pensar em nada sequer, Eve ficou olhando: seus olhos, seu aroma, seu corpo inteiro tinham o poder de um m para seus sentidos, 
para sua vontade inteira. Seu olhar ficou presa daquela boca to sensual. Matt atirou brandamente da mecha de cabelo que sustentava entre seus dedos; ela se deixou 
levar, como hipnotizada por seus lbios.
   Quando por fim se beijaram, voltou a lhe surpreender sua incrvel suavidade.
   Aquela calidez.
   Mimosa, aproximou-se um pouco mais  fonte daquela incrvel sensao. Entretanto, esqueceram-se de que tinham cada um um gato em braos: ao chocar, os dois animais 
ficaram a miar e arranhar, pugnando por escapar.
   Matt e Eve se separaram de um salto e os gatos caram ao cho.
   -Maldio!
   -Agg! -chiou Eve. Matt quase lhe tinha arrancado a mecha sem querer.
   -Espera, espera... enredou-se. No te mova!
   sentiu-se como uma parva, agachada enquanto Matt a ajudava a soltar-se. Quando por fim o conseguiu, olhou-a com tristeza.
   -Sinto-o muito. Parece-me que perdemos uma boa oportunidade...
   -Sim, e voc que o diga! -riu Eve-. Anda, vamos comer -disse. Em todo aquele tempo, ele no tinha feito nem a menor meno a seus culos.
   
   
   Captulo Cinco
   
   -Quanto diz? -perguntou Eve atnita. Logo que podia dar crdito  cifra que lhe estava dizendo o empregado da construtora-. Deve voc estar brincando!
   Por desgraa, aquele homem no tinha o menor senso de humor: um novo telhado lhe custaria milhares de dlares.
   -Senhora, se o desejar, posso pr uns quantos emplastros: s lhe custaria umas centenas, mas, sinceramente, no o recomendo. Precisa trocar esse velho coberto 
de cima abaixo.
   -Muito obrigado. Chamarei-lhe quando me tiver pensado isso -pendurou e telefonou a outras duas companhias s que tinha pedido pressuposto; uma ainda no o tinha 
preparado, e na outra lhe pediram uma quantidade ainda mais elevada. Desesperada-se, enterrou o rosto entre as mos.
   -Problemas? -ouviu que lhe perguntavam. Levantou a cabea e viu na soleira ao Sam Marcus, um de seus colaboradores preferidos.
   -No, a no ser que o de por chover -respondeu-. No saber por acaso qual  a previso do tempo? 
   -Pois sim: nuvens e claros e fortes tormentas na sbado. Sei porque minha noiva quer ir a Canto este fim de semana; adora as antiguidades, e vai haver uma feira. 
Vem gente de todas partes, tem fama de ser o melhor mercadinho da regio, sabe? 
   -Fortes tormentas h dito? 
   -Efetivamente. Fazia algum plano? 
   -Bom, tinha uma entrevista com um martelo e uns quantos pregos no alto de meu telhado. Tenho goteiras. Por certo, no ter voc um martelo?
   -No me olhe, chefa. Tenho vertigem, d-me at quando subo a uma escada.  minha nica falha.
   -Ser galinha! 
   Sam lhe tendeu uma pasta.
   -Quer lhes jogar uma olhada antes de que os mande a produo?
   -So os anncios das tarifas especiais? 
   Sam assentiu.
   -Sim, e antes de que me pergunte, direi-te que Nancy no sabe distinguir onde comea uma ferramenta e onde acaba, embora seu irmo  um mecnico estupendo. Pode 
contar com ele se tiver alguma avaria.
   -Terei-o em conta -Eve comeou a revisar os esboos-. So estupendos, Sam. Bom trabalho. lhe diga ao Nancy que eu adoro seus textos.
   -Seguro que prefere que o voc diga. Apesar de que parece muito bordo, de vez em quando gosta dos cumpridos.
   -Acaso no gostam a todos? lhe diga aos de produo que se dem pressa, que lhes dem prioridade absoluta.
   -De acordo.
   Quando Sam se partiu, jogou uma olhada a seu relgio e chamou o Bryan Belo, outro dos membros de sua equipe. Queria lhe pedir que tivesse um par preparados de 
anncios para a rdio de trinta segundos cada um para o dia seguinte a primeira hora.. 
   -B.B.  fala. Quem chama, por favor? 
   -Bryan, sou Eve. J terminaste os anncios do Crow para a rdio? 
   -Claro.
   -Importaria-te me trazer isso ao despacho? 
   -No posso faz-lo -foi a surpreendente resposta de seu colaborador.
   -Como diz? 
   -Que no posso faz-lo. 
   -E por que, se pode saber-se? 
   -Porque os deixei ao Bart e ele est agora em uma reunio com um cliente.
   -E por que os deste ao Bart? 
   -Porque ele  meu chefe.
   Podia imaginar-se muito bem a expresso zombadora do Bryan. Uma quebra de onda de ira lhe percorreu as veias. "Mantn a calma", disse-se. Por alguma razo que 
desconhecia, no lhe caa bem ao editor snior, quem no se tomava a menor molstia por dissimular seus sentimentos para ela. No podia consentir que lhe seguisse 
faltando ao respeito daquela maneira.
   -E eu tambm o sou, Bryan -disse com muita tranqilidade-, ser melhor que o recorde. Suponho que ter uma cpia dos anncios em seu ordenador: imprime-os e me 
traz isso ao despacho dentro de dez minutos -disse, e pendurou para evitar que lhe replicasse.
   Exceto por um par de incidentes sem importncia com o tal Bryan, sua primeira semana na agncia tinha sido estupenda: adorava seu escritrio a gente, o trabalho, 
tudo. E tambm estava comeando a apaixonar-se pelo Texas. At os desconhecidos eram agradveis e hospitalares com ela.
   Como dizia o dito, tudo no Texas parecia maior que a vida, especialmente certa pessoa da que cada dia se sentia mais afeioada. Tinha visto o Matt todos os dias 
desde que comeasse com aquele trabalho. passava-se pelo escritrio a trs por quatro com qualquer desculpa, e estava acostumado a convid-la a comer ou para jantar 
com muita mais assiduidade que a que tivesse sido normal em um cliente. De fato, temia que tantas cuidados a pusessem em evidencia diante de seus companheiros, porque, 
embora ningum lhe havia dito nada ainda, era impossvel que tivessem acontecido desapercebidas.
   E breve voltariam a estar juntos durante vrios dias: Matt tinha insistido em que viajasse em um dos avies do Crow Airlines para que conhecesse de primeira mo 
os servios que oferecia a companhia. Aparentemente, era uma proposta do mais inocente, mas a inquietava bastante a perspectiva de passar tanto tempo com ele.
   Precisamente ento soou o telefone. "Falando do Rei de Roma...".
   -Ol! -disse Matt-. Que planos tem para comer?
   -Sam. Nancy e eu compraremos uns sandwiches e iremos comer os a um stio que se chama Pioneer Plaza. Querem me ensinar umas esculturas que h ali.
   -Estupendo! eu adoro esse stio. Direi-te o que faremos: eu comprarei a comida e lhes esperarei ali por volta das doze e quinze.
   -Mas  que fiquei com o Sam e Nancy... -protestou Eve.
   -No importa -disse Matt-. Levarei comida de sobra para todos. Estou desejando conhec-los melhor; de passagem, poderamos concretizar detalhes sobre a campanha.
   Estava-a pondo em uma situao muito difcil. Como era seu cliente, no ficava mais remedeio que aceitar.
   -De acordo, s doze e quinze.
   Assim que pendurou o telefone, Bryan Belo apareceu pela porta de seu escritrio e arrojou uma pasta sobre sua mesa.
   -So os anncios de rdio? -perguntou Eve.
   -Sim -respondeu secamente seu subordinado-. Algo mais? -perguntou, e, sem esperar resposta, deu-se a volta.
   -Sim, espera, quero lhes jogar uma olhada. Sente-se, por favor.
   Mas ele permaneceu obstinadamente de p, apoiado na soleira e com os braos cruzados. Eve decidiu no fazer caso de sua petulncia, e comeou a revisar o trabalho 
com muita calma.
   Quando acabou, levantou a vista agradada.
   -Bryan, fez um trabalho estupendo. So perfeitos. Estou segura de que nosso cliente ficar muito satisfeito.
   Bryan se manteve inexpressivo ante estes elogios.
   -Sim, sou muito eficiente.
   -Mais que isso: tem muito talento.
   -terminaste? Tenho trabalho pendente -replicou Bryan grosseiramente.
   Eve se mordeu a lngua: intua que se lhe respondia o que estava pensando, s conseguiria piorar as coisas.
   -Obrigado. Esta tarde, eu gostaria de me reunir contigo e com os de seu departamento para organizar o tema dos anncios de revistas.
   Bryan assentiu e saiu do despacho sem dizer nada. Eve se deixou cair sobre a cadeira com um suspiro de frustrao. Aquele homem se estava convertendo em um problema; 
rezava para ser capaz de dirigir aquela situao to desagradvel sem ter que pedir ajuda ao Bart.
   -Latido! -exclamou Nancy quando Matt comeou a abrir as caixas e bolsas que tinha levado-. So camares-rosa isso que cheiro? Me d vontade de te beijar!
   -Pois faz-o! -riu Matt lhe apresentando a bochecha.
   Quando a jovem lhe deu um cmico beijo, ao Eve assaltou uma repentina quebra de onda de... cimes? Da famosa noite da tormenta, Matt no havia tornado a tentar 
beij-la, nem sequer de brincadeira.
   Que estranho, pensou. Com todo o tempo que tinham acontecido juntos aqueles dias, tinha tido um monto de oportunidades de faz-lo... talvez no lhe tivesse gostado 
tanto como ela acreditava aquela primeira vez.
   Aquele pensamento a sumiu na confuso. Embora no tinha muita experincia, recordava que o ltimo menino com o que tinha sado, tampouco tinha sido capaz de despertar 
grandes paixes nela. Uma das razes pelas que tinha quebrado com ele era porque se deu conta de que preferia beijar a Minerva que ao Kenneth...
   Recordando o tato to sensual dos lbios do Matt sentiu que se derretia por dentro. Embora morria por experimentar outra vez aquela doce sensao, o sentido comum 
lhe dizia que manter uma relao sentimental com um cliente era uma das coisas mais parvas que podia fazer.
   -Quer muffeletta? -perguntou-lhe Matt-. Tem abacate, ovos, brcolis e outras coisas igual de ses e naturais -explicou-lhe com um sorriso.
   Eve se ruborizou sem poder evit-lo. Acaso lhe teria lido o pensamento? No, certamente no: simplesmente estava sendo amvel com ela porque, ao fim e ao cabo, 
eram quase parentes. Era impossvel que algum to mundano e sofisticado como Matt Crow estivesse realmente interessado em uma garota to corrente como ela.
   -No tem nem um grama de carne -continuou Matt-, prometo-lhe isso.
   -Muito obrigado -disse Eve. 
   Tomou o sanduche e se sentou em uma das cadeiras de praia que ele tinha disposto  sombra de um carvalho. Matt tinha escolhido um lugar perfeito, ao lado do 
cemitrio dos antigos fundadores, em uma pequena altura da que se viam as esculturas que adornavam o parque. respirava-se uma paz buclica naquele privilegiado enclave, 
isolado do trfico e rudos da cidade. Sam lhe havia dito que era um cruzamento de caminhos que tinham usado tanto os pioneiros como os ndios, onde antigamente 
se reuniam os rebanhos que os jeans levavam ao norte.
   Em tempos mais recentes se colocaram umas enormes esculturas de bronze recreando aquela antiga cena: podiam ver-se, realizados com um realismo incrvel, umas 
cabea de gado conduzidas por um grupo de homens embelezados ao mais puro estilo vaqueiro.
   -Que maravilha! -observou Eve-. Esto feitas com um detalhe incrvel. Quase se pode sentir o aroma do gado, o p, ouvir os assobios dos jeans, e o estalar dos 
ltegos. E alm disso so to... grandes. Nunca tinha visto nada semelhante.
   -No h nada como Texas -replicaram ao unssono Matt e Sam.
   Nancy se ps-se a rir.
   -J acostumar a ns, Eve. Os texanos so uma raa  parte.
   -Somos? -disse Sam arqueando as sobrancelhas-. Nancy, bonita, que voc  de Michigan...
   -Por pura casualidade -disse a jovem alegremente-, vim-me aqui logo que pude. Sabe, Eve? No alto da colina h umas esculturas parecidas com estas, mas de cavalos 
selvagens. Alguns dizem que so inclusive mais impressionantes que estas.   
   -Tio, isto est muito bom -disse Sam depois de pegar um enorme bocado a seu sanduche-. muito melhor que as salsichas de fgado e o bolo de passas que tenho em 
casa. Creio que vou jogar uma solicitude para trabalhar no Crow Airlines.
   -Salsichas de fgado? -interveio Nancy, pondo cara de asco-. Como pode comer semelhante coisa?
   -Por puro desespero: estamos a fim de ms e  o nico que fica na geladeira. Isso, e o bolo de passas que me deu de presente minha tia Sofa e que dio desde 
que era pequeno.
   -Eu tambm o odeio -disse Matt-. No suporto as passas, nem sequer nas bolachas. A verdade  que no h nada mais asqueroso que o bolo de frutas.
   -Pois eu gosto das passas -declarou Eve-. E o bolo de frutas.
   -Eu estou de acordo com vs, meninos -disse Nancy-. Entretanto, o bolo de chocolate eu adoro... ou o chocolate s se formos a isso.
   -Oua, Matt: Irish me contou que tem uma fbrica de chocolate,  certo? -perguntou-lhe Eve.
   -Tinha-a -respondeu-. Vendi-a faz tempo.
   -Vend-la? -exclamou Nancy incrdula-. Tinha uma fbrica de chocolate para ti s e a vendeu? Deus! Para mim seria como estar no paraso: tomaria o caf da manh, 
comeria e jantaria chocolate todos os dias.
   Matt se ps-se a rir.
   -Precisamente esse era o problema: tambm eu adoro, assim engordei dez quilogramas enquanto a tive. Vendi-a assim que me fizeram uma boa oferta.
   -Trouxemo-lhe os esboos das novas tarifas -disse Eve trocando de conversao.
   -J os verei logo. Anda, desfruta da comida. Faz um dia estupendo, verdade? Nunca me tivesse ocorrido dever comer aqui. De quem foi a brilhante ideia?
   -Do genial senhor Marcus -disse Eve.
   -Anda!  famlia do Neiman Marcus? -perguntou Matt.
   -Oxal! -riu Sam-. Meu pai  um simples contvel.
   Eve viu que se aproximava aonde eles estavam um ancio vestido com roupas estragadas que arrastava uma caixa de carto que se sustentava em precrio equilbrio 
sobre umas rodinhas. Tinha o cabelo e a barba sujos e emaranhados. Um mais dos milhares de vagabundos que povoavam as cidades, disse-se, desviando a vista. envergonhava-se 
de si mesmo por aquela reao, mas nunca tinha sabido muito bem como comportar-se com gente como aquela.  obvio, davam-lhe muitssima lstima, mas no sabia o que 
fazer para ajud-los, alm de dar dinheiro s associaes benficas que se ocupavam deles, coisa que fazia com regularidade. No podia fazer-se carrego daquelas 
pessoas abandonadas da mesma forma que se ocupava dos animais abandonados.
   -Matthew... Matthew Crow -disse o homem aproximando-se deles-.  voc?
   Matt o olhou atentamente e depois sorriu amplamente.
   -O mesmo que viu e meia -disse, estreitando a mo do vagabundo cordialmente-. Como est voc, Doc?
   -Muito bem, muito bem... me diga, esse sanduche  de roastbeef?
   -Sim, gosta de um? Ande, sente-se conosco -disse, lhe oferecendo uma cadeira-. Apresentarei a meus amigos.
   -No, obrigado, Matt. No posso ficar, mas eu gostaria de conhecer seus amigos...
   -Doutor Milstead, apresento ao Eve Ellison, Nancy Brazil e Sam Marcus. Todos trabalham em uma agncia de publicidade com a que tenho negcios.
   O ancio se tirou a boina e fez um corts gesto a todos eles.
   -Encantado de conhec-los. E para que agncia trabalham? -perguntou, dirigindo-se ao Eve. 
   -Para o Coleman-Walker -respondeu. 
   -Ah! Tenho entendido que esto subindo como a espuma. Eugene Walker foi um de meus alunos. Creio recordar que era um excelente jogador de futebol.  uma pena 
que se lesasse. H dito que tm roastbeef? -perguntou, voltando-se para o Matt.
   -Sim, doc, tome. Quer um pouco de salada de batatas, ou uns camares-rosa...?
   -No, no, que me daria uma indigesto. S quero o sanduche, obrigado -alargou o pescoo para ver o contedo de uma das caixas-. Tm bolo de queijo? No me importaria 
tomar uma parte, a verdade... Mas tm que deixar que lhes pague...
   -Doc, por favor...! -protestou Matt franzindo o cenho.
   -No te cria que ando muito bem de liquidez -riu o ancio-. Se te parecer, faremos uma troca: seguro que encontro um pouco adequado dentro da caixa.
   -Doc...!
   O velho lhe interrompeu com um gesto imperioso.
   -Insisto -disse. Retirou o trapo que tampava a caixa e ficou a rebuscar entre seus pertences. Por fim, se incorporou levando em cada mo a metade de um manequim.
   -S tenho isto, Matthew. Encontrei-o ontem mesmo: olhe  de muito boa qualidade e est quase novo. Seguro que um menino to preparado como voc lhe encontra utilidade 
em seguida. Pu-lhe Maud de nome -tendeu-lhe ambas as partes daquela espcie de boneca gigante com o nariz rota e a que lhe faltava um brao.
   -Obrigado, Doc -disse, recostando a metade inferior em uma rvore e colocando a metade superior em sua cadeira-. De verdade que no quer ficar um momento conosco?
   -No, no, eu tomarei meu sanduche com a Mary Ellen -disse, assinalando para o cemitrio-. Se me desculparem, senhores -disse cortesmente, agarrando a caixa 
com a comida.
   -Necessita alguma coisa, doutor? -perguntou Matt jogando mo de sua carteira.
   -No, hoje no, Matthew -colocou a caixa sobre seu maltratado carrinho e partiu.
   Matt ficou olhando, com as mos nos bolsos e expresso pensativa. Ao Eve deu vontade de lhe dar um abrao para lhe agradecer sua delicadeza com aquele estranho 
mendigo. alm de ser um homem sexy, rico e divertido, acabava de lhe demonstrar tambm o boa pessoa que era. No era de sentir saudades que se tomou tantas molstias 
para ajud-la desde que chegasse ao Texas: simplesmente, era sua forma de ser.
   -Quem era esse estranho vagabundo, Matt? -perguntou-lhe-. Falava muito bem... Chamaste-o doutor Milstead, no?
   - o doutor Henry Millstead: foi bolsista Fullbright e doutor em cincias econmicas.  um homem realmente brilhante. Faz tempo foi chefe do departamento na universidade 
Southern Methodist, e vivia em frente de nossa casa. 
   -O que lhe passou?
   -Sua mulher escapou com um vaqueiro de rodeio. Todo mundo ficou escandalizado, e o pobre doutor no o superou nunca -explicou-lhe Matt. 
   -E quem  Mary Ellen? -perguntou Nancy. -Morreu? 
   -No, que eu saiba.
   Sam abriu a boca para dizer algo, mas o pensou melhor.
   -s vezes encontra consolo em sua fantasia e no vinho barato -disse Matt-. Bom, algum quer um pouco mais de bolo?
   Todos se apontaram. Eve serve primeiro ao Sam e Nancy, que se dirigiram para uma pequena cascata para com-los, e depois cortou um pedao para o Matt, que se 
tinha ficado a seu lado.
   -O que vais fazer com o manequim? -perguntou-lhe. 
   -Com o Maud? No sei. Talvez dormir com ela...
   -Dormir? -repetiu Eve com uma gargalhada. levou-se o dedo manchado de bolo  boca para chupar-lhe 
   -Sim -respondeu Matt agarrando-a pela boneca-, a no ser, claro que encontre a algum mais suave e clida. Ela ficou olhando hipnotizada como se levava o dedo 
 boca e comeava a lamber os restos de bolo.
   -Te interesa? -pregunt Matt.
   
   Captulo Seis
   
   Aquele sbado, quando o despertador soou s seis da manh, Eve o apagou de um tapa, lutando com a tentao de voltar-se para dormir para ver se recuperava o agradvel 
sonho de que estava desfrutando, bastante subidito de tom para falar a verdade. Sentiu o mido focinho de um de seus animais lhe lambendo a orelha, e logo ouviu 
o arranhar de suas patas sobre o piso de madeira de carvalho. Chegou at ela o aroma do caf recm feito na cafeteira automtica, e os sonoros acordes de um ria 
do Wagner cantada a grito descascado.
   Evidentemente, Caruso se tinha levantado em muito boa forma; algum dia lhe espremeria o pescoo a aquele maldito pajarraco, pensou. A contra gosto, levantou-se 
e ficou os culos. O telhado a estava esperando.
   Abriu a porta de entrada para que pudessem sair os animais e jogou uma olhada ao cu. Por sorte, estava quase espaoso.
   -bom dia -saudou-lhe algum. 
   -Matt!            
   Do susto, Eve pegou um salto; imediatamente, tampou-se com uma cortina para que ele no a visse. Normalmente, estava acostumado a dormir s com umas braguitas 
de encaixe. As que levava aquele dia eram de cor azul.
   -Tudo bem, senhorita? -Matt levava sapatilhas de esporte, uns gastos jeans, uma descolorida camiseta e uma boina dos Rangers do Texas; estava convexo no balancim, 
com os ps apoiados no corrimo do alpendre e sustentando na mo um copo de carto. No lhe tirava olho de cima.
   Aferrando-se  cortina, Eve apareceu um pouco.
   -Que demnios faz aqui?
   -vim com meu martelo. Pensei que necessitaria um pouco de ajuda.
   -Obrigado, mas no faz falta. me posso arrumar isso Eve se dio la vuelta y descubri horrorizada que haba olvidado que haba un gran espejo detrs de ella que 
revelaba hasta el ms mnimo detalle de su parte trasera.
   -Se no ser nenhuma molstia: s pessoas de por aqui ns gostamos de ajudar aos vizinhos. Outros chegaro em seguida.
   -Outros?
   -Sim -disse, olhando-a de cima abaixo-. Ser melhor que vs vestir te, no o digo por mim; parece-me que est perfeita, mas... -interrompeu-se e lhe sorriu descaradamente.
   Eve se deu a volta e descobriu horrorizada que tinha esquecido que havia um grande espelho detrs dela que revelava at o mais mnimo detalhe de sua parte traseira.
   -Fecha os olhos! -gritou, e com grande rapidez subiu a seu dormitrio a vestir-se. Pelas gargalhadas do Matt, deduziu que no se perdeu detalhe... e que o estava 
passando em grande. Vermelha de vergonha, considerou a possibilidade de ficar escondida debaixo da cama pelo menos um par de anos.
   O telhado.
   Tinha que arrum-lo aquele dia como fora. E como eram meio parentes e ainda por cima trabalhavam juntos, no tinha a menor possibilidade de evitar que Matt lhe 
ajudasse. Teria que esforar-se por fingir que aquele humilhante episdio no tinha ocorrido
   nunca
   Poucos minutos depois estava j vestida com umas roupas de tarefa e penteada com um singelo acrscimo; ficou os culos e se dirigiu  cozinha. Por um momento 
pensou em se maquiar um pouco e coloc-las lentes de contato, mas em seguida desprezou a idia. depois de tudo, seu aspecto no melhoraria muito e, ao fim e ao cabo, 
ia arrumar o telhado, no a uma festa.
   Rapidamente, deu de comer aos gatos e, depois de tomar um caf e uma rosquinha, saiu ao exterior. Matt estava apoiado tranqilamente no corrimo do alpendre.
   -Tinha arrumado antes algum coberto? -perguntou, como se a cena que acabava de ocorrer entre eles no tivesse acontecido nunca.
   Eve lhe agradeceu no mais profundo de seu corao que se mostrasse to discreto.
   -No, mas me deram umas quantas indicaes na loja de ferragens onde comprei as coisas -respondeu, tirando do bolso do peitilho um folheto-. Tambm me tenho lido 
isto. Voc o tem feito alguma vez?
   -Mais ou menos. Quando estava na universidade, passei um vero trabalhando em uma empresa de reparaes.
   -S um vero?
   -Sim, outros preferi trabalhar de vigilante em uma piscina. No sei por que, figurava-me que seria um trabalho mais descansado e com mais gratificaes...
   -Como ver garotas em biquni a todas as horas, suponho...
   Matt se tornou rir.
   -Como o adivinhaste? Anda, deixa que jogue uma olhada a esse folheto -disse, repassando-o de cima abaixo em um momento-. Muito bem, por onde comeamos?
   -J lhe tem lido isso? -perguntou Eve assombrada.
   -Sim, sou muito rpido... para muitas coisas -aproximou um dedo a seu rosto e riscou uma linha da ponta do nariz ao lbio superior-. Para outras, em troca, posso 
ser muito, muito lento.
   Para lhe ouvir, Eve esteve quase a ponto de derreter-se como uma adolescente.
   -De... de verdade?
   Matt assentiu. Muito, muito devagar.
   -Sim... Ah, por certo! No te tenho dito que eu adoro o encaixe azul.
   -Er... sim... bom -Eve pigarreou confundida-. Eu gostaria que se esquecesse desse pequeno... incidente. foi muito... embaraoso. Bom... ser melhor que ponhamos 
mos  obra
   Mas ele contemplava fascinado sua boca. Parecia incapaz de apartar a vista deles enquanto, com o dedo, desenhava o contorno do lbio superior.
   -Creio que me resultar difcil me esquecer. E no tem por que te envergonhar.  uma mulher muito formosa. S tem que me dizer o que  o que quer que faa.
   -dizer-lhe isso disse. Sem querer lhe saiu uma voz muito grit-. Dizer-lhe isso repetiu, esclarecendo-a garganta.
   -Estraga... Farei tudo o que me pea -sussurrou. Sua voz era doce e suave como a seda.
   Se continuavam com aquele joguinho muito tempo mais, temia que lhe desfizeram os ossos como se fossem de cera. Matt Crow, com aquela covinha no queixo, esses 
olhos to profundos e aquele sorriso devastador, era o homem mais sexy de todo Texas. De todo o mundo... do universo inteiro.
   -Ento, v a por seu martelo e me siga -disse, e ps-se a andar com determinao, evitando assim cometer uma loucura.
   Nesse momento precisamente soou o alegre assobio de uma buzina e duas caminhonetes se aproximaram de sua grade, estacionando atrs do carro do Matt. Os ces e 
Minerva se aproximaram para saudar os recm chegados.
   -Devem ser outros -disse Matt.
   -Quais?
   -O av Pete, meu irmo Jackson e um par de empregados deles. vieram para nos ajudar com o telhado. Kyle tinha um par de operaes esta manh, mas me h dito que, 
se puder, vir mais tarde. Irish nos trar os sanduches.
   -bom dia! -saudou-os Pete descendo de uma das caminhonetes-. Quem diz que vai trazer os sanduches?
   -Irish -respondeu Matt.
   -No faz falta -replicou o ancio-. Tenho gasto chili suficiente para dar de comer a toda a comarca. Anda, Jackson, leva a panela  cozinha. Jimmy, voc e Buddy 
ponham as geladeiras portteis no alpendre.
   Jackson Crow a sorriu, e se tocou a asa de seu chapu como saudao.
   -bom dia, Eve. Espero que voc goste do chili -disse, com os msculos tensos pelo esforo de descarregar uma enorme caarola da traseira da caminhonete-, Onde 
est a cozinha?
   -Vem, levarei-te -disse Matt-. Tome cuidado de no assustar ao Pansy.
   -Quem diabos  Pansy? -perguntou seu irmo.
   -Ridi, pagliaccio!
   -Essa  Pansy? -exclamou assombrado.
   -No. Esse  Caruso
   Eve lhe tendeu a mo ao ancio, que efetivamente parecia muito mais em seu molho com aquele velho peitilho vaqueiro que com o smoking que se ps para as bodas 
do Irish.
   -Pete, me alegro de voltar a verte.
   -O mesmo digo, Eve -disse, lhe apertando a mo carinhosamente-. Estamos muito contentes de te ter no Texas, e de que seus pais tenham decidido vir-se tambm a 
viver aqui -agachou-se para acariciar ao Bowie e Gmez, enquanto Charlotte, Lucy e Minerva olisqueaban as rodas da caminhonete-. V! O que temos aqui? Mas se for 
uma cerda!
   -Chhhhsss -falou Eve-. Minerva no sabe que  uma cerda -deu um par de palmadas para chamar a ateno dos animais-. Venha, meninos, tranqilos. Temos muito trabalho 
por diante.
   Minerva e os ces se foram ao alpendre e ficaram ali muito quietos.
   -Tem-nos muito bem educados -disse Pete-. Isso diz muito em seu favor. Olhe, apresento ao Jimmy e Buddy -disse, fazendo um gesto por volta dos dois homens, que 
j entravam no alpendre-. Trabalham no rancho do Jackson e so muito prestativos. Nos ajudaro a arrumar o telhado... por isso vejo, tem-no de pena, no?
   -Tem mais buracos que um coador -disse Matt reunindo-se com eles.
   -vamos jogar lhe uma olhada -props Pete-. Jackson, aproxima a escada.
   -Av, voc no vais subir te -disse Jackson-, Matt e eu o revisaremos, voc estar a cargo da comida e bebida. Haver trazido um par de recipientes trmicos com 
caf, no?
   -Penso subir e fazer minha parte de trabalho. Tenho o quadril como nova, j sabe.
   Matt e Jackson lhe olharam com o cenho franzido.
   -Est bem, est bem... Farei o que dizia -claudicou a contra gosto-. irei procurar os recipientes trmicos.
   - um encanto! -exclamou Eve.
   -Sim, e mais teimoso que uma mula tambm. Venha, vamos subir.
   
   -Este telhado est fatal -comentou Jackson.
   -Sim, a verdade -conveio Matt-. Jackson, te vais partir a crisma por te haver subido com as malditas botas de montar.
   -O que vai! -replicou seu irmo-. So especiais para andar pelos telhados. Alm disso, estou to gil como uma cabra Montes. Oua, Eve, acaso no revisou o telhado 
antes de comprar a granja?
   -No, comprei-a tal e como estava. J sabia que necessitaria algumas reparaes; por isso me deixaram isso a preo de ganga.
   -Tem um monto de emplastros -observou Jackson.
   -Senhora, creio que necessitar um telhado novo. Este est de pena -acrescentou Buddy.
   -J sei, mas no me posso permitir isso defendeu-se.
   -Oua, eu lhe posso pagar isso -ofereceu-se Jackson.
   -E um porrete! -interveio Matt-. Se algum tiver que pagar-lhe serei eu.
   Buddy sorriu para ouvi-los.
   -Eu me pagarei meu prprio telhado quando puder -declarou Eve, um pouco molesta.
   -No sei por que te pe assim, carinho -disse Jackson-. depois de tudo, somos da famlia, e, alm disso, sobra-nos o dinheiro. Alm disso, ontem  noite ganhei 
jogando pquer mais do que necessita.
   -Obrigado, mas no -replicou com firmeza-. De momento, remendaremo-lo o melhor que possamos. A parte que est pior  a da cozinha.
   -Est por aqui? -disse Matt aproximando-se de uma zona onde havia vrias capas de emplastros-. V...! -exclamou ao ver que lhe afundava a perna at o joelho entre 
dois remendos.
   Jackson se ps-se a rir ao ver seu apuro.
   -Quer que te empreste as botas, irmozinho?
   -te cale, Jackson! E me ajude a sair deste maldito buraco!
   Eve se aproximou correndo a lhe dar uma mo, quo mesmo Buddy e Jimmy, enquanto Jackson seguia retorcendo-se de risada.
   -Tem-te feito mal? -perguntou Eve.
   -No creio que me tenha quebrado nada -disse Matt movendo a perna-, s os jeans.
   -Matt, est sangrando! Tem-te feito um corte! -exclamou consternada.
   -pode-se saber que diabos esto fazendo a acima? -gritou o av do interior da casa-. Por pouco cai uma parte do telhado em cima de meu chili.
   -Perdoa, av! -gritou Jackson-, mas  que o desajeitado do Matt se cansado.
   -Filho, tem-te feito mal?
   -No, av, no se preocupe.
   -Sim, claro que te tem feito mal -sussurrou Eve-. Tero que te pr pontos.
   - s um arranho.
   -No, no o  -replicou Eve, irritada por sua fanfarronice e pelas brincadeiras de seu irmo-. Oua, Jackson, eu no lhe vejo a graa por nenhuma parte, me ajude 
a baixar ao Matt. Agora mesmo lhe levarei a ambulatrio.
   -Sim, senhora -assentiu Jackson recuperando a seriedade-. De verdade te tem feito mal, Matt?
   -Sangra muito -observou Jimmy.
   Em um momento Eve organizou o resgate, e em seguida tiveram ao Matt sentado no carro com uma toalha ao redor da perna, seguindo as indicaes do Kyle, a quem 
tinham chamado por telefone ao hospital.
   -De verdade no querem que v com vs? -perguntou preocupado Cherokee Pete.
   -Tambm posso ir eu -ofereceu-se Jackson imediatamente.
   -No lhes preocupem -tranqilizou-lhes Matt-. Prefiro que fiquem aqui arrumando o telhado da casa. O buraco que acabo de fazer necessitar um emplastro bem grande 
-disse sorrindo.
   -O poremos -prometeu-lhe Jackson.
   
   O doutor Kyle Rutledge, famoso cirurgio plstico, examinou a ferida atentamente.
   -No creio que seja muito grave. Porei-te dois pontinhos e s ficar uma cicatriz minscula. Quando lhe voltarem a crescer os cabelos nem se notar.
   -Que cabelos? OH, no, Kyle! No me diga que me vais barbear a perna! por que no se esquece dos pontos e me pe uma simples atadura?
   -Quem  aqui o mdico, primo? Voc ou eu? -perguntou Kyle enquanto lhe limpava a ferida.
   -Auuu! Maldita seja, isso me doeu! Pelo menos me d um pau ou algo para que o remoa -queixou-se Matt.
   Kyle se ps-se a rir e preparou uma seringa de injeo.
   -No seria melhor um pouco de novocana?
   -Sim, muitssimo melhor -grunhiu Matt apartando a vista. Embora no o reconheceria por nada do mundo, odiava as agulhas desde que era pequeno.
   -Faz quanto tempo que lhe puseram a vacina do ttanos?
   -No muito -respondeu Matt evasivamente.
   -Quanto?
   -No me lembro -reconheceu.
   -Justo o que imaginava -Kyle se voltou para a enfermeira-. Senhora Malone, por favor, quando tiver terminado, lhe ponha a minha primo a vacina. Use uma agulha 
bem grande.
   -Maldita seja, Kyle!
   O doutor ps-se a rir com vontades.
   
   Incapaz de concentrar-se na revista que estava olhando, Eve ficou a passear de um extremo a outro da sala de espera. Levavam no hospital bastante momento. Primeiro, 
fizeram ao Matt vrias radiografias; depois, umas anlise de sangue, e, por ltimo, tiveram que esperar a que Kyle terminasse a operao que estava realizando j 
que Matt queria que fora sua primo e no outro mdico quem o atendesse.
   Por fim, Kyle saiu da consulta. Sorriu ao Eve antes de lhe dar um carinhoso beijo na bochecha.
   -Como est minha cunhada favorita?
   -Muito nervosa. Como est Matt? quebrado-se algo?
   -Est bem, no se preocupe. S tive que lhe pr uns quantos pontos. A enfermeira lhe est pondo a vacina do ttanos. S necessita um pouco de repouso durante 
um par de dias e tomar-se estes remdios -indicou-lhe, escrevendo as receitas- : algum  um antibitico e a outra um analgsico. Pode te passar pela farmcia antes 
de voltar para casa, se quiser. Parece-me que Irish est ali j; eu irei dentro de um momento. No deixe que Matt volte a subir ao telhado.
   -Claro que no, Kyle. Foi culpa minha que se fizesse mal...
   -Estava pensando mas bem na integridade de seu telhado que na do Matt -brincou Kyle-. Tivesse dado dinheiro por lhe ver a cara. Seguro que Jackson o passou em 
grande.
   -Pois sim. Em troca, eu no pude lhe ver a graa por nenhuma parte.
   -Sei, carinho -disse, lhe beijando na frente-. Venha, vemo-nos logo.
   Ao cabo de uns instantes, Matt saiu da consulta sentado em uma cadeira de rodas que empurrava uma preciosa enfermeira. Tinham-lhe talhado os jeans at a altura 
do joelho e levava a sapatilha sobre o regao.
   depois de lhe acomodar no assento dianteiro, empreenderam o caminho  farmcia.
   -Importaria-te que acontecssemos minha casa antes de ir  granja? -pediu-lhe Matt-. Necessito outro par de calas e uns meias trs-quartos limpos. No demoraremos 
nem um minuto.
   -Claro que no me importa, o que passa  que me sinto um pouco culpado, pensando que todos outros esto trabalhando como loucos em meu telhado.
   -No se preocupe por isso -tranqilizou-a Matt-. Chamei o av da consulta e me disse que as coisas foram de maravilha, que no fazia falta que nos dssemos pressa. 
Irish lhes levou um monto de sanduches e um bolo de coco, assim tm feito uma espcie de picnic. Falando de comida... a verdade  que estou morto de fome. Que 
tal se nos paramos para tomar um hambrguer e umas batatas fritas?
   depois de comprar a medicina e a comida, Matt lhe indicou o caminho a seu apartamento, no Turtle Creek, um bairro residencial do norte da cidade. Eve estava um 
pouco preocupada com sua perna, mas, por sorte, Matt lhe disse que estacionasse na garagem e puderam subir diretamente a sua casa em elevador.
   Aquele apartamento era espetacular; as vistas eram incrveis, impressionantes os mveis... Cada detalhe revelava a riqueza e o bom gosto de seu proprietrio. 
Em comparao, sua granja era um barraco. Ao v-lo, voltou a fazer-se o evidente quo diferentes eram suas respectivas formas de vida.
   Matt deixou as bolsas da hamburguesera em cima de uma mesa de desenho.
   -Sinta-se como em sua casa -convidou-lhe-. Voltarei em seguida.
   Quando Eve viu sua imagem refletida em um espelho se sentiu horrorizada. Os culos que levava eram to feias como Irish lhe tinha advertido; tinha a cara plida 
e o cabelo revolto. O pulver e as calas no podiam ter um aspecto mais lamentvel. Pela primeira vez em sua vida, deu-se conta de que era um desastre... Para falar 
a verdade, nunca tinha emprestado ateno a sua aparncia porque nunca lhe tinha importado.
   ficou olhando o dedo gordo do p que aparecia pelo buraco de uma de suas sapatilhas. Desesperada-se, dirigiu-se ao quarto do banho, decidida ao menos a pentear-se 
um pouco melhor.
   Entretanto, apesar de seus esforos no conseguiu grande coisa, tinha-o cheio de ns e redemoinhos, assim acabou por voltar-lhe a recolher em um acrscimo. Depois 
revolveu infrutivamente na bolsa em busca de uma barra de lbios. Curiosamente, acabou encontrando uma em um dos armrios. Era de uma cor parda pouco atrativa, mas 
ainda assim os pintou, perguntando-se de quem seria aquele objeto. O resultado no a satisfez absolutamente.
   Desanimada, limpou-se o excesso de maquiagem com um leno de papel. Tinha um aspecto ainda pior que antes de ir ao banho a arrumar-se. limitou-se a lav-las mos 
e guard-las culos na bolsa, dizendo-se para seu si mesmo que, fizesse o que fizesse, sempre seria um desastre.
   Quando voltou para salo, Matt estava sentado, examinando o contedo das bolsas de comida. Havia um hambrguer dobro para ele e uma salada para ela.
   -O que te passou? -perguntou olhando a de marco em marco-. Seus lbios tm uma cor muito estranha.
   -No pergunte -respondeu antes de pegar um bom golpe com a mesinha de caf-. OH, no! -exclamou, com os olhos cheios de lgrimas. 
   -Mas, carinho, o que te passou? 
   -Que nem sequer vi a maldita mesa! 
   -E o que tem feito com os culos? 
   -Tenho-as na bolsa -confessou. 
   -Pois lhe ponha isso -Una operacin?
   - que so to feias... -queixou-se enquanto as buscava.
   -O que vai! -riu Matt ajudando-a a ficar as Teria que ter visto as minhas, essas sim que eram espantosas!
   -Leva culos?
   -J no, mas tinha umas de culo de copo. Outros meninos tiravam o sarro cruelmente, mas no me podia tirar isso porque sem elas via menos que um morcego. Faz 
uns anos me fizeram uma operao com laser, assim agora minha vista  quase perfeita.
   -Uma operao?
   -Sim. Me podiam ter feito isso muito antes, mas minha me tinha um amigo que quase ficou cego por culpa de uma operao parecida, assim no queria nem ouvir falar 
do tema. Quando me fiz maior, informei-me bem, e como as tcnicas tinham melhorado muito, animei-me. Agora me alegro muito, porque por fim pude me tirar o carn 
de piloto.
   -De verdade que seus companheiros riam de ti?
   -Sem piedade. E foi muito pior no instituto...
   -Sim? -exclamou Eve com os olhos como pratos.
   -Sim.  que tambm se metiam com seus culos?
   -OH, isso era o de menos! Todo mundo me chamava a Torre Eiffel ou girafa, e ningum acreditava que fora a irm do Irish, to feia e desleixada me viam.
   -Voc feia? -agora era Matt o que no podia dar crdito ao que estava ouvindo-. No me posso acreditar isso, mas se for to bonita como Irish!
   -Eu? Ja! No faz falta que me adule... agora tampouco ningum acredita que sejamos irms...
   -No te estou adulando, e j te tenho dito que minha vista, graas  operao,  quase perfeita. De verdade no te d conta de quo bonita ? -perguntou, arqueando 
uma sobrancelha.
   No fundo, Eve queria sentir-se adulada por aquele completo, mas tambm sabia a classe de homem que era Matt, j tinha visto o amavelmente que se comportou com 
o doutor Milstead, assim no disse nada mais, aparentando estar muito concentrada na comida.
   Matt as engenhou para encontrar mil e uma desculpas que fossem atrasando sua volta  granja. Quando por fim enfiaram o caminho de entrada, j tinha cansado a 
tarde e havia pelo menos outra meia dzia de reboques e caminhonetes estacionados diante da grade.
   -Santo cielo! -exclam Eve al verlos-. Qu significa esto?
   
   Captulo Sete
   
   Cheroke Pete colocou os polegares nos bolsos de seu macaco e se balanou sobre as tbuas.
   -O que te parece seu novo telhado, Eve ?
   -Fiquei-me... sem palavras.
   -E eu, e eu. Um dos amigos do Matt e Jackson est metido no negcio da construo e mandou a uma de suas melhores equipes. Disse que tinha material restante de 
um telhado no armazm Y... e aqui o tem. Deixa que te diga que os telhados azuis vo ficar de moda e que no h som mais doce que o de um telhado de lata sob a chuva, 
embora eu no sei se isso  metal exatamente. A ti o que te parece?
   - muito bonito, mas parece muito caro.
   -No, isso  o melhor de tudo. Pelo visto esse moo lhe devia um favor aos meninos e no lhes h flanco um penique. A propsito, Jimmy e Buddy se levaram o material 
que comprou e o trocaram por uma coisa que no sei como se chama para arrumar o teto da cozinha.
   Irish apareceu pela porta principal e os saudou com a mo.
   -Ol, devei vejam a cozinha. A cor o escolhi eu, espero que voc goste. Hoje no houve tempo para pintar os armrios, mas comprei pintura para quando se puder 
pint-los. Kyle e Jackson esto terminando -deu um abrao ao Eve ao entrar na casa-. Ol, Matt, que tal a perna?
   -No muito mal.
   Eve voltou a ficar muda. O teto da cozinha estava completamente recoberto de gesso e pintado de branco e as paredes estavam pintadas de cor nata.
   -Voc gosta? -perguntou Irish.
   -eu adoro. Mas j tem feito muito. Como vou poder te pagar?
   -Matt -disse Jackson, pregando uma escada-, faz algo com esta ianque. No deixa de preocupar-se s porque nos levamos como bons vizinhos. Manchar uma parede no 
 grande coisa, parece-me .
   -Manchar, exatamente -disse Kyle, enquanto se lavava as mos-. Me alegro de ter chegado a tempo de poder fazer os trabalhos de detalhe.
   -te remoa a lngua, mdico ruim -disse Jackson-. A pintura me d muito melhor que a ti.
   -Nem o sonhe.
   -A calar os dois -ordenou Irish, rendo-. Vamos, Kyle, temos que estar na festa dos Marshall dentro de duas horas -disse, e se despediu do Eve com um beijo na 
bochecha-. Amanh te chamo.
   Ao cabo de um minuto, quase todos se foram, exceto Jackson e Pete. Jackson estava no alpendre, tomando uma ltima cerveja e falando com o Matt. Gmez seguia ao 
Pete ali aonde este ia e o velho insistia em ajudar ao Eve a lhe dar de comer aos animais.
   -O que faz com tudo este leite? -perguntou Pete, que levava uma cubeta do celeiro.
   -Utilizo a que posso, mas me temo que tenho enche a geladeira e meus vizinhos tm suas prprias vacas.
   -pensaste em fazer manteiga? Arrumado a que poderia vender toda a que fizesse em meu comrcio. Embora, a verdade  que eu adoro a manteiga caseira.
   -Parece-me muito boa idia, mas no sei faz-la.
   - fcil. Sabe o que? Tenho uma batedeira e uma imprensa no armazm. Farei que um dos meninos lhe traga isso amanh e direi a Alma Jane que escriba a receita 
e lhe mande isso.
   -Estupendo. Quem  Alma Jane?
   -Uma senhora que trabalha no armazm. Faz quase toda a comida, menos o Chile, que o fao eu.
   -De verdade? Est muito... muito picante. Obrigado por traz-lo e pela ajuda que me emprestaste. Apesar do que diga Jackson, eu gostaria de lhes devolver o favor 
de algum jeito.
   -No h nada que agradecer, mas tem que me fazer um pequeno favor.
   -me diga.
   -Ele te dir que no, mas a ferida do Matt seguro que lhe di cada vez mais. Creio que no deveria conduzir at sua casa e ficar sozinho. Creio que lhe viria 
bem um pouco de ajuda durante um dia ou dois, a ajuda de algum que lhe obrigue a vigiar a perna e lhe d bem de comer.
   -Tem toda a razo, Pete. Insistirei em que fique e procurarei que vrgula bem e se tome seu remdio. depois de tudo, tudo foi por culpa de meu telhado.
   -Boa garota. Ao Matt faz falta uma mulher como voc a seu lado -disse Pete, e seguiu assobiando o resto do trajeto at a casa.
   Pete e Jackson se despediram. Gmez, que os tinha seguido, ficou junto  porta do passageiro meneando a cauda.
   -Creio que Gmez quer ir-se contigo -disse Eve ao Pete-. Creio que tem feito um bom amigo.
   -No me importaria levar-me o de visita, absolutamente. Importaria-te?
   -De maneira nenhuma, mas te advirto que  um esprito livre.
   -Como eu -disse Pete, e abriu a porta-. Vem comigo, moo?
   Gmez saltou  caminhonete sem mais demora e se colocou em metade do assento. Quando se afastavam, Eve poderia jurar que estava sorrindo.
   Quando caiu a noite, Matt estava sentado na cozinha, com a perna ferida apoiada em uma cadeira, acariciando ao Pansy e observando como Eve bulia de um lado a 
outro, preparando espaguetes e salada. O aroma do po que se estava fazendo no forno fazia rugir a seu estmago. A viso do Eve agachando-se para ver como ia fazia 
grunhir a outra parte de sua anatomia.
   meu deus, que bonita era. Sexy, inteligente, de esprito livre, e com um corao maior que o estado do Texas. Inclusive sem uma gota de maquiagem e despenteada 
era a mulher mais bela que tinha conhecido.
   -Preparado? -perguntou-lhe.
   -Quando voc queira.
   -Pois vamos jantar.
   Eve serve o jantar e comeram na mesa da cozinha, que ainda cheirava a pintura. Era uma grande cozinheira e Matt repetiu.
   -Quer mais?
   Matt se deu uns tapinhas no ventre.
   -Estou cheio, obrigado.
   -No quer gelado com nata de chocolate?
   -dentro de uma hora ou dois.
   Eve tirou uma pildora de um dos frascos.
   -Seus antibiticos. Quer um calmante?
   Matt disse que no, embora a perna comeava a lhe doer.
   Eve se levantou para tirar a mesa e ele fez o mesmo.
   -Sente-se, Matt Crow. Deve tomar cuidado com a perna.
   -Olhe, nenm, no  grande coisa. Digo-lhe isso a srio, jogando rugby me eis feito feridas piores e no me sentei no banquinho por isso.
   Eve negou com a cabea.
   -Prometi a seu av que me ocuparia de ti e  o que vou fazer. Sente-se.
   Charlie miou, como se queria secundar a ordem.
   -Sim, senhora. Sim, senhor -disse Matt, e voltou a sentar-se.
   Graas ao av, tinha ao Eve durante dois dias e duas noites para ele sozinho. E, se o fazia bem, poderia estender esse perodo um pouco mais. Isso se Kyle no 
danificava as coisas lhe dizendo que a ferida no era mais que um arranho.
   
   sentaram-se no alpendre durante comprido tempo, conversando e olhando as estrelas. Mais tarde, Eve serve gelado e seguiram falando um pouco mais. Charlotte apoiava 
a cabea sobre a coxa do Matt, que a acariciava por detrs das orelhas. Todos os animais do Eve pareciam encantados com ele. Oxal sua proprietria seguisse seus 
passos.
   -Estar bem para as viagens de na prxima semana?
   -O que viaje?
   -Os que temos que fazer para que eu veja operar o Crow Airlines.
   -Ahh, essas viagens -disse. esqueceu-se de seus planos para estar perto dela-. Mas seguro que no tenho nenhum problema. Kyle disse que bastaria com dois dias 
de descanso.
   -Falando de descanso, creio que  hora de que esteja na cama.
   Aquelas palavras conjuraram toda classe de imagens.
   -E voc?
   Inclusive a ele sua voz pareceu muito grave.
   -Eu tambm.
   Entraram, e os animais os seguiram, dispersando-se para seus stios favoritos para passar a noite. Eve fechou a porta de entrada e logo o acompanhou  habitao 
de convidados.
   -boa noite -disse-lhe, levantando o queixo ligeiramente.
   Ele interpretou aquela leve ao como uma permisso para beij-la. E a beijou. Sua boca foi ao encontro da dela com uma fome mil vezes mais aguda que a pior das 
fomes de comida.
   Ao notar que ela suspirava contra seus lbios, o corao lhe pulsou com uma fora desconhecida e sua lngua procurou ainda mais. 
   -Vem a cama comigo -sussurrou.
   -No posso. Sua perna.
   -Ao inferno com ela. Deus, Eve, desejo-te.
   Ela negou com a cabea.
   -No estou preparada, e pode que no o esteja nunca. Olhe, no sou o tipo de mulher a que goste de uma relao passageira.
   -Passageira! Isto no  passageiro.
   Bowie grunhiu, Lucy assobiou, Charlie bufou, Charlotte ficou imvel. "To-ru-dor !", cantou Caruso, enquanto Minerva e Pansy desapareciam.
   -Perdo -disse ele, baixando o volume da voz at que s foi um sussurro-. Carinho, o que sinto por ti no  passageiro. J te pedi que te case comigo, pois agora 
lhe peo isso outra vez. te case comigo. Esta noite, amanh, quando voc queira.
   -OH, Matt, sei um pouco mais srio. Apenas nos conhecemos. E o que vai querer de mim algum como voc.  muito bonito e sofisticado para mim.
   -Eve, no tenho nem idia do que est falando. No sou nem bonito nem sofisticado e voc  perfeita para mim. Em todo caso, muito encantada, teria que ir com 
um ltego para manter a raia a seus admiradores. Tenho-te dito que sou muito ciumento? Eve se ps-se a rir.
   -Ah, Matt Crow, lhe do bem as palavras. Se chegar a pensar que falava a srio...
   -Carinho, s estou tratando de te dizer que falo a srio, muito a srio. A primeira vez que te vi soube que foi um anjo enviado do cu s para mim, embora os 
sentimentos que acordadas em mim no so nada pios.
   Eve se esforava por combater a comoo que aquelas palavras despertavam nela. Queria as acreditar, e queria ser algo que no era, sexy, mundana, cheia de charme. 
Por outro lado, como sua pouca experincia com os homens demonstrava, era muito torpe na cama. Com o olhar fixo no cho, reuniu o valor necessrio para dizer o que 
tinha que dizer.
   -Olhe, Matt, agradeo suas intenes. De verdade. Faz que me sinta... especial, mas no creio que entre ns exista a menor possibilidade de uma relao a longo 
prazo. Apesar do que diga, creio que no temos nada que ver o um com o outro. Alm disso, est o problema do trabalho. Ter relaes com os clientes no  nada conveniente.
   -Carinho...
   -E tambm est a famlia. Isso  ainda pior. Poderia nos causar toda classe de problemas, creio que  melhor que sigamos sendo s amigos -disse Eve, e lhe ofereceu 
a mo-. Trato feito?
   Matt tomou sua mo e a levou aos lbios.
   -Suponho que, de momento, terei que tomar o que posso tomar, mas no te prometo nada -disse, beijou-a na mo, lenta e docemente, e se dirigiu para uma larga noite 
de insnia.
   
    manh seguinte, ao Eve despertaram Caruso e Winston Churchill. Lhe deu vontade de estrangul-los, e nem tanto por ela, que j estava acostumada como por seu 
convidado. aproximou-se nas pontas dos ps a sua habitao, mas no ouviu nada. Matt seguia dormindo. Ela, j limpa se dirigiu  cozinha.
   A verdade era que o novo teto e a pintura faziam que a cozinha parecesse mais luminosa, o problema era que os armrios e o cho de linleo pareciam muito velhos. 
serve-se uma taa de caf e ficou olhando os armrios.
   Hum, se pintava os armrios aquela mesma manh, estariam secos para a tarde, quando os ces voltassem. Hum.
   Voltou a aproximar-se nas pontas dos ps  habitao do Matt.
   Mas no parecia haver-se movido.
   Voltou para a cozinha e comeou a limpar os armrios, serve-se outra taa de caf e estendeu uns peridicos sobre o cho.
   Quando Matt entrou, encontrou-a vestida com um macaco cheio de manchas de pintura. Estava a ponto de terminar.
   -O que faz? -perguntou-. E que horas so?
   Eve se feito a rir.
   -So quase as onze e estou pintando os armrios. Tem pinta de gostar de muito um caf.
   -H algo feito?
   -Acabo de pr uma cafeteira. Sente-se e te sirvo uma taa.
   -Carinho, no sou um invlido. Posso me servir eu sozinho... -disse ele-. Sim, senhora.
   Ela insistiu em que pusesse a perna sobre uma cadeira e lhe serve o caf.
   -Assim eu gosto. Deixa que termine a ltima porta e te preparo o caf da manh. O que te parece umas torradas e um pouco de xarope de morango com uns ovos?
   -Parece-me estupendo. Embora poderia mal-acostumar-me.
   Eve se ps-se a rir. Matt se revolveu em seu assento, adorava o som daquela risada.
   -Pois no o faa, quando se curar essa ferida, isto se acabou.
   Matt se sentiu culpado por jogar com sua compaixo.
   Bom, s um pouco culpado.
   Ao Eve custou comer, no deixava de distrair-se observando como o fazia Matt, que no se incomodou em ficar algo para tomar o caf da manh e estava mdio nu. 
Tratou de manter a ateno na torrada, mas resultava impossvel. Que sardas to graciosas tinha, que encantado o furinho do queixo. E no se barbeou. Que sensao 
lhe daria aquele rosto sem barbear contra a tenra pele de seus seios.
   ficou olhando uma gota de xarope que estava a ponto de derramar-se pela boca do Matt. Lhe deu vontade de lamb-lo, e ao dar-se conta daquele pensamento, levantou 
a vista para olh-lo diretamente aos olhos. O tambm a olhava.
   Lenta e deliberadamente, Matt se limpou com a ponta da lngua e repetiu a mesma ao uma e outra vez. Eve recordou o sabor daquela lngua em seus lbios.
   Lhe arrepiaram os mamilos, esticou os msculos do estmago e comeou a advertir um estranho pulso no ventre. Deixou cair o garfo e se levantou como uma mola.
   -Perdoa. Acabo de recordar que tenho que ir ao celeiro. Agora volto -disse, e saiu da casa como se os guardies do inferno lhe pisassem nos tales.
   Nunca at ento tinha reagido ante um homem de uma maneira to visceral, to capaz de consumi-la. Mas a intensidade daquelas sensaes no deixou de lhe causar 
certo temor.
   Aquello no iba a funcionar, se dijo. No iba a funcionar de ninguna de las maneras. Cmo iba a ser capaz de pasar el resto del da y una noche ms sola con aquel 
hombre sin acabar en su cama?
   
   Captulo Oito
   
   -J parece a manteiga? -perguntou Matt, deixando de bater.
   -E  voc o que me pergunta isso ?Quo nico sei sobre como fazer manteiga est escrito nesse papel -disse Eve, baixando a broxa e descendendo pela escada para 
voltar a ler as instrues.
   Um dos ajudantes do Jackson tinha chegado por volta da una do domingo com uma larga e antiquada batedeira de madeira de quatro sinais de multiplicao e um artefato 
tambm de madeira para imprensar a manteiga e uma folha de papel escrita a emano com uma letra endiabrada em que estava a receita.
   A terrina de leite com nata, que Eva tinha deixado fora do frigorfico a noite anterior, como lhe havia dito Pete, converteu-se em uma massa pringosa e densa. 
Tinha derrubado essa massa sobre a enorme terrina de madeira da batedeira e Matt se ofereceu voluntrio para bat-la enquanto Eve pintava os armrios da cozinha.
   A batedeira tinha uma larga manivela que parecia a manga de uma vassoura ao que lhe tinham acrescentado quatro sinais de multiplicao de madeira. Esta manga 
se apoiava em um grande cubo com tampa de madeira e a idia era bater o leite coalhada acima e abaixo, o que fazia que os sinais de multiplicao girassem sobre 
uma rosca, at que a manteiga adquirisse a consistncia adequada. Mas como, segundo Alma Jane, acontecia "quando v que aparece pelo buraco da rosca em forma de 
bolas". 
   -V alguma bola? -perguntou Eve. 
   Matt ficou olhando.
   -No? Ento levanta a manga lentamente.
   Matt o fez e Eve se agachou para ver.
   -V algo?
   -No, ainda no parece. Segue batendo.
   Matt grunhiu.
   -E se for compr-la ao supermercado?
   -OH, Matt, no  o mesmo.  para seu av, e disse que a manteiga feita em casa  o dobro de boa que a comprada.
   Quinze minutos mais tarde, Matt voltou a interromper ao Eve.
   -V, parece que esta coisa comea a trocar.
   Eve tampou o bote de pintura e foi lavar se as mos.
   -Hora de comprovar como vai -disse, e se ajoelhou junto ao balde-. Levanta a manga pouco a pouco.
   Ao ver que uma massa amarela que transbordava pelo buraco da rosca, Eve exclamou com alvoroo:
   -Manteiga! Manteiga! -e olhou ao Matt-. Creio que  manteiga.
   Matt se agachou e recolheu um pouco da massa amarela com o dedo, provando-a.
   -Que me crucifiquem se no o .
   Com um pouco de trabalho e grandes risadas, foram tirando as enormes bolas de manteiga do leite restante e foram pondo na imprensa, que as moldava em tacos com 
uma bonita flor na cara de acima. Ao terminar, pesaram-na. Tinham obtido quase dois quilogramas e meio de saborosa manteiga caseira.
   -Estas para o Pete -disse Eve, apartando os trs tacos completos de quilograma e mdio-. E com o resto podemos fazer bolachas.
   -Sabe fazer bolachas?
   -Claro, mas no com uma receita caseira, a no ser com moldes do supermercado -disse Eve piscando os olhos um olho.
   
   Matt pegou a ltima manteiga restante e a meteu na boca com uma colherada de gelia.
   -O av tem razo. A manteiga caseira  muito melhor que a comprada.
   Eve sorriu.
   -Fez um grande trabalho.
   Matt flexionou o brao, imitando a pose de um culturista.
   -Para isso sou o campeo da batedeira.
   Eve riu.
   -Que no te suba  cabea. Tenho que levar a manteiga ao Pete e recolher ao Gmez. Gosta de dar uma volta?
   -Claro. No conhece sua casa, verdade?
   -No, mas ouvi o Irish falar dela. Uma casa de madeira de dois pisos, com o piso de abaixo cheio de trastes e seu quartel geral acima. E mencionou umas... estranhas 
choas tursticas nas que esteve.
   -Sim, muito estranho, se  que uma choa grafite de cores  algo estranho. Bom, venha, levo-te.
   -Nada disso, ainda no te curaste de tudo.
   -Ah,  verdade -disse ele, apoiando o brao nos ombros do Eve, e ambos saram da cozinha.
   Eve lhe piscou os olhos um olho.
   -Acreditava que era a outra perna -disse.
   Matt trocou o peso de seu corpo e comeou a coxear com a outra perna.
   -Dizia?
   Eve o olhou aos olhos, que refletiam a mais absoluta inocncia. Inocncia? Ah! Mas, Deus santo, que formosos olhos. Sensuais, profundos, carinhosos. Olhos que 
lhe faziam desejar... "Basta!", disse-se e apartou o olhar antes de que seus pensamentos alcanassem a classificao X.
   Quando o polegar da mo esquerda do Matt lhe roou o mamilo, voltou a fixar-se em seus olhos. A inocncia no tinha abandonado seu olhar.
   -J vale -disse.
   -J vale o que, carinho?
   -Sabe perfeitamente. E prefiro que no me chame "carinho".
   O polegar voltou a lhe roar o mamilo.
   -No te atreva a me dizer que foi por acaso, Matt Crow.
   -Nem me tinha passado pela cabea -disse ele, e deslizou o polegar em forma de crculo, tomando o peito do Eve com a palma de sua mo-. Quer dizer, no deixa 
de passar-se me pela cabea, no deixo de sonhar com isso -disse, girando-a para que o olhasse aos olhos- e voltando a te beijar. Aqui -acrescentou, e a beijou no 
pescoo.
   Eve esteve a ponto de converter-se em manteiga.
   -Voc gosta, carinho? -perguntou ele.
   -eu adoro.
   -Paro-me?
   -Ainda no.
   Matt deslizou a lngua sobre a suave pele do Eve e seguiu lhe acariciando o peito.
   -dentro de pouco ter que parar, mas ainda no.
   beijaram-se na boca. Respiravam pesadamente, ofegando. Os ces comearam a ladrar, Minerva gritava, Caruso cantava "Sempre, sempre, libera..." com voz de soprano. 
ouviu-se a porta de um carro que se fechava.
   Eve se sobressaltou, apartando-se do Matt. Ele protestou e tratou de sujeit-la entre seus braos.
   -Matt, vem algum.
   -lhe diga que se v.
   -H algum em casa? -disse uma familiar voz masculina. E bateram na porta.
   -Eve! -somou-se uma voz feminina-. Holaaa!
   Eve se livrou das impaciente mos do Matt.
   -J basta -sussurrou-. Passem! -disse.
   tratava-se do Irish e Kyle.
   -Maldita seja -resmungou Matt, apartando-se.
   Eve tratou de refazer sua compostura, esboou um sorriso e se dirigiu a saudar sua irm e a seu cunhado. Matt a seguiu sem deixar de grunhir.
   -Ol aos dois. O que fazem aqui?
   -Pois amos a um antiqurio quando comeou a jarrear como no vi em minha vida -disse Irish-, assim decidimos parar at que descampe -disse, sacudindo o guarda-chuva 
vermelho e branco que levava, deixando-o apoiado em uma cadeira do alpendre.
   -OH, est chovendo? -perguntou Eve aparecendo pela porta.
   -Muito. No me diga que no te tinha dado conta.
   -V, amos a casa do Pete a lhe levar manteiga.
   -Manteiga? -perguntou Kyle.
   -Temo-la feito Matt e eu.
   -Matt?
   -Carinho, parece um louro de repetio -disse Irish, lhe dando uma cotovelada a seu marido-. Eve, estiveste pintando?
   -Sim. Quase terminei os armrios da cozinha. No cheira a pintura?
   -Ah, tem uma mancha na cara -disse Irish, e sorriu maliciosamente-. E Matt tem outra no mesmo stio.
   Eve ficou tinta como um tomate e se limpou a cara com o punho da camisa.
   -Gosta de um caf? Matt, ao melhor Kyle pode lhe jogar uma olhada a sua perna. Di-lhe muito, Kyle.
   -Di-lhe? Sim, claro, jogarei-lhe uma olhada. E quanto ao do caf, muito obrigado, gosta. Matt, baixa lhe as calas.
   -Maldita seja, Kyle!
   -Meninos! -exclamou Irish rendo, e se levou ao Eve  cozinha-. vamos fazer esse caf, irmzinha, e me ensina o que estiveste fazendo. Voc gosta da cor dos armrios?
   Eve ps o caf e meteu no forno outra bandeja de bolachas, enquanto Irish se fixava nos armrios.
   Eve explicou a sua irm seus planos para pintar pequenos desenhos sobre as portas e as duas discutiram novas idias para as cortinas e o cho.
   Por causa da diferena de idade, Eve e Irish nunca tinham sido amigas. Eve era sempre a quejica irmana pequena, logo Irish partiu a Nova Iorque e logo que voltaram 
a passar muito tempo juntas. J como adultas, puderam falar-se de um modo que no conheciam. Eve adorava aquela nova cercania e se sentia muito afortunada por que 
o destino lhe tivesse proporcionado aquele maravilhoso trabalho no Texas.
   A vida comeava a lhe parecer perfeita.
   
   Kyle jogou uma olhada  perna.
   -Parece-me que est muito bem. Um bonito trabalho, se me permite falar assim de minha prpria obra. Nem rastro de infeco. Eve dizia que te doa muito, por que?
   -Bom... eu no diria tanto -disse Matt, e ante o insistente olhar do Kyle, viu-se obrigado a confessar-. Ver, digamos que eu gosto da marca de esparadrapo que 
utiliza Eve e que necessitava uma desculpa para me fazer um pouco o interessante.
   -E isso por que, sujo canalha? -disse Kyle sorrindo-. Parece-me que vou ver-me obrigado a te perguntar por suas intenes com respeito a minha jovem cunhada.
   -Absolutamente honorveis. Estou louco por ela, Kyle. Estou-o desde dia em que a vi, que foi em suas bodas, por certo.
   -E o que sente ela por ti?
   Matt se encolheu de ombros.
   -Nisso estamos. Bom, nisso estou, porque no toma a srio, assim necessito alguns motivos para passar mais tempo com ela.
   -Como sua pobre e dolorida perna?
   Matt sorriu.
   -Sim, exatamente.
   Kyle franziu o cenho.
   -Inteirei-me de que lhe encarregaste uma nova campanha de publicidade para o Crow Airlines. Parece uma coincidncia muito apropriada.
   -Estraga.
   -E no lhe ter arrumado isso, por acaso, para que Eve consiga esse trabalho?
   -Quem? Eu?
   Kyle negou com a cabea.
   -OH, Meu deus.
   -O que?
   -Ento, tem-no feito, verdade?
   Matt no respondeu, mas sua expresso devia delat-lo.
   -Por muitas razes, acautelo-te. vou dizer te uma coisa, nem ao Irish nem ao Eve h coisa que lhes incomode mais que as enganem. Eu estive a ponto de perder ao 
Irish por uma estupidez parecida. Se quiser meu conselho, mais vale que o diga quanto antes.
   -Crie que deveria lhe dizer que a perna est perfeitamente, n?
   -No estou falando s da perna, Matt.
   -Kyle, me faa um favor, rogo-lhe isso. No lhe mencione esta conversao nem ao Irish nem ao Eve. Considera-a um segredo profissional.
   -Siempre me olvido de que has estudiado abogaca. No dir nada, pero fate de m cuando te digo que si continas con el engao, se va a volver contra ti y, literalmente, 
te va a morder en el trasero.
    
   Capitulo Nueve
   
   Sam Marcus apareceu a cabea pela porta.
   -N, chefa, aqui h um tipo que veio a recolh-la. Quer que lhe leve sua bagagem?
   Eve levantou a cabea do rdio spot que estava lendo.
   -Obrigado, Sam, lhe diga que agora vou.
   Bryan voltava a atrasar-se com uma cpia. Algumas vezes se perguntava se ficaria levantado at tarde, pensando na melhor maneira de lhe complicar a vida. No, 
no o certo era que no o fazia falta que Bryan Belo colaborasse, sabia complicar-lhe muito bem ela sozinha. Devia ter lido pelo menos uma dzia de artigos que falavam 
da imprudncia de complicar-se sentimentalmente com um cliente. Podia considerar o equivalente profissional de cort-las asas, mas, acaso tinha escutado  voz interior 
que lhe dizia "No!"?
    obvio que no.
   Tinha podido resistir a tentao de deitar-se com o Matt, mas o que pouco lhe tinha faltado para cair nela. Tinha tratado de lhe explicar de mil maneiras, embora, 
isso sim, sempre entre beijo e beijo, que uma relao no convinha a nenhum dos dois, mas no tinha querido entend-lo. Felizmente, a manh de segunda-feira tinha 
suposto um alvio. Ele se tinha ido levar lhe a manteiga a seu av e ela se ps a trabalhar.
   Desde que se separassem na porta de sua casa, no havia tornado a v-lo em dois dias. Tinha-a chamado, mas ela se esforou por manter a conversao dentro de 
um terreno estritamente trabalhista. Tinha declinado um convite a comer, outra para jantar, outra para ver um musical e outra para ir ao beisebol.
   Mas, maldita seja, o sentia falta de.
   Com um pequeno empurrozinho, poderia apaixonar-se por um homem como Matt. Disso no tinha a menor duvida. No, de um homem como Matt, no. Do Matt. Era nico, 
nunca tinha conhecido a ningum como ele. E quando pensava em como a abraava e a beijava e lhe sussurrava coisas ao ouvido...
   -Terra chamando o Eve, Terra chamando o Eve.
   Eve, com um sobressalto, levantou a vista. tratava-se do Nancy.
   -Sinto muito, estava sonhando acordada -disse, e comeou a recolher a pastas e a bolsa apressadamente.
   -Carinho, se eu fora de viaje durante cinco dias e quatro noites inteiras com esse bombom, tambm sonharia acordada -disse Nancy com um suspiro-.  muito bonito, 
e alm disso um grande tipo. Sabia que foi votado como um dos melhores partidos de Dallas durante os ltimos cinco anos? Vi suas fotos no Morning News acompanhado 
de estrelas de cinema a algumas ornamentos benficos.
   As palavras do Nancy foram como uma faca no corao para o Eve. Mas as arrumou para ocultar sua dor perguntando:
   -Ornamentos benficos? No te entendo.
   -Pois ver. Matt e sua famlia sempre foram muito generosos em questo de doaes. Creio que  presidente honorrio de alguma associao benfica.
   -Ah, sim? Pois no o eis ouvido mencionar nada -disse Eve, e deu ao Nancy o anncio de rdio-. Isto  genial. lhe diga ao Pat que o ponha em marcha em seguida. 
Candy tem meu itinerrio e tenho dito ao Jimmy, o menino que cuida dos animais, que lhes chame se precisa ficar em contato com vs. Amanh falarei contigo, mas me 
chame se necessitar algo.
   -Tudo est controlado -disse Nancy-. Vamos, acompanho-te  porta.
   Grandes bandos de mariposas revoavam no estmago do Eve. Por um lado, no deixava de sentir uma grande emoo ante a perspectiva de passar os dias seguintes percorrendo 
o estado em avio de pequeno porte... e em companhia do Matt. Por outro lado, no deixava de sentir um enorme e monumental medo.
   levantou-se e estirou a jaqueta de seu traje cinza, avanando pelo corredor.
   -Sorri. Tem a mesma cara que se estivesse indo a seu funeral.
   Eve tratou de sorrir.
   - que possivelmente esteja indo a meu funeral. Voc cruza os dedos, de acordo? Eu no gostaria de nada perder este contrato.
   -Nem pelo mais remoto. O senhor Crow bebe os ventos por ti. Voc aproveita, nenm.
   -por que no te corta a lngua, Nancy?
   Nancy se limitou a rir.
   Um homem loiro e alto, estava de p ante a porta. Saudou o Eve tocando o chapu Stetson branco que levava com uma mo.
   -A senhorita Ellison?
   -Eve Ellison. Sim, sou eu.
   -Sou Billy Dom Durham -disse o homem, com um sorriso panaca-. por aqui, senhora. vou levar ao v.
   Eve ficou plida como a neve.
   -vai levar me aonde?
   -Ao Love. Crow sai do Love Field em vez de faz-lo do Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth. A estas horas demoraremos dez minutos em chegar. Essa  uma 
das coisas pelas que s pessoas gosta de voar com o Crow. alm de que  simptico e divertido e de ter o recorde de segurana, a todos vem bem.
   Eve se recuperou rapidamente... quer dizer, bastante bem, de seu engano ao interpretar mal as palavras do homem. Mas seus pensamentos deviam ser transparentes, 
porque Nancy no deixava de rir.
   -Isso  maravilhoso, Billy Dom. A verdade  que no me lembrava de que havia outro aeroporto to perto daqui. Nancy, toma nota. Na campanha temos que fazer insistncia 
no bem situados que estamos.
   -Tomo nota -disse Nancy, esforando-se por no rir.
   -por aqui, senhora -disse o vaqueiro.
   Matt tinha insistido em recolh-la ele mesmo, mas ela se negou alegando que preferia que o primeiro contato com a companhia no fora em companhia do chefe. Finalmente, 
ela tinha aceito que um chofer fora a procur-la em um carro normal e corrente.
   E em efeito, o carro era um sedan azul com uma amolgadura no pra-lama traseiro.
   depois de um curto trajeto, chegaram ao aeroporto, que apesar de tudo era bastante maior que o aeroporto de muitas capitais, e Billy Dom deteve o carro. Os empregados 
do Crow Airlines eram facilmente reconhecveis. Vestiam nos cubram, camisas brancas de estilo vaqueiro com o emblema da companhia, um corvo negro, bordado no bolso 
e um grande chapu de vaqueiro negro com uma pluma branca. E todos exibiam um amplo sorriso.
   -bom dia, senhora -disse-lhe um empregado ao ir faturar as malas-. Obrigado por voar conosco. Aonde se dirige?
   -A Houston -disse ela, lhe entregando o bilhete.
   -Ocuparei-me de que sua bagagem chegue tambm ali -disse o empregado, levando-a mo ao chapu e devolvendo o bilhete ao Eve-. Ao passar a porta, siga a linha 
amarela. Porta 5. Que tenha um bom dia.
   -Obrigado -disse Eve sorrindo.
   Ao chegar  zona de embarque, pde ouvir msica country, algum cantor famoso que interpretava um dos clssicos do gnero.
   No mostrador da porta de embarque, uma mulher, vestida com uma camisa a raias brancas e azuis e com um chapu vaqueiro azul com a pluma branca, saudou-a com outro 
sorriso.
   -bom dia. Obrigado por voar com o Crow. Em Houston o tempo est estupendo. Seu avio sair dentro de quarenta e cinco minutos exatamente -disse, e deu ao Eve 
um carto vermelho plastificado-. Este  seu carto de embarque. Assim que oua a chamada para os que tm cartes de cor vermelha, passe por aqui. E sinta-se onde 
queira, embora tenha que me prometer que no vai sentar se sobre nenhum bonito vaqueiro -disse a mulher com um sorriso e piscando os olhos um olho.
   Eve sorriu.
   -O prometo, no se preocupe. Mas, no h assentos reservados?
   -No. Limitamo-nos a lev-los ss e salvos a seu lugar do destino. Somos baratos e pontuais e tratamos de ser divertidos. Ah, se gosta de tomar um caf, pode 
faz-lo nas mquinas que h junto aos guichs. A bordo do avio no servimos caf, s suco, gua e refrescos.
   -Parece-me bem -disse Eve. Olhou a seu redor procurando o Matt, mas no o viu, de modo que se sentou perto da porta 5 e comeou a ler o livro que se levava para 
a viagem. Com o p, marcava o ritmo da msica.
   Ao cabo de uns minutos, uma loira conosco cubra, camisa a raias brancas e vermelhas e chapu vermelho com a sabida pluma, reclamou sua ateno com um assobio.
   -Todos os que tenham carto de cor vermelha, podem embarcar. me sigam, vamos a Houston.
   Eve e perto da quarta parte da gente que estava esperando, seguiram  loira. Seguia sem ver o Matt por nenhuma parte. Pensou em esper-lo, mas decidiu que o melhor 
era subir ao avio. depois de tudo, ela queria viver a experincia de qualquer passageiro.
   Outros empregados, tambm com chapu texano, recebiam-nos ao entrar no avio.
   -Sentem-se onde "queiram, mas faam-no quanto antes, por favor -disse uma pequena ruiva com chapu azul-. Outros chegam em seguida e samos dentro de dez minutos. 
Se levarem muita bagagem de mo, vo, por favor,  parte de atrs.
   Os outros passageiros pareciam acostumados s normas da companhia, porque se apressaram a meter-se pelos corredores para procurar um stio com rapidez.
   Eve viu o Matt sentado na terceira fila. No assento do lado tinha um chapu de vaqueiro negro.
   Ao v-la, ele sorriu.
   -Posso lhe oferecer este stio, senhora? -disse, apartando o chapu.
   -Muito amvel. Obrigado, senhor.
   Assim que se sentou, Matt no pde ocultar sua impacincia.
   -Bom, o que te parece?
   -Estupendo. De verdade podemos sair em dez minutos?
   Matt consultou o relgio.
   -So sete e meia. Pode apostar a que Billy Dom pe isto no ar  hora assinalada. Meus meninos sabem o que se fazem.
   -Billy Dom  o...?
   -O comandante Billy Dom Durham  o melhor piloto do Texas. Todos meus empregados esto catalogados entre o melhor do melhor.
   -E tem feito que o piloto fora para me buscar?
   Matt se encolheu de ombros.
   -Est felizmente casado e tem dois filhos, nunca teve um acidente de trfico e lhe pilhava de caminho -disse, com um enorme sorriso-. Alm disso, confio plenamente 
nele.
   Tal como havia predito, o avio foi pontual e na hora de sada todos os passageiros estavam sentados e as aeromoas davam as instrues de segurana pertinentes.
   -Grampeiem-nos cintos de segurana, amigos, que vamos.
   E com um "Yiupiii" separaram.
   Assim que o avio se nivelou o suficiente, a aeromoa ruiva apareceu no corredor mostrando pacotes de frutos secos em ambas as mos e dando-lhe a todo aquele 
que os necessitava, indo procurar mais quando lhe terminaram.
   -Tome, amigo -dizia-. E agora vem Laura para lhe acalmar a sede.
   Ao pouco, apareceu Laura, a aeromoa loira com o chapu vermelho, levando pequenas garrafas de refrescos e gua.
   -E agora vir Rusty com suco de laranja, de ma e gua do melhor manancial do Texas.
   Matt escolheu suco de laranja e Eve preferiu o de ma.
   -por que no servem as bebidas em carrinhos, como o resto das companhias? -perguntou-. E por que no servem lcool?
   -Por dois motivos. Tempo e dinheiro. Ns sozinho voamos em trajetos curtos e nos aeroportos sempre h bares, assim no faz falta mais pessoal, nem gelo, nem copos, 
nem mquinas de caf. E eu suponho que nossos clientes preferem que mantenhamos baixas as tarifas e que empreguemos seu dinheiro em ter nossos avies a ponto com 
a mxima tecnologia e as melhores tripulaes.
   -Estou impressionada.
   -Fala-lhes o comandante Durham -ouviu-se atravs dos alto-falantes-. Dirigimos a Houston sem escalas. A no ser que algum queira baixar-se no Tyler para fazer 
algum recado. Ningum? Muito bem, ento vou limpar minhas esporas e a no ser que o Bom Deus nos o lmpida, aterrissaremos em Hobby Airport dentro de vinte e dois 
minutos exatamente. O tempo de hoje em Houston  quente e ensolarado. "A sua esquerda podem ver o rio Trinity e se se derem pressa podero ver o velho Zeke Tatum 
pescando. V!  muito tarde. A sua direita, entretanto podem ver o Parque Nacional David Crockett. Obrigado por voar com o Crow Airlines. Se podemos fazer algo especial 
por vocs, digam-nos isso e estaremos encantados de ajud-los assim que seja possvel.
   Eve se ps-se a rir.
   -Todos seus pilotos so to amigveis?
   -Alguns, outros no. Mas no Crow ns gostamos dessa atitude. A segurana  o primeiro, e logo est a pontualidade, mas quanto ao resto, ns no gostamos de tomar 
as coisas muito a srio.
   -Algum quer mais pipas? -perguntou Laura a sorridente-. Ainda fica alguma bolsa.
   levantaram-se um par de mos, que,  obvio, no ficaram sem pipas.
   Parecia que o vo acabava de comear, quando soou um aviso e uma aeromoa falou com passagem pelo alto-falante.
   -Grampeiem-nos cintures, amigos.
   Billy Dom aterrissou sem a menor incidncia, com enorme suavidade, e ao cabo de pouqussimo tempo estavam na cinta transportadora da bagagem, esperando suas malas.
   - tudo o que trouxeste? -perguntou Matt.
   -Nada mais.
   Irish a tinha ajudado a fazer a mala, de no ser assim, ela poderia ter acabado levando meia
   dzia de vultos. Em realidade, nunca tinha viajado muito e realmente no sabia o que podia levar, de modo que, por ela, teria levado de tudo. Graas  superviso 
do Irish, entretanto, limitou-se a levar um par de vestidos do antigo guarda-roupa de modelo do Irish e pouca roupa mais, isso sim, bem combinada. Irish tinha chegado 
a incluir uma instrues lhe dizendo o que ficar e em que ocasies. De modo, que, finalmente, bastava com duas malas.
   E isso lhe causava uma grande confiana e satisfao, a possibilidade de levar uma bagagem no muito grande e muito apropriado, at ver o cenho franzido do Matt. 
De repente, suas velhas inseguranas se apoderaram dela.
   -Ocorre algo? -viu-se impelida a perguntar.
   Matt sorriu.
   -Nada. Surpreende-me que uma mulher traga to pouca bagagem para uma semana. Mais que me surpreender, parece-me impossvel -disse, e chamou uma moo para que 
lhes levasse as malas-. por aqui, vamos ao helicptero.
   -Ao helicptero? -perguntou Eve com uns olhos grandes como pratos.
   
   Quando o botes deixou suas malas na enorme sute do hotel, Matt se deu conta de que tinha cometido um grande engano. Com o passeio em helicptero, a limusine 
e aquela luxuosa habitao pretendia adular ao Eve, que estivesse o melhor possvel. Alm disso, tinha planejado convid-la para jantar no melhor restaurante da 
cidade.
   O problema era que ela no parecia muito contente com aquela situao. Ao contrrio, mas bem parecia muito incmoda.
   -Bom, o que te parece este lugar? -perguntou-lhe, referindo-se  habitao, com mobilirio de estilo francs, chos de mrmore e um enorme buqu de flores.
   Os formosos olhos azuis do Eve tinham a mesma expresso que se temesse que o famoso assassino do Texas fora a sair de um armrio em qualquer momento.
   -, ... muito bonita, no? E grande, muito grande. Creio que ouo o eco de minha voz -disse Eve.
   Matt a viu tragar saliva, como se tivesse um n na garganta. Enquanto, no tirava olho do piano de cauda e das cadeiras douradas.
   -Voc no gosta, verdade? -perguntou Matt, muito aborrecido consigo mesmo. No tinha recordado que Eve era distinta  maioria das mulheres com as que tinha sado. 
No estava interessada em ver e ser vista em luxuosos hotis, luzindo jias e peles. Essa era uma das coisas que resultavam to encantadas dela. Uma de tantas.
   Oxal, dizia-se, no tivesse causado um dano irreparvel a sua situao com ela.
   -Est... bem, muito bem... Tenho que tirar minha bagagem da mala. Quando vamos comer? Que planos tem?
   Em realidade, seus planos consistiam em baixar ao luxuoso restaurante do hotel, mas os trocou sobre a marcha.
   -trouxeste calas jeans?
   Eve assentiu.
   -Pois vamos trocar nos. Quero te dar uma surpresa.
   Eve volvi a asentir y se dirigi a su habitacin, sin abandonar la expresin de diosa ofendida que cautivaba y haca temer a Matt. Porque a l le daban ganas 
de darse un patada en el trasero que lo pusiera de patitas en Oklahoma City. En realidad, an no saba adonde iban a ir a comer, pero ms le vala pensar algo apropiado, 
y muy pronto.
    
   Captulo Diez
   
   Comeram em um pequeno restaurante que lhes recomendou o recepcionista e que se encontrava to somente a umas mas do hotel. As mesas estavam raiadas e as cadeiras 
um pouco desvencilhadas, mas a comida era deliciosa. Pediram sopa de lentilhas e um delicioso sanduche de peru com queijo em um po de trigo recm feito, todo isso 
regado com um tinjo desconhecido mas surpreendente. De sobremesa tomaram bolo de ma com passas servida com sorvete e nata de chocolate. Exceto pelas passas, que 
deixou apartadas em um lado do prato, Matt se viu obrigado a admitir que a comida era realmente saborosa. Mas o sorriso que ao final lhe dedicou Eve foi ainda melhor.
   -Te gostou da comida?
   -Deliciosa. Estou enche.
   -Espero que tenha deixado stio para as pipocas de milho e o algodo de acar.
   Eve franziu o cenho.
   -Aonde vamos?
   -J o ver.
   Matt pagou a conta e partiram.
   Poucos minutos mais tarde, quando avanavam pela auto-estrada no carro alugado, Eve perguntou:
   -Isso parece o Astrodome.
   -Ser porque  o Astrodome. Agora j no nos chama a ateno, mas em seu dia parecia a oitava maravilha do mundo.
   - a aonde me leva?
   -No, hoje no. Bom, a no ser que queira ir. Eu pensava que depois de nos acomodar, fssemos ao AstroWorld, a subir ao Ciclone do Texas, a me de todas as montanhas 
russas. Gosta?
   -Claro! eu adoro as montanhas russas, como o soubeste?
   Matt se encolheu de ombros, tratando de reprimir um sorriso.
   -Sorte -a sorte e uma chamada ao Irish-. No AstroWorld h dez. Subiremos a todas.
   
   E o fizeram.
   Subiram a todas.
   Quando Matt desceu do Ultra Twister, tinha o estmago feito uma verdadeira pena. Entretanto, Eve parecia em seu elemento. No parava de rir e os olhos lhe brilhavam 
como estrelas.
   -OH, este stio  maravilhoso! -exclamou, pendurando do brao do Matt.
   -Me alegro de que voc goste. Em Dallas h um parque de atraes que se chama Seis Bandeiras e no Santo Antonio est A Festa do Texas. Esto llenitos de montanhas 
russas.
   -De verdade? Isso me d uma grande ideia para uma campanha publicitria. Poderia oferecer um tour pelas melhores atraes tursticas das principais cidades do 
estado. Assim Crow poderia entrar no mercado turstico com mais fora.
   -Isso sonha muito bem -disse Matt-. Voltamos para hotel?
   -No podemos ir ao Rio do primeiro Trovo?
   
   Ainda molhados pela tumultuosa corrente do Rio do Trovo, Matt e Eve subiram rendo ao elevador do hotel. lhe resultava difcil recordar uma tarde em que o tivesse 
passado melhor ou rido com mais ganha.
   Matt abriu a porta e entraram.
   Eve estava de to bom nimo que o salo da sute lhe impressionou mais favoravelmente que antes, embora estava desejando meter-se em sua habitao, muito mais 
modesta.
   Nada mais fechar a porta, entretanto, Matt a estreitou entre seus braos.
   -Aconteceste-o bem?
   -Muito bem -disse Eve, e lhe acariciou o cabelo-. Est molhado.
   -Voc tambm.
   -Creio que deveramos tomar banho.
   Matt sorriu.
   -Em minha ducha ou na tua?
   -Nas duas e por separado -disse ela rendo e empurrando ao Matt-. Aonde vamos jantar? O que me ponho?
   -Pois... -disse Matt, que parecia incmodo-. Aonde voc gostaria de ir?
   -reservaste em algum lugar elegante?
   -Bom, eu tinha pensado que podemos ir ao Caf Annie's, mas se voc quiser, podemos ir ao Luby'S. Nos dois stios se come bem.
   "Que encanto", pensou Eve. Lhe deu vontade de abra-lo. Era evidente que tinha pensado lev-la a um restaurante de cinco garfos, mas por ela estava disposto 
a trocar seus planos. E ela, em efeito, preferia ficar uns jeans e baixar a qualquer cafeteria, mas no queria decepcion-lo. E, por outra parte, possivelmente tivesse 
chegado o momento de ampliar experincias. Irish no deixava de lhe dizer que vivia em um mundo muito pequeno.
   -OH, eis ouvido falar do Caf Annie'S. eu adoraria ir.
   E o certo era que, embora estava um pouco nervosa ante a perspectiva de ir a um restaurante no que se citava a crme da crme, tambm gostava da idia de luzir 
um de quo vestidos Irish lhe tinha emprestado. Irish lhe tinha insistido em que estava preciosa com aquele vestido. Mas, depois de tudo, Irish era sua irm e uma 
pessoa muito amvel.
   -Est segura?
   Eve assentiu.
   -Se crie que no te vou deixar em evidncia...
   -me deixar em evidncia? Est louca ou o que? Como te ocorre dizer isso?
   -Bom,  que... suponho que no entro dentro do tipo de mulheres que est acostumado a ir a esses stios, a classe de mulher com a que voc..., d igual -disse 
Eve, e sentindo-se um pouco parva, agachou o olhar e se mordeu o lbio.
   Matt lhe levantou o rosto.
   -E com que classe de mulheres imagina que eu d igual?
   Eve no podia olh-lo aos olhos.
   -OH, pois... bonitas, seguras de si mesmos... atrativas.
   -Maldita seja, Eve, o que tenho que fazer para te convencer? -disse Matt, tomando a da mo e aproximando-a a um grande espelho-. Te olhe -ordenou-lhe-. Te olhe, 
te olhe bem. O que  o que v?
   Quo nico Eve via era uma mulher feita um desastre. Tinha a camisa molhada e enrugada, fazia tempo que lhe tinha apagado o lpis de lbios, tinha o cabelo emaranhado.
   -Um desastre.
   Matt a rodeou pelas costas e a olhou aos olhos atravs do espelho.
   -Quer saber o que eu vejo?
   -No estou segura.
   -Vejo a cara de um anjo, com uns grandes olhos da cor do cu do vero que brilham como diamantes quando te alegra ou o passa bem. Vejo um rosto precioso e suave, 
que esquenta meu corao quando ri e no me deixa dormir porque no posso deixar de pensar e de desejar que quo nico desejo no mundo  beij-lo. Vejo uns cabelos 
que so como raios de lua e que eu gosto sobre tudo quando est um pouco revolto, como agora. Vejo uma mulher com um corpo precioso, com umas pernas que nunca me 
cansaria de olhar.
   Eve queria dizer algo, mas era incapaz de falar. Matt tinha os olhos cravados nela e sem deixar de olh-la tomou sua mo e a beijou.
   -E suas mos -disse-. Adoro suas mos, com seus largos dedos. Adoro como as move, adoro-as quando golpeiam o lombo de uma velha mula, ou acariciam um gato ou 
me acariciam.
   Lambeu-lhe o polegar delicadamente e a beijou na ponta do ndice. Felizmente, disse-se ela, sustentava-a pela cintura, em caso contrrio se teria cansado redonda 
ao cho.
   - preciosa e muito, muito sexy.
   Eve fechou os olhos e deixou que as palavras do Matt a embargassem com sua doce essncia. E em seu interior se alojaram, brilhando com tanta luz que seus raios 
emergiram at sua pele fazendo-a resplandecer. Separou os olhos e sorriu. Com que desespero desejava ser realmente formosa para beij-lo.
   -me d quarenta e cinco minutos -disse-lhe, com um fio de voz.
   
   Matt entrou em um dos melhores restaurantes de Houston luzindo-se como um pavo. Com o Eve a seu lado se sentia dez centmetros mais alto e lhe dava vontade de 
golpear-se no peito e proferir o grito do Tarzn. O que mais desejava era gritar. " minha!"
   Eve Ellinson era a mulher mais arrebatadora que tinha visto em sua vida. Sempre estava bonita, mas aquela noite estava deslumbrante. ps-se algo que tinha ouvido 
outras mulheres chamar um vestidinho negro, mas aquele vestidinho negro era dinamite. aderia-se a seu corpo de um modo... e deixava ao descoberto suas pernas, umas 
pernas que tiravam o soluo.
   Levava o cabelo recolhido para trs com umas forquilhas de cor niquelada, mas lhe caa a juba sobre as costas, convertendo-a na mulher mais atrativa de quantas 
havia no lugar. Matt se dava conta de que era branco de todas as olhadas masculinas, e de que muitas mulheres tambm se fixavam nela, mulheres possivelmente verdes 
de inveja.
   -Tenho-te dito que est preciosa?
   Eve riu e seus olhos refulgiram.
   -Uma dzia de vezes. Quase comeo a acredit-lo.
   -Pois acredita-o. No te trocaria nem pelas dez mulheres mais bonitas que haja aqui.
   Eve brilhava com luz prpria. Caminhava com passos tranqilos, compridos, seguros, encaminhando-se com elegncia  mesa que tinham reservada em um rinco, fora 
dos lugares destinados a aqueles que queriam sobre tudo ver e ser vistos.
   Matt tinha visto vrios conhecidos do mundo dos negcios e a outro par de pessoas que conhecia de alguma festa, mas se limitou a saud-los com uma inclinao 
de cabea e no fez nada por dar p a uma conversao. Queria concentrar-se por completo no Eve. O que, por outro lado, no lhe custava grande coisa.
   -O que quer beber?
   -Veio. Branco, por favor.
   -Gosta de provar um vinho do Texas?
   -Tambm fazem vinho no Texas?
   -No sinta saudades tanto. E alm disso  bom. ganhou um monto de prmios -disse Matt, e pediu um vinho branco do Texas-. Creio que a comida tambm te vai gostar. 
chamei antes e me ho dito que tm muitos pratos vegetarianos.
   - um encanto.
   Ao sorrir, Eve lhe tocou a mo, e ao Matt deu vontade de subir  mesa e dirigir um discurso  multido no melhor estilo do Winston Churchill. Mas em vez disso, 
ps-se a rir, piscou os olhos um olho e disse:
   -Sou-o. E no o esquea nunca.
   O jantar foi fabulosa e o vinho pura ambrsia.
   Continuamente, Eve tratava de falar das idias da campanha, mas Matt se empenhava em distrai-la com todo tipo de comentrios sobre o Texas ou com histrias de 
sua vida. Seu olhar dizia que poderia comer-lhe com uma colher com a mesma ou mais deleite com a que comia o pudim de caramelo que tinha pedido de sobremesa. Com 
aqueles preciosos olhos escuros cravados nela, em seu pescoo, em seus ombros, em seu rosto, era muito difcil concentrar-se nos negcios.
   E de fato, s gostava de pensar em seus lbios.
   No quentes e doces que eram, na delicada maneira em que lambiam seu pescoo, ou seus peitos.
   Deslizou a lngua pelo bordo da taa, e se surpreendeu pensando que era a boca do Matt a que queria bordear com a lngua.
   Pensava em suas mos, em seus largos dedos, em todos os lugares que desejava lhe oferecer a aquelas mos.
   Logo pensou em suas prprias mos, nas partes do corpo do Matt que gostaria de acariciar. Seus olhares se encontraram, e no se separaram. Entre eles havia tanta 
eletricidade que as flores do vaso que havia sobre a mesa estiveram a ponto de murchar-se.
   Agarrou com ambas as mos sua taa e voltou a rodear o bordo com a lngua, acariciando o bordo de suas calas com o p.
   De repente, Matt atirou o guardanapo sobre a mesa e se levantou.
   -vamos.
   -Mas se ainda no nos trouxeram a conta.
   Matt tirou uma carteira do bolso, extraiu dele uns quantos bilhetes, dobrou-os e os deixou sobre a mesa.
   -Com isso basta.
   Logo tomou a bolsa prateada do Eve, agarrou-a pelo cotovelo e a conduziu  porta com tanta celeridade como se algum tivesse gritado "fogo!". Eve quase teve que 
correr para seguir seu passo.
   -Aonde vamos com tanta pressa? -perguntou-lhe nada mais sair  rua.
   -Aqui -disse Matt, empurrando-a a um rinco sumido entre a sombras.
   Beijou-a com tanta intensidade, que quase chegaram a lhe doer os lbios, pra gemeu e lhe devolveu o beijo com a intensidade que lhe dedicava.
   Matt se voltou louco. Suas mos pareciam estar em todas partes de uma vez, sua boca tambm. E ao Eve tremeram os lbios.
   Ao cabo de uns segundos, ele se apartou.
   -Nos vo deter. vamos.
   Tomou sua mo e a levou a carro.
   Em efeito, foi um milagre que no os detiveram pela velocidade com que Matt conduziu de volta ao hotel. E ao chegar foi um milagre que no os prendessem por... 
enfim, por outras coisas que fizeram no elevador.
   Eve chegou  habitao com o vestido j desabotoado e com o prendedor solto. Matt, por sua parte, levava a jaqueta pendurada do brao, o cinturo tambm desabotoado 
e tinha perdido a gravata.
   Assim que fecharam a porta, e entre apaixonados beijos, suas roupas comearam a voar por toda parte. Nem sequer chegaram ao dormitrio. Nem ao sof. Matt a ps 
sobre a mesa do comilo e ali a penetrou.
   Eve rodeou sua cintura com as pernas e exclamou seu nome enquanto se apertava contra ele com toda a fria do Ciclone do Texas.
   Tudo aconteceu rpida, apaixonada, intensamente. Foi uma loucura.
   Alcanou o climax com a rapidez de uma queda de noventa graus em uma montanha russa, arqueando as costas para procurar a melhor posio, alagada por quebras de 
onda de prazer que a convertiam em fogo lquido. E todo isso pronunciando o nome do Matt uma e outra vez.
   Ele, por sua parte, no deixava de sussurrar palavras de amor em seu ouvido, enquanto os espasmos seguiam e seguiam. Mas aquelas palavras era o que mais agradar 
causava ao Eve, mais que a paixo, mais que quo feitas ondas alagavam seu corpo, mais que o peso do corpo do Matt sobre ela. E por fim, ele empurrou com major fora 
e se uniu a ela no xtase final.
   Matt se tornou a um lado. Seus corpos estavam to molhados como ao sair do Rio do Trovo e sua respirao era to agitada como se tivessem deslocado a maratona. 
E apesar disso, Matt cobriu de beijos os seios do Eve, de beijos tenros e delicados, como deliciosas gotas de rocio.
   -eu adoro seu sabor -disse Matt-. eu adoro tudo o que tem que ver contigo. Eve, quero-te muito.
   Ao Eve quase lhe parou o corao. Amor? Havia dito que a queria? No, no podiam ser mais que palavras sortes no calor da paixo. No pde evitar um pequeno movimento.
   Matt levantou a cabea.
   -O que ocorre?
   Eve riu.
   -Esta mesa comea a ser um pouco incmoda.
   Matt deixou escapar um expressivo suspiro.
   -OH, carinho, sinto muito. Demnios, no posso acreditar que seja to idiota para te haver feito o amor sobre uma mesa. Eu queria que nossa primeira vez fora 
especial, tenra, romntica -disse, e parecia muito aborrecido consigo mesmo.
   Ao Eve lhe derreteu o corao, e tomou seu rosto entre as mos.
   -Chist. foi maravilhoso.
   Matt suavizou um pouco sua expresso.
   -Sim, foi maravilhoso, verdade? Mas a prxima vez o faremos lentamente. Quero ver e cheirar e provar cada centmetro de ti. Quero que dure muito, muito tempo. 
Vem.
   Matt a conduziu a sua cama e ali lhe tirou a pouca roupa que ficava. Pouco a pouco foi tirando as forquilhas do cabelo e o acariciou, entrelaando-o entre os 
dedos. Beijou-a nas plpebras, no nariz, nas comissuras dos lbios, e todo isso sem deixar de sussurrar doces, muito doces palavras de amor.
   Riscou com a lngua o perfil de sua mandbula e chegou at o lbulo da orelha. Logo a tendeu sobre o leito e cobriu um de seus seios com a mo, acariciando a 
bochecha contra o mamilo, at que este se endureceu. Logo o lambeu, mordiscou-o brandamente. Eve se estremeceu e gemeu ao notar seus lbios fechados lhe chupando 
o mamilo.
   Eve se dava conta de que estava excitado.
   -OH, Matt, o que estamos fazendo? -sussurrou.
   Matt levantou a cabea e sorriu. Foi um sorriso deliciosamente sensual, picasse, um sorriso que derreteu o corao do Eve.
   -Eu acreditava que era evidente.
   Matt comeou a lhe beijar o outro peito. Que sensao mais deliciosa.
   -Quero dizer que... que... no deveramos...
   -No? -disse Matt, e descendeu at o umbigo.
   -No. No... no  boa idia. Deveramos... OH, ah... manter uma relao... aaahhh... estritamente profissional.
   -Sim? E o que fao, paro-me?
   Eve gemeu e grunhiu aferrando os cabelos do Matt.
   -No... ainda no...  to... maravilhoso.
   -No se preocupe, amor. Quero que dure muito, muito tempo e te fazer o amor toda, toda a noite, para te fazer sentir muito, muito bem.
   Prometeu-o, e o cumpriu.
   
   Matt tivesse preferido acontecer o dia inteiro na cama com o Eve, mas esta conseguiu convencer o de que estavam em Houston em viagem de negcios, de modo que, 
embora a contra gosto, levantou-se e se vestiu.
   Eve recolheu quantos folhetos pde das atividades tursticas que se ofereciam aos visitantes de Houston e se interessou, perguntando ao pessoal do hotel, por 
saber quais eram as mais populares.
   -Creio que deveramos ir  a Nasa -anunciou finalmente.
   - a Nasa?
   -Sim.  uma das maiores atraes para os turistas, e, depois de tudo, no queria entrar em um novo mercado?
   Naquele momento, ao Matt importavam muito pouco os turistas. O nico que lhe interessava era Eve. Aquela viagem tinha sido planejado de tal modo que tivesse tempo 
de cortej-la, de convenc-la que tinha que casar-se com ele. Mas ela no parecia ter a menor suspeita de suas verdadeiras motivaes.
   -Parece-me muito bem. Iremos  a Nasa, e quando sairmos, iremos ao Galveston. No est longe e aos turistas adoram. trouxeste traje de banho? 
   -V, pois no. Nem sequer me ocorreu. 
   -No importa, compraremos um ao chegar -disse Matt-. Nenm, ver como lhe sintam os trajes de banho vai ser um autntico prazer.
   Decidiram passar a noite fora do hotel, de modo que colocaram a bagagem no porta-malas do carro e se dirigiram para o sul pela auto-estrada do Golfo.
   Passaram a manh visitando as instalaes da Nasa e o museu aeroespacial, que Matt no conhecia, de maneira que os dois desfrutaram enormemente da visita.
   Galveston s estava a meia hora da Nasa, e,  medida que avanavam, ia fazendo-se mais aparente a cercania  costa por um terreno cada vez mais plano e a abundncia 
de restingas. Finalmente alcanaram a costa e o comprido ponte que conduzia at a ilha.
   Fazia anos que Matt no visitava o lugar, mas Eve lhe refrescou a memria lhe lendo os folhetos tursticos que encontraram em uma estao de servio.
   -OH, olhe que casas to preciosas -disse ela, referindo-se s velhas casas da avenida Broadway, o bulevar que conduzia  praia-. Creio que algumas se podem visitar.
   -Quer as ver?
   -Quer voc?
   -Claro. vamos procurar um hotel no passeio martimo e logo voltamos.
   -Um hotel? No amos sair para o Santo Antonio esta tarde?
   -antes de sair chamei a meu ajudante e lhe tenho dito que trocamos de planos. Iremos amanh pela manh. Tenho-lhe dito que preferia verte em biquni.
   -No! -exclamou Eve, e riu, apesar de seu desejo de admoestar ao Matt-. Est louco, o que vai pensar?
   -Emily tem trs filhos e um neto, assim no posso lhe ocultar nada nem que me proponha isso.
   Enquanto esperavam a que um semforo trocasse a verde, Matt tirou o mvel e marcou um nmero.
   -Ol, tia Em! Estvamos falando de ti. encontraste algum hotel no Galveston?... Estupendo... Sim, j o tenho. Provavelmente vamos ao Santo Antonio amanh pela 
manh... Que tal s onze?... Bem, direi-lhe isso. lhe diga ao Tanker que se ocupe do assunto dos japoneses segundo seu critrio... Sim, logo falamos, bonita.
   -Bonita? Chamas "bonita" a seu ajudante.
   -Claro. Embora tambm a chamo tia Em. E algumas vezes a chamo "patatita". adora.
   -Matthew Crow, tenho de te dizer que estou perplexa.  um machista e isso se chama dominao sexual.
   -No, chama-se afeto. Ela  minha tia Em, a irm pequena de meu pai e seu marido e a metade da famlia a chama "patatita".
   Eve se sinti como una tonta y se disculp por haber sacado conclusiones precipitadas. Pensaba que haba encontrado una grieta en la armadura de Matt, una falla 
de su carcter, pero se haba equivocado, Matt era perfecto.
   
   Captulo Onze
   
   -Hum -disse Matt-. Date a volta outra vez. -Eve obedeceu e ele a estudou com ateno-. No sei o que dizer. No sei se eu gosto mais este ou o azul. por que no 
nos levamos os dois?
   -E os lhes para tambm? -perguntou a vendedora, esperanada.
   -OH,  obvio -disse Matt. Quando Eve foi dizer algo, sossegou seus protestos com um gesto da mo-. So gastos de empresa. Porei-os sob o epgrafe "investigao".
   -E no te parece que  forar um pouco as coisas?
   -Disso que se preocupe o departamento de contabilidade.
   Eve sabia que estava brincando, mas no quis discutir. Comeava a dar-se conta de que quando Matt tirava reluzir esse pcaro lado juvenil de sua personalidade, 
era muito difcil lhe negar algo, e no  que ela queria lhe negar nada. Por outra parte, aqueles biqunis lhe faziam sentir-se atrativa, cheia de glamour.
   Ou era Matt quem o fazia sentir-se assim?
   depois de sair da pequena loja com suas compras, fizeram algo mais de turismo e terminaram no Rainforest Pyramid, uma enorme pirmide de cristal em que se reproduziam 
as condies de vida dos bosques midos do planeta.
   
   -Fascinante, verdadeiramente fascinante -disse Eve enquanto passeavam por uma zona cheia de novelo exticas e cataratas.
   Matt desfrutava s olhando-a. Adorava-a ao ver como se deleitava observando os pssaros ou as rvores mais estranhas. Em certa ocasio, aterrissou uma mariposa 
sobre um de seus braos e ficou muito quieta, observando-a com os cinco sentidos. Tanta ateno revelavam seus rasgos que era um espetculo v-la olhar a aquela 
e preciosa maravilha criada pela natureza. Oxal tivesse tido uma cmara para captar a magia daquele momento.
   E logo se produziu um momento mais mgico ainda. Uma segunda mariposa e logo uma terceira e uma quarta descenderam para posar-se sobre sua loira cabeleira, que 
parecia salpicada de vivas mancha de cor. Conteve a respirao. Sentia tanto amor por ela naquele momento, que temia que o peito lhe abrisse em qualquer momento 
ante a fora da emoo que sentia.
   Aquela mulher tinha algo indefinvel ao que ele no podia resistir. Uma beleza de esprito que unida  beleza de seu corpo, arrastava-o para ele como um m, 
cativava-o, reclamava-o.
   -te case comigo -sussurrou.
   Eve riu e as mariposas saram voando.
   -Deixa de fazer o parvo, Matt. O que foste fazer se te dissesse que sim?
   -Converteria-me no homem mais feliz do Texas, do mundo inteiro. O que faz falta para te convencer de que falo a srio?
   -Tempo.
   Um casal de meninos cruzou por seu lado e o mais pequeno caiu de bruces. Comeou a chorar e Eve se agachou para consol-lo. Em realidade, s estava ferido em 
seu orgulho e quando chegou sua me, tinha conseguido tranqiliz-lo lhe interessando pelos pssaros e o mundo que lhe rodeava.
   Quando os meninos e a me se afastaram, Eve tomou ao Matt do brao.
   -Pergunto-me que tal o estar acontecendo Caruso.
   Algumas vezes se volta um pouco neurtico se demorar para voltar muito tempo.
   -volta-se neurtico? -disse Matt, sorrindo-. No h dvida de que esse pssaro est louco, por que se no ia depenar se?
   -O veterinrio diz que  alergia... -disse Eve sorrindo-, ou neurose.
   -V-o?
   Eve se ps-se a rir e apoiou a cabea sobre o ombro do Matt. No recordava haver-se sentido to bem em toda sua vida.
   
   Depois de sair do bosque de cristal, dirigiram-se  praia. Enquanto baixavam os degraus do passeio que conduziam  praia, Eve se protegeu do sol ficando-a mo 
na frente e olhou por volta do mar.
   -por que no h ningum nadando? Faz um dia radiante.
   Matt se fixou nas plcidas ondas que lambiam a borda, logo olhou um pouco mais  frente.
   -OH, j vejo qual  o problema -disse, e assinalou para os gizes das ondas-. V essa espcie de borbulhas que flutuam sobre as ondas? So medusas. Parecem inofensivas, 
mas esto cheias de tentculos que podem ser os causadores de uma grande dor. Se um desses diabos se agarra a uma de suas pernas, sente o mesmo que com a pior das 
queimaduras.
   -Diz-o como se soubesse por experincia.
   -E assim . Quando fomos pequenos, um desses insetos picou ao Jackson e a mim. A verdade  que a picada do Jackson foi bastante pior que a minha, mas os dois 
terminamos em urgncias e tivemos que cortar as frias.
   -Pois no penso me banhar. E sempre so to maus esses insetos?
   Matt negou com a cabea.
   -Pois no sempre, mas no estou seguro de por que -disse, e se tirou o plo, jogando-o sobre as toalhas-. Quer que ponha loo protetora? No quisesse que essa 
preciosa pele se queimasse.
   -Boa idia -disse Eve, estirou as toalhas e se tombou de costas.
   Quando Matt comeou a estender a nata com lentos e largos movimentos, Eve se lembrou das carcias da noite anterior. Era como se suas mos fizessem magia, como 
se sua boca fora um milagre. Fazer o amor com ele tinha despertado uma faceta completamente nova de sua feminilidade. J nunca voltaria a ser a mesma.
   Como podia renunciar a algo assim?
   O melhor era no pensar nisso.
   Quando estava completamente coberta de loo, Matt lhe ps o plugue  garrafa e se tombou a seu lado.
   -E voc? -perguntou ela-.  que no te faz falta te proteger do sol?
   -No,  tarde, e alm disso, nunca me queimo.
   
   Matt resmungou entre dentes enquanto Eve estendia sobre suas avermelhada e doloridas costas uma generosa capa de nata hidratante com extrato de cenoura.
   -Isto deveria te ajudar -disse ela, sentada escarranchado sobre suas pernas-. Acreditava que havia dito que nunca te queimava.
   -E no me queimo, ou pelo menos no me tinha queimado desde que era pequeno.
   -Sabe o que? -perguntou Eve com picardia.
   -Sim, que me tenho voltado a queimar.
   Eve se ps-se a rir.
   -No me parece to divertido.
   Eve tratou de comportar-se.
   -Perdoa, j sei que deve doer muito. Deixa que te lubrifique isto nas pernas.
   Enquanto lhe aplicava o blsamo na parte de atrs das pernas, tratou de ser o mais cuidadosa possvel com a pantorrilha ferida.
   -Quando lhe tiram os pontos?
   -me deveriam tirar isso amanh, mas Kyle disse que podiam esperar at que voltemos.
   Ao Eve lhe ocorreu uma idia.
   -Segue tomando o remdio?
   Matt assentiu.
   -Duas vezes ao dia. Kyle me disse que teria que seguir tomando-a durante uma semana.
   -Pois pode que esse seja o problema. Onde est o frasco?
   -Em minha ncessaire.
   Como Eve suspeitava, no prospecto da medicina acautelava contra o dano que podiam ocasionar os banhos de sol.
   -Ter que ler os prospectos sempre, senhor.
   -Sim, senhora. Poderia me pr algo mais de nata nos ombros? Sim, sim, justo a. Ahhh. Tem mos de anjo. S por isso me casaria contigo.
   Eve lhe deu um tapinha carinhoso no traseiro. Logo lhe lubrificou nata nos braos. Naqueles braos to bem formados, to musculosos. Aqueles braos entre os que 
dava delcia estreitar-se.
   E suas costas, tambm suas costas era magnfica. Larga, slida, sexy.
   inclinou-se para beijar um pequeno lunar.
   -Date a volta -disse-lhe-, e te darei a nata por diante.
   Ao girar, a toalha se escorregou e, durante um instante, Matt ficou ao descoberto. Estava definitiva e magnificamente excitado. Ps um gesto inocente e logo sorriu.
   -O que posso dizer?  meu estado normal quando est perto. Pelo menos no se queimou.
   Eve tratou de parecer surpreendida, talvez molesta, mas o sorriso ingnuo do Matt a desarmou, de modo que voltou a tornar-se a rir.
   -No, e parece que funciona perfeitamente -disse Eve, e jogou uma boa quantidade de nata na palma da mo. Ao mesmo tempo, Matt lhe desabotoou o biquni-. O que 
faz?
   -Estou-me liberando disto -disse ele, jogando a um lado o Top-. Quero te olhar e te tocar -disse, e estendeu a palma da mo pedindo loo.
   Enquanto ela acariciava seu avermelhado peito, ele comeou a lhe acariciar o seu, com compridos e sensuais movimentos. E tomou em sua palma um de seus peitos.
   -Precioso -murmurou-. Te agache um pouco mais, me deixe provar.
   Eve sentiu um calafrio e notou como lhe erguiam os mamilos. Matt se meteu um na boca e comeou a lamb-lo lentamente, em crculo. 
   -Hum, delicioso.
   Eve ficou quieta, esquecendo-se do que estava fazendo, concentrada unicamente nas sensaes que Matt despertava nela.
   Matt, ou sua lngua, pareciam em efeito estimular nervos que nasciam nos peitos e terminavam no ventre, com uma dor agridoce. Ao cabo de compridos momentos, Matt 
se retirou um pouco, soprou sobre o peito que acabava de chupar e comeou a lamber o outro. Eve sentiu uma inevitvel impacincia at notar que de novo estava em 
sua boca.
   Matt deslizou os dedos na braguita. Ela jogou a cabea para trs, possivelmente para respirar melhor atravs de seus apertados dentes. 
   -Voc gosta? -perguntou ele. 
   -eu adoro.
   -por que no te tira isto? -disse ele. 
   -Mas... queimaste-te. 
   -Faremo-lo com cuidado. Deixarei que voc faa a maior parte.
   Eve se levantou para despir-se e ento ele se girou para a mesinha, procurando um preservativo.
   -Espera, me deixe -disse Eve. 
   Extraiu o preservativo de seu pacote e com ajuda do Matt, deslizou-o em seu stio. Foi uma experincia maravilhosamente ertica. deu-se conta de que com o Matt 
no sentia nenhum acanhamento. A para sentir como a deusa ertica do universo e aquela sensao a subjugava.
   Ele adorava seu corpo e a acariciava da mais ntima das maneiras, e ela florescia em suas mos.
   Quando Matt voltou a meter um peito na boca, ela se esfregou contra seus lbios e logo se apertou contra ele. Estava cada vez mais excitada, at que a excitao 
se fez insuportvel.
   -Desejo-te, Matt. Desejo-te.
   -Sou teu, carinho, sou teu.
   Elevou os quadris e se deixou penetrar. To intenso foi o prazer que esteve a ponto de gritar. Naquela nova situao no necessitava experincia prvia, bastava 
com o instinto. Sabia que bastava deixando-se balanar pelo ardor que queimava seu ventre, abandonar-se em braos do prazer que submetia suas vsceras. Como sabia 
que com cada balano estava mais perto do prazer infinito que desejava.
   -Assim, assim, carinho, assim -disse ele.
   E alcanou o climax em uma srie de gloriosas e violentas sensaes. Estava sentada sobre ele, com a cabea arremesso para trs, invadida por muito profundas 
quebras de onda.
   viu-se alagada pelas lgrimas e se separou dele, tendendo-se a seu lado, com a cabea apoiada em seu travesseiro.
   -OH, Matt, o que vou fazer? Quero-te tanto.
   -Quer-me? Pois ento no tem que fazer nada mais que seguir me querendo -disse Matt, e acrescentou-. So as palavras mais formosas que ouvi em minha vida. So 
meu tesouro mais valioso. Expor-me ao sol todos os dias se com isso obtivera esta recompensa.
   Eve se incorporou lentamente.
   -OH, carinho, o sol. Tenho-te feito mal?
   -No. Agora  quando comea a doer. Creio que me viria bem um pouco mais de loo -disse ele com um malicioso sorriso.
   
    manh seguinte, de caminho ao aeroporto de Houston, Eve estava muito calada. E seguiu calada durante o vo que os levou ao Santo Antonio. Matt parecia preocupado 
por aquele silncio e em vrias ocasies lhe perguntou se ocorria algo. Ela no sabia o que dizer, porque, como lhe dizer a verdade? Como lhe dizer que estava aterrorizada 
ante a idia de estar apaixonada por algum como ele, ante a idia de que pudesse lhe romper o corao?
   Matt era... enfim, Matt era perfeito. Bonito, inteligente, tinha xito, era uma pessoa maravilhosa e divertida... Perfeito em definitiva. E ela, apesar de tudo 
o que lhe dizia, no era mais que Eve Ellison uma moa normal, muito alta, possivelmente um pouco excntrica, muito singela. Tinha uma velha granja e um monto de 
animais recolhidos por a. Ela no viajava, no se alojava em hotis luxuosos, estava acostumado a preferir os jeans a qualquer outro objeto e uma comida singela 
para jantar em um restaurante. O que podia ver ele em algum como ela? Era Irish a beleza da famlia, Irish a que sabia tratar com o grande mundo.
   OH,  obvio, ela era inteligente e fazia bem seu trabalho, mas os homens como Matt no se apaixonavam por uma mulher s porque fizesse bem seu trabalho.
   De verdade estava Matt apaixonado por ela?
   por que ia estar o?
   O tinha perguntado a noite anterior e ele se limitou a tornar-se a rir e a beij-la no nariz. 
   -Porque  uma criatura encantadora. 
   Mas isso no era uma resposta. 
   -Carinho, por favor, me diga o que  o que acontece -perguntou-lhe ele quando saram do aeroporto do Santo Antonio com outro carro alugado.
   -De verdade me quer?
   -Claro que te quero. Estou louco por ti, carinho. Pedi-te que te case comigo mais de dez vezes, e nunca o tinha pedido a nenhuma outra mulher.
   -Alguma vez?
   -Nunca. A no ser que conte a Mary Jane Beavers, mas  que ento tnhamos sete anos. Acessou, mas sua famlia se mudou a Wisconsin duas semanas depois.
   Eve se ps-se a rir.
   -Est louco.
   -Ah, menos mal, j te ri. Quer isso dizer que te aconteceu o mau humor?
   -No  que eu queira estar assim, mas  que estou preocupada. A gente no se apaixona to rapidamente. Leva tempo.
   -No sempre. Quando te vi pela primeira vez nas bodas do Irish e Kyle, soube que foi para mim. Soube imediatamente. E te pedi que te casasse comigo, ou no o 
fiz?
   -Mas no o disse a srio. Nem sequer me conhecia. E o que poderia querer uma pessoa como voc de uma pessoa como eu?
   -Cario, tienes un serio problema de imagen que necesitamos solucionar cuanto antes. Ya te demostrar lo especial que eres para m.
   
   Captulo Doze
   
   - estranho estar aqui, verdade? -disse Eve, que visitava junto ao Matt o famoso forte de pedra.
   -Sim. E inclusive apesar de hav-lo visto naquele filme do John Wayne, sempre espera que O lamo seja maior.   
   -E a tragdia se viveu aqui -disse ela, surpreendida de que lhe alagassem os olhos de lgrimas. esforou-se pelas conter e apertou a mo do Matt-. Que enorme 
perda  a guerra.
   Matt lhe beijou os dedos.
   -Travis, o comandante, era um canalha, mas pensar que Davy Crockett muriese aqui sempre me incomodou. Pode que seja porque sempre pensei nele com o rosto do Fess 
Parker.
   -Voc tambm via essas velhas sries de televiso?
   -Sim. Quando tinha seis ou sete anos, Jackson e eu tivemos um gorro de pele de mapache como o do Davy e samos a caar ursos um par de vezes. Graas a Deus no 
topamos com nenhum.  obvio, Highland Park nunca foi conhecido por sua abundncia de ursos.
   Eve sorriu ante a imagem dos dois meninos caando ursos na zona mais rica de Dallas, e saram ao ptio do forte. O brilhante sol da tarde se filtrava atravs 
dos enormes carvalhos de uns terrenos rodeados pelo que j era o centro da enorme cidade do Santo Antonio.
   -Gosta de ir  Festa do Texas? Tm vrias montanhas russas que provavelmente voc adorar provar. Uma delas vai para trs.
   -para trs? Uau.
   Cruzaram a rua em direo a seu hotel, que se encontrava na ribeira do rio.
   -eu adoraria ir, mas, como est de suas queimaduras?
   -Parece que esto melhor. E esse xarope que me jogaste deve ter um amparo de 200 pelo menos. Que barbaridade, parece manteiga. Pode que no me queime, mas me 
vou fritar.
   Eve se ps-se a rir e o empurrou para uma loja de artesanato.
   Enquanto admiravam as magnficas peas expostas na cristaleira, Eve sentiu um roce na perna. tratava-se de um gatinho, negro e branco, que comeou a miar.
   -OH, bonito -disse, agachando-se para tomar em seus braos ao precioso animal-. OH, Matt, olhe. O pobre est nos ossos. Deve haver-se perdido.
   -Ou pode que esteja abandonado.
   -No creio que ningum possa abandonar a um gato to bonito como este. Parece que leva uma mscara na cara, recorda-me ao fantasma da pera. vamos perguntar nas 
lojas.
   Ningum sabia nada.
   depois de perguntar em duas mas  redonda, desistiram de sua busca.
   -Matt, no podemos deix-lo na rua. Est faminto e tem medo.
   -Podemos lev-lo a canil municipal.
   -E um corno.
   -Perdoa, carinho -disse Matt.
   -Eu lhe encontrarei um lar. Mas primeiro faz falta aliment-lo e lev-lo a veterinrio.  provvel que tenha algum tipo de lombrigas.
   -Lombrigas? OH, Meu deus. Deixa-o no cho imediatamente.
   -OH, vamos, no seja to delicado. Vete a procurar algo de comer enquanto eu te espero com ele neste banco.
   Suas ordens foram obedecidas imediatamente. O mau era que Matt no tinha nem idia do que podia comer um gatinho, exceto leite. O garom de um restaurante prximo 
no queria lhe emprestar uma terrina, mas Matt lhe deu vinte dlares e o garom saiu com uma taa de plstico, um carto de leite e uma bolsa de bolachas.
   -Vale com isto? No creio que goste dos tacos de queijo.
   Eve o olhou com uma careta.
   -vamos ver. Ponha umas partes de bolacha na taa e verte um pouco de leite.
   Matt deixou a taa no banco e fez o que Eve lhe tinha pedido. O gato comeou a ronronar assim que viu o leite no prato e devorou o contedo da taa assim que 
Eve o deixou a seu lado.
   -Creio que gosta -disse, lhe dirigindo ao Matt um sorriso de um milho de dlares-. Obrigado.
   Ao Matt estiveram a ponto de lhe estalar os botes do peitilho.
   -Enquanto nosso gatinho termina de comer, talvez possa procurar uma caixa onde coloc-lo -pediu-lhe Eve.
   -Claro.
   Matt fez algo mais. Encontrou um grande supermercado a trs mas e comprou uma pequena jaula para transportar animais. Alm disso, comprou comida para gatos, 
uma pelotita e um camundongo de trapo. A conta total no superou o preo do leite.
   
   A conta do veterinrio foi grandemente mais alta
   Mas Matt a pagou com satisfao. Teria construdo uma clnica veterinria inteira com tal de manter o rosto do Eve iluminado por aquele maravilhoso sorriso.
   -No  precioso? -disse, tomando-o em seus braos recm banhado e vacinado pela ajudante do veterinrio e acariciando-o contra sua bochecha.
   -Sim, de acordo,  muito bonito -admitiu Matt, e em efeito, parecia-o uma vez limpo e banhado.
   -Creio que Fantasma pode ser um bom nome para ele -disse Eve, j de caminho ao hotel-. No te parece?
   -Parece-me muito bem.
   -Ao hotel lhe importar que o subamos  sute conosco.
   -No. Meteremo-lo em uma mala do Vuitton e nem se daro conta.
   -Claro! -exclamou Eve rendo.
   A mala tinha que ser enorme para que coubesse o gato, mas o passaram em grande preparando sua operao clandestina, como dois meninos fumando seu primeiro cigarro 
no quarto de banho de seus pais.
   Ao cruzar pelo vestbulo do hotel, com o Matt levando a enorme mala e Eve levando uma bolsa de plstico com uma caixa para as necessidades do gato, no se atreveram 
a olhar-se aos olhos por medo a descobrir o plano. apressaram-se para os elevadores e se meteram no primeiro que viram vazio. Por desgraa, um casal de mdia idade 
e uma adolescente sardenta se precipitaram ao interior quando as portas estavam a ponto de fechar-se.
   Fantasma miou das profundidades da mala.
   Matt se esclareceu garganta, moveu a mala e fingiu fixar-se nos botes do elevador. A seu lado, Eve ficou a olhar ao teto enquanto assobiava.
   A mulher de mdia idade, olhou ao Matt com cara de poucos amigos.
   -Isso foi um gato?
   - obvio que no -replicou Matt.
   Fantasma voltou a miar.
   A mulher transpassou ao Matt com o olhar.
   -Nessa mala h um gato e neste hotel no se permitem animais.
   A garota soltou um bufo e ps cara de querer estrangular a sua me. Seu pai se olhou as unhas.
   -Senhora -disse Matt, tocando o chapu de vaqueiro-. Asseguro-lhe que no  um gato. Nesta mala levo a nosso menino.
   A mulher deu um coice, a garota estrangulou uma risinho e o homem ficou nas pontas dos ps.
   Graas a Deus o elevador se deteve justo nesse momento e o trio se desceu naquela planta. Ao Eve custou conter a risada at que se fecharam as portas.
   -Nosso menino? -exclamou-. Viu a cara dessa pobre mulher? Acreditava que ia explorar.
   Ainda se estavam rendo quando alcanaram a porta de sua sute. Uma vez dentro, Matt a estreitou entre seus braos, balanando-a com carinho.
   -No recordo uma situao mais divertida. Sinto-me como um menino travesso.
   -Eu tambm -disse Eve, e se apartou de repente-. OH, esquecemo-nos que pobre Fantasma. vamos ver se estiver bem.
   Em efeito, o casa de jogo clandestino estava bem, s um pouco zangado. Uma vez no cho, deslocou-se por toda a habitao, jogando com a bola que Matt lhe tinha 
comprado. Eve o olhava encantada.
   -Temo-me que nos perdemos nossa tarde de diverso em La Festa do Texas -disse Matt-. Quer que vamos esta noite?
   Eve negou com a cabea.
   -Estou -um pouco cansada. por que no pedimos o jantar e vemos um filme do canal do hotel?
   -Boa idia.
   Matt jantou um filete acompanhado de uma batata assada e salada; Eve o mesmo mas sem o filete. Fantasma jantou um pouco de comida para gatos e se acomodou no 
regao do Matt para ver o filme.
   123
   Bateram na porta. Eve baixou as pernas do sof e disse:
   -Deve ser o servio de habitaes, que deve buscar os pratos. Fantasma e voc fique aqui, vou levar se os -Cario, qu pasa? -dijo Matt apareciendo por la puerta 
el saln.
   dirigiu-se descala para a porta e abriu.
   O homem que estava na porta com uma garrafa de vinho na mo no parecia um garom.
   -boa noite, sou Rum Futch, o diretor do hotel.
   Ao Eve quase lhe deu um ataque ao corao. acabou-se o jogo, tinham-nos descoberto. A famlia do elevador se queixou ao diretor e o diretor tinha subido para 
jog-los. Que humilhao.
   -Posso... posso explic-lo tudo.
   -Carinho, o que acontece? -disse Matt aparecendo pela porta o salo.
   Eve se girou e tratou de lhe fazer retroceder com gestos sutis das mos e exageradas caretas. Mas ele no compreendeu suas intenes, em vez disso, aproximou-se 
da porta, descalo e com Fantasma acomodado em seu brao.
   -O que ocorre, carinho?
   - o senhor Futch, o diretor do hotel, carinho -disse ela, tratando de que retrocedesse.
   -Ol, Rum -disse Matt, aproximando-se da porta  -. Como vai?
   O gato subia por sua camisa quando Matt lhe deu a mo ao diretor.
   -Muito bem, Matt. Me alegro de verte. Nada, s queria te saudar. Espero que voc goste disto -disse o diretor, lhe dando ao Matt uma garrafa de champanha. De 
um champanha muito caro-. Tm gelo para coloc-lo j?
   -Sim, obrigado, no se preocupe. Olhe, Rum esta mulher to encantada  Eve Ellison -disse, e acariciou ao gato, que se havia acomodado em seu ombro-. E este amigo 
 Fantasma.
   O diretor sorriu.
   -Senhorita Ellison -saudou, com uma inclinao de cabea-. Que bonito. Enfim, algo que necessitem, j sabem onde estou.
   -Muito obrigado, Rum. E obrigado pelo champanha.
   Futch se despediu e partiu. Assim que fechou a porta, Eve se apoiou nela e exalou um profundo suspiro.
   -No posso acredit-lo. Quase me d um ataque quando me h dito que era o diretor. Pensei que nos ia jogar.
   -Sente saudades -disse Matt, com uma picasse sorriso-, o hotel  de meus pais.
   Quando Eve assimilou o significado daquelas palavras, franziu o cenho.
   -Que seus pais so os... mas voc  um uva sem semente -disse, e, com a almofada da cadeira do corredor, comeou a lhe dar na cabea-. Um sujo uva sem semente.
   Matt, sem deixar de rir e protegendo-se dos golpes, foi afastando, retorcendo-se para evitar os golpes em seus doloridos ombros. Mas Eve o seguia lhe dando em 
qualquer parte que pudesse.
   Logo comearam a dar voltas pela sute, rendo e gritando, at cair finalmente sobre o sof.
   -Mas como pudeste me enganar dessa maneira. Sinto-me como uma idiota.
   -S foi uma brincadeira. Pensei que nos amos passar isso muito bem colocando a Fantasma no hotel em segredo.
   -Sim, suponho que foi divertido, mas eu no gosto de ser a ceva de suas brincadeiras, Matt. Nunca me gostou. Suponho que se deve a certas coisas terrveis que 
deveram me ocorrer quando era pequena, mas de verdade te digo que eu no gosto que riam de mim. Bom, em realidade o odeio. Irish diz que sou hipersensvel, e possivelmente 
seja verdade, mas no creio que a ningum goste de ser o branco das brincadeiras de outros.
   Matt ps ao gatinho no cho e estreitou ao Eve entre seus braos.
   -OH, carinho, sinto muito. No te faria mal por nada do mundo. Sou um bruto, perdoa-me?
   Eve guardou silncio durante um momento, e logo suspirou.
   -Sim, claro. Mas, por favor, no volte a faz-lo.
   -Prometo-lhe isso.
   -Creio-te -disse ela, amassando-se entre os braos do Matt-. Ento," este hotel  de seus pais?
   -Sim. E vivem aqui.
   -Aqui? No hotel?
   -Sim. Um piso mais acima. Construram o hotel e se deveram viver aqui de Dallas faz oito anos.
   -Creio que as lembrana das bodas do Irish. E no quer v-los?
   -No posso. Esto de cruzeiro pela Alaska. No voltaro at a semana que vem, mas quando voltarem, lhe eu gostaria de apresentar isso Creio que lhe vo gostar. 
So boa gente. Minha me tem um gato. Uma resmungona de quatorze anos chamada Abigail.
   -Pois s sabendo isso, sei que me vai gostar.
   -Gosta de um pouco de champanha?
   - que com as borbulhas me pica o nariz e espirro.
   -Pois eu te curo -disse Matt, beijando-a na ponta do nariz, e foi pelo champanha.
   
   Algo spero e molhado roou o queixo do Matt. Abriu os olhos. Fantasma estava de p sobre seu peito. Em realidade, tinha passado a maior parte da noite ali... 
quer dizer, o tempo em que Matt no estava ocupado em outras coisas.
   Miou.
   Matt o apartou e se tornou sobre um flanco.
   Sentiu a suave penetra do gato na bochecha, e a lngua na ponta de seu nariz.
   Matt abriu os olhos. Um par de pequenos olhos azuis o olhavam. O gato voltou a miar. -Chist!
   Eve moveu a cabea. 
   -Que horas so?
   -A hora em que os gatos tomam o caf da manh. vou ver se encontro algo na geladeira e se cala. Aos gatos gosta dos amendoins e o champanha?
   -No, gostam da comida para gatos. Est na parte de abaixo da geladeira. Prova a ver.
   Matt a beijou no ombro e se levantou, levando-se a gato.
   Fantasma apartou o nariz da comida para gatos que Matt lhe ofereceu.
   -Para algum que ontem mesmo morria de fome pelas ruas, tornaste-te um pouco suscetvel com a comida.
   O gatinho miou e pareceu entreabrir os olhos, tal como fazia Eve. Ao Matt lhe abrandou o corao, de modo que o tentou com vrios mantimentos deliciosos que encontrou 
na geladeira. Finalmente, Fantasma encontrou conveniente provar o foei gras.
   -Quem o houvesse dito, amigo. Na verdade tem um delicioso paladar -disse Matt, e para ouvir o rudo da ducha, decidiu unir-se ao Eve. Deviam estar no aeroporto 
ao cabo de duas horas, e no queria perder nem um minuto do tempo que ainda compartilhar a ss com ela.
   
   Perderam seu vo a Austin, mas tomaram o seguinte.
   -Dem-se pressa em beber-lhe tudo, amigos -disse Marci, a aeromoa que lhes deu o suco-. Este vo s dura meia hora e faz dez minutos que separamos.
   -Creio que Austin te vai gostar -disse Matt-.  um dos lugares que mais eu gosto do Texas.  distinta s demais cidades do estado.  tranqila e acolhedora, e 
ao mesmo tempo muito viva.
   -No est ali sua universidade?
   -Sim, ali estudei Direito.
   -Sempre me esquecimento de que  advogado. por que no exerce, voc no gostaria?
   -Suponho que me entretive tratando de ganhar meus segundo milho de dlares.
   Eve franziu o cenho.
   -No entendo o que quer dizer.
   -Bom -disse Matt-,  um trato que vem de uma idia de meu av. Ele foi o que comeou a fortuna da famlia. Encontraram petrleo em suas terras e ganhou uma fortuna. 
Quando teve netos, disse que pagaria a carreira a todos eles e que quando terminssemos os estudos, daria-nos um milho de dlares. Se conseguamos dobrar esse milho 
antes de cinco anos, daria-nos outros dez.
   Eve ficou com os olhos como pratos.
   -Dez milhes de dlares? A cada neto? Sabia que era rico, mas... Refere ao Pete?
   -Sim. A esse velho encantador. Deu a todos uma educao e dez milhes de dlares e quem sabe quanto a suas filhas, minha me e minha tia, e ainda fica mais dinheiro 
do que deu a todos ns juntos.
   -Ento, todos dobraram o milho?
   -Sim. Todos. Eu fundei Crow Airlines faz doze anos. Gastei-me tudo o que tinha e tudo o que pude pedir emprestado em uma companhia que estava em bancarrota. A 
verdade  que suei aqueles tinta primeiros anos, mas sa adiante.
   -trabalhaste muito, verdade?
   Matt assentiu.
   -Todos trabalhamos muito e todos dobramos nosso milho. Todos, menos Jackson, esse canalha com sorte.
   -Abrchense los cinturones -dijo la azafata-. Estamos llegando a Austin, hogar de los longhorns y del mejor chile de todo el estado.
   
   Captulo Treze
   
   Bem providos de nata de amparo contra o sol, da que saram convenientemente lubrificados, Eve e Matt se dispuseram a visitar a cidade de Austin acompanhados de 
Fantasma, ao que levavam em uma bolsa especial que Matt lhe construiu. Passaram um maravilhoso dia do vero sobre tudo nos jardins de um dos museus da cidade, onde 
se celebrava uma feira de arte popular, em que abundavam, alm dos quadros  venda, os postos de comida, o artesanato e os mariachis.
   Eve comprou uma pequena aquarela e vrias flores esculpidas em madeira e belamente decoradas em cores muita vistosos. Matt comprou um urso de bronze para dar 
de presente-lhe ao Jackson, cujo aniversrio estava ao cair, e um cinturo de couro esculpido.
   -OH, eu adoro Austin -disse Eve quando voltavam para carro com suas compras-. E a gente  encantadora.
   -Tambm eu adoro Austin.  minha cidade do Texas favorita.
   -E por que no vive aqui?
   Matt se encolheu de ombros.
   -Os negcios. A central do Crow est em Dallas. Mas venho sempre que posso, Ao Jackson tambm gosta. Estvamos acostumados a freqentar a Rua Seis.
   -O que  a Rua Seis?
   -Est cheia de bares e de pubs, mas ter que esperar ao seguinte viagem para conhec-la, a no ser que queira que fiquemos uma noite mais.
   -eu adoraria, mas tenho que cuidar de meus animais. Jimmy foi um encanto, graas a ele eis podido vir a esta viagem, mas agora tenho que voltar. Tenho um milho 
de coisas que fazer em casa antes da segunda-feira. E a semana que vem vamos ter muito trabalho, tenho um monto de idias para a nova campanha do Crow. Espero que 
voc goste.
   -Tudo o que voc faz eu gosto -disse Matt e lhe abriu a porta do carro, lhe dando um beijo na boca antes de fech-la-. Absolutamente tudo.
   
   na sbado pela tarde, Matt deixou ao Eve e a Fantasma em seu carro, que estava estacionado em uma garagem pblica que havia perto de seu escritrio. antes de 
separar-se dela voltou a estreit-la entre seus braos.
   -Posso te seguir e te ajudar com a limpeza da casa?
   Eve negou com a cabea.
   -Obrigado, mas  uma distrao muito grande. Alm disso, voc tambm tem que te pr ao dia. Tem muitos mensagens no mvel. me chame amanh se tiver tempo.
   -Tirarei-o de onde seja -disse ele, e voltou a beij-la-. foram uns dias maravilhosos. Melhore ainda, porque creio que para ti tambm o foram. Quero-te muito, 
Eve.
   -E eu a ti, Matt.
   Um carro se deteve seu lado.
   -Necessitam ajuda, amigos?
   tratava-se do guarda de segurana.
   -No, obrigado, scio -disse Matt-. Me posso arrumar isso eu sozinho.
   Eve se ps-se a rir.
   Matt esperou a que se fora.
   J a sentia falta de.
   
   A semana seguinte sups um frenesi de atividade para a agncia. Eve voltou da viagem cheia de confiana e felicidade, assim como com uma montanha de informao 
e novas idias para integrar na nova campanha para o Crow Airlines. Contratou a outro redator e a outro diretor criativo e celebrou incontveis reunies com sua 
nova equipe.
   Para o Matt, a semana tambm foi muito ativa, mas jantaram juntos em vrias ocasies, uma delas com o Kyle e Irish, e falavam por telefone ao menos duas vezes 
ao dia.
   Estar apaixonada era maravilhoso. Seus passos eram mais ligeiros, sua mente mais aguda. O mundo era encantador. E se o fato de que Matt fora cliente da agncia 
podia resultar problemtico, j resolveriam.
   na sexta-feira, Matt lhe perguntou:
   -Quer que vamos ao Passo ou ao Corpus Christi? Em nossa ltima viagem no tivemos tempo de ir. Embora tambm poderamos ir ao vale. Posso te ensinar os laranjais 
de minha primo e podemos passar ao Mxico a fazer compras.
   -Tenho uma idia melhor. por que no mandamos aos outros membros da equipe? Tm que conhecer a companhia e no lhes vir mal divertir-se um pouco. E me faz falta 
reparar o alpendre de minha casa. Que tal te d a carpintaria?
   -Estupendamente.
   
   A manh do sbado, enquanto Eve colocava a manteiga na imprensa, chegou Matt em seu esportivo, seguido da caminhonete de um carpinteiro.
   Quando Eve tratou de protestar, ele disse:
   -Carinho, Russell faz maravilhas com os alpendres. Alm disso, contrat-lo a ele  mais barato que pagar outra conta do hospital e assim teremos tempo de fazer 
outras coisas. Que tal est Fantasma? Charlie segue fazendo das suas?
   -Temo-me que sim. Mas Ailda, prometida-a do Sam Marcus, vai se ficar com Fantasma. Este fim de semana esto fora, mas na segunda-feira o levo. -O vou sentir falta 
de. Eve suspirou.
   -E eu, mas no posso ficar com todos. De todas formas, Ailda  encantadora e seguro que o cuida muito bem. Bom, ento, se Russell for ocupar do alpendre, pode 
me ajudar com as flores da entrada. Desde que estivemos no Galveston eis estado pensando em plantar arbustos que gostem s mariposas. E roseiras, eu adoraria plantar 
algumas roseiras.
   Finalmente, decidiram levar a manteiga ao Pete pessoalmente e logo parar no Tyler a comprar algumas novelo. Segundo Matt, Tyler era a capital das rosas do Texas 
e nela se podiam encontrar todas as variedades conhecidas.
   Levaram o carro do Eve, para ter espao para as novelo no caminho de volta. Demoraram quase duas horas em chegar a casa do Pete, mas o caminho mereceu a pena. 
O campo estava precioso, cheio de pinheiros e de carvalhos, alm de outras espcies menos conhecidas.
   Pete se alegrou muito de v-los e Gmez correu a seu encontro, aproximando-se do Eve e lhe lambendo a mo. Ela se agachou para acarici-lo e abra-lo e o co 
no deixava de mover a cauda.
   -Que tal com o Pete? Levaste-te bem? - um bom co -disse Pete-. E nos levamos muito bem, verdade, amigo?
   Quando Gmez obteve as carcias que esperava, voltou junto ao Pete e olhou ao velho com um brilho nos olhos muito especial.
   -V, parece que gosta -disse Eve-. Voc gostaria de ficar com ele?
   Tanto o homem como o co pareciam muito agradados com a nova situao. Ao Gmez sempre tinha feito falta ateno individual e uma mo firme e Pete era o perfeito 
professor.
   -Trouxemo-lhe mais manteiga -disse Eve-. Esta manh tenho feito meio quilograma.
   -OH, Meu deus, quanto me gostou da que me trouxeram. Devo-me ter comido j meio quilograma. Muito boa, muito boa. E vendi um quilograma, tenho que te dar o dinheiro.
   -No, no, a manteiga  um presente pela ajuda que me emprestaste.
   Pete e Matt mostraram ao Eve o posto comercial, com seu estranho sortido de estranhos artigos, e o museu, que consistia em sua major parte em pontas de flecha 
e uma serpente de cascavel viva. Conheceu alma Jane, que estava fritando frango em previso da tropa que se apresentaria a comer. Ao Eve a deixava perplexa o fato 
de que um homem to rico como Pete escolhesse dirigir um armazm em pleno campo, mas supunha que gostava.
   Estava fascinada com as esculturas de madeira que o ancio esculpia com sua serra mecnica. adorou sobre tudo uma guia que acabava de terminar.
   -De verdade a tem feito com uma serra mecnica? -perguntou, passando a mo pela rugosa superfcie.
   -Sim, embora ao final fao os retoques com um cinzel e um pouco de lixa. Ao Kyle lhe d tambm estupendamente. Matt, entretanto, quase nem o tentou.
   Subiram depois  biblioteca e, depois de comer com o Pete, continuaram seu caminho at o Tyler.
   No estufa Eve comprou seis roseiras e outras flores e, pela tarde, Matt lhe ajudou a plant-los todos.
   -A verdade  que est comeando a ter muito bom aspecto -disse-lhe, enquanto os dois desfrutavam de um copo de ch gelado-. O novo telhado  uma maravilha, e 
quando tudo esteja pintado, ficar precioso. O que te parece se o Pinto todo de azul e branco?
   -Parece-me perfeito, se for isso o que voc quer. Embora tambm poderamos construir uma casa nova...
   -Uma casa nova?
   Ele assentiu, estreitando-a entre seus braos com ternura.
   -Sim, depois das bodas...
   -Matt!
   -Est bien, est bien... Lo dejar estar... de momento. Qu tal si nos acicalamos un poco y nos vamos al Red Dog? Si vas a vivir en Texas, tienes que aprender 
a bailar.
   
   Captulo Quatorze
   
   Se Eve tivesse tido o costume de mord-las unhas quando estava nervosa, naqueles momentos j no teria unhas. Bart Coleman e Gene Walker, alm do Nancy, Sam, 
Bryan e Eve celebravam uma reunio, na sala de juntas do Crow Airlines, com o Matt, seu ajudante e trs de seu executivos. A campanha em que sua equipe levava trabalhando 
durante muitos dias e muitas noites estava preparada.
   Tudo estava preparado e Bart e Gene se mostraram muito impressionados aps ouvir a apresentao da campanha o dia antes. Mas suas opinies no tinham nenhum valor 
sim ao cliente no gostava do produto.
   Nancy estava  cabea da mesa, fazendo a ltima parte da apresentao : uma srie de diapositivas que mostravam um plano de choque para captar o turismo familiar. 
Alm disso, para apoiar a apresentao, soava uma cano do George Strait como msica de fundo.
   Quando a ltima diapositiva apareceu em tela, Eve contou at cinco para permitir que Matt e seus ajudantes assimilassem aquele ltimo impacto. Logo se levantou, 
acendeu as luzes e mostrou seu melhor sorriso.
   Matt e sua gente estalaram em um aplauso.
   -Fantstico! -exclamou Matt.
   -Realmente impressionante -disse um dos vice-presidentes.
   Outros fizeram comentrios igualmente elogiosos.
   A sensao de inquietao que no tinha deixado dormir ao Eve a noite anterior, dissipou-se por completo e sentiu uma enorme alegria. Lhe dava vontade de saltar 
em cima da mesa e ficar a danar.
   -Eve -disse Matt com um amplo sorriso-, creio que tm feito um trabalho magnifico. Bart, Gene, temos que reunimos na segunda-feira e assinar o trato.
   -Em seu escritrio ou no meu? -perguntou Gene.
   -s dez e meia em meu escritrio, parece-te? -disse Matt-. O que opina, Emily?
   Seu ajudante assentiu.
   E assim se dissolveu a reunio e todo mundo comeou a reunir seus papis para partir. Eve piscou os olhos um olho ao Nancy e ao Sam e tratou de tomar-lhe com 
calma, embora no pde evitar um sorriso. Em realidade, todo mundo sorria exceto Bryan Belo. Definitivamente era um desmancha-prazeres. Lhe dava vontade de mat-lo.
   Matt lhe ps a mo no ombro.
   -Grande trabalho, Eve. Vamos jantar para celebr-lo?
   Bryan lhes dirigiu um olhar desdenhoso ao partir da habitao, mas Eve estava to contente que no deixou que nada lhe incomodasse.
   -Antes tenho que ir a meu escritrio e fazer ali umas quantas coisas. Vemo-nos mais tarde?
   -O que te parece a Estalagem do Turtle Creek s seis?
   tratava-se de um lugar muito especial, ntimo e acolhedor.
   -Ali estarei. Chamarei o Jimmy e lhe direi que cuide dos animais.
   Outros j se foram, de maneira que Eve recolheu suas coisas e partiu.
   Quando entrou no Coleman-Walker, recebeu uma grande ovao e algum lhe jogou confete. Os plugues do champanha comearam a saltar e Dexter chegou montado sobre 
seus patins, com alitas de frango gastas do restaurante do lado.
   -Grande trabalho -gritou ao Eve.
   Todo mundo ria e proferia exclamaes de jbilo, e tambm havia msica. E, de fato, Bart estava sobre uma mesa cantando e danando o "Rock do Crcere" em uma 
boa imitao do Elvis Presley, enquanto Sam o acompanhava tocando um arquivo.
   A festa estava em seu apogeu, quando Eve partiu para encontrar-se com o Matt. Como tinha bebido um par de copos de vinho, decidiu tomar um txi. Alm disso, havia- 
dito ao Jimmy que cuidasse dos animais at a manh seguinte. Dormiria em casa do Matt.
   
   -Parabns outra vez -disse Matt, brindando com vinho-. No acabo de acreditar que tenha preparado uma campanha to extraordinria.
   Eve se ps-se a rir.
   - que no sabia que conheo bem meu negcio?
   -No, no  isso. Eu sabia que tinha talento, mas  que  melhor que tudo que tinha visto, e isso que sempre pensei que nossos anncios eram muito bons.
   Eve sorriu agradecendo as felicitaes do Matt e ficou olhando sua taa de vinho. A luz das velas dava um brilho especial ao cristal e uma cor dourada ao vinho.
   Acabavam de dar conta de um delicioso jantar de uma mesa situada no primeiro andar com vistas a um ptio cheio de novelo e com uma iluminao tnue e tinta de 
certo mistrio. Desde algum lugar lhes chegava uma msica tranqila e o aroma das rosas enchia o ar. Seu querido e maravilhoso Matthew Crow a olhava como se ela 
fora a mulher mais formosa e desejvel da terra.
   No podia recordar outro momento no que tivesse sido mais feliz.
   Matt tomou sua mo entre as suas e lhe acariciou os dedos.
   -Quero-te, Eve, quero-te muito.
   -Eu tambm te quero, Matt.
   -De verdade?
   -De verdade.
   -Quer te casar comigo?
   Eve vacilou. Desejava dizer que sim com todo seu ser e entretanto duvidava.
   -Eve, carinho, por favor, dava que sim.
   Nos olhos do Matt brilhava tanto amor que no podia dizer mais que sim.
   -Sim -sussurrou.
   -Maldita seja!
   Eve riu.
   -Saiamos daqui, quero te beijar como  devido.
   
   Beijou-a em seu carro, na garagem, beijou-a no elevador, beijou-a antes de entrar em sua casa. E quando entraram, no se limitou a beij-la. Estreitou-a entre 
seus braos, danou com ela, e proferiu um grito que comoveu os alicerces da casa.
   E lhe fez o amor com tanta parcimnia e intensidade que a alagou de um gozo que nunca tinha experiente.
   Que formosa era a vida.
   
   Algo roou seu nariz, apartou-o, mas voltou a not-lo.
   Matt riu e ela abriu os olhos. Estava tendido a seu lado, de barriga para baixo, com uma pluma na mo.
   -Acordada, Bela Adormecido. Tenho algo que te ensinar.
   -O que? Uma pluma? -disse Eve, incorporando-se.
   -No, algo melhor. Ontem  noite estava to nervoso que me esqueceu te dar isto. Levo semanas com ele em cima, esperando que surgisse a ocasio propcia para 
lhe dar isso disse, e ps uma cajita de veludo sobre seu ventre. 
   -O que ? 
   -Um anel.
   Eve abriu a caixa. tratava-se de um magnfico diamante. Era o bastante grande para resultar impressionante, mas sem ser ostentoso.
   -Um anel de compromisso -acrescentou Matt. Eve o tirou da cajita e o ps. -Voc gosta?
   Ao Eve lhe alagaram os olhos de lgrimas. 
   -eu adoro. OH, Matt, ento fala a srio -disse ela, lhe jogando os braos ao pescoo.
   -Carinho,  obvio que falo a srio. No lhe tenho isso dito desde a primeira vez que te vi?
   Demorou todo o fim de semana em assimil-lo, mas finalmente se deu conta de que no era um sonho. Matthew Crow queria casar-se com ela. Com ela. Com a singela 
e torpe Eve Ellison. Mas no, j no se sentia muito singela, ou muito torpe, ou muito alta. Agora sabia que era o casal ideal do Matt, e se sentia formosa e feliz.
   Chamaram o Irish e a seus pais e lhes deram a notcia, e logo falaram com a famlia do Matt. Todos pareceram muito contentes, especialmente Pete, que lhe disse 
que pensava lhe dar os dois milhes que lhe tinha prometido como presente de bodas. Ela se ps-se a rir, lhe dizendo que estava equivocado, que no necessitava um 
suborno para casar-se com o Matt. A vida era perfeita.
   
   na segunda-feira pela manh, a alegria seguia sendo a nota dominante na agncia. Enquanto Bart e Gene assinavam o trato, Eve se encontrou com sua equipe, para 
pr em marcha a nova campanha. Todo mundo estava impaciente por comear, quer dizer, todo mundo menos Bryan Belo.
   Era um autntico amargurado.
   Tinha que fazer algo com respeito a sua atitude, de maneira que lhe disse que queria v-lo em seu escritrio.
   Assim que a porta se fechou atrs dele, falou-lhe.
   -Bryan, no sei qual  seu problema, mas se me explica isso talvez podemos solucion-lo.
   -No sei do que est falando.
   -Claro que sabe. Estas retrado, amargurado, deliberadamente depreciativo comigo e com meu trabalho, mas no entendo o que tenho feito para merecer tanta falta 
de respeito. O que acontece?
   Eve se deu conta de que Bryan se debatia por lhe dizer ou no o que bulia em seu interior.
   -O que ocorre, Bryan? O que tenho feito?
   -Feito? -exclamou Bryan-. No tem feito nada. Exceto te deitar com esse tipo para conseguir o trabalho. Crie que lhe teriam feito diretora criativa em meu lugar 
se no te estivesse deitando com o Matt Crow? Demnios, no!
   Eve, que se tinha ficado de pedra, no podia fazer outra coisa exceto olhar fixamente ao Bryan.
   -Isso no  verdade.
   -No me venha com essas. Bart ia fazer me diretor criativo quando apareceu Crow e lhe props um trato. "Contrata ao Eve Ellison e minha conta  tua", disse-lhe.
   -No -disse Eve com um fio de voz, aturdida-. Isso no  verdade.
   -Claro que o . Eu sei que  verdade, todo mundo sabe. por que se no ia a uma agncia de publicidade de primeira como esta a contratar a uma dom ningum de Ohio? 
Porque essa dom ningum vem com um caramelo muito saboroso, por isso. Perguntaste ao Bart. Perguntaste! -exclamou Bryan, e saiu pela porta.
   Eve se derrubou sobre sua cadeira. agarrou-se as mos com fora, mas no pde conter o tremor que se deu procurao delas.
   O que dizia Bryan era mentira, havia-o dito por inveja. Era um amargurado e um invejoso, um desgraado que rabiava contra tudo jogando a outros a culpa de sua 
infelicidade. Matt nunca faria uma coisa assim. Matt no era um manipulador e nunca faria algo que pudesse causar que seus companheiros lhe perdessem o respeito.
   Nunca.
   Ele a queria.
   Tratou de inspirar profundamente, mas no pde. Estava paralisada e no podia mover nem um s msculo. Estava absolutamente segura de que ia morrer.
   
   Captulo Quinze
   
   Mas no podia derrubar-se ainda, no antes de averiguar toda a verdade. depois de recuperar-se pouco a pouco graas a largas e profundas inspiraes, recuperou 
a compostura suficiente para poder pensar. Tinha que ocupar-se daquele assunto da maneira mais adequada. Bryan, esse verme, tinha que estar mentindo com o fim de 
lhe fazer danifico. Mas tinha que saber os fatos antes de causar a ningum um dano irreparvel.
   Respirou profundamente, e marcou o nmero da recepo.
   -Candy, tornou j Bart da reunio? No? Por favor, importaria-te me chamar assim que retorne? Obrigado. E, Candy, por favor, no me passe nenhuma chamada. Nenhuma.
   Candy emitiu uma risinho.
   -Nem sequer as do Matt Crow?
   -Nem sequer. No estou para ningum, exceto para o Bart.
   Girou a cadeira e ficou olhando o ptio da planta baixa.
   Passaram dez minutos, que lhe fizeram interminveis.
   ficou a rezar.
   debateu-se com os piores demnios.
   Esperava, e urdia estratagemas.
   Passou um quarto de hora.
   Meia hora.
   Sentia um n no estmago, uma dor no peito.
   Quase uma hora mais tarde, o telefone soou por fim.
   -Bart e Gene acabam de voltar -disse Candy-. Tenho- dito ao Bart que queria v-lo. Chamo a seu escritrio?
   -No, obrigado, Candy. J vou eu.
   -Nancy me falou que anel. H-me dito que o diamante  autntico. Parabns, Eve. Matt  um partido estupendo.
   -Obrigado -respondeu Eve, e pendurou rapidamente.
   levantou-se, alisou-se a saia e saiu de seu escritrio. Apoiou a mo no trinco da porta, ergueu-se e tratou de fixar um sorriso em seu rosto.
   -Comea o espetculo! -disse.
   Ao cabo de uns segundos, estava batendo na porta do escritrio do Bart.
   -Ocupado?
   Bart levantou a vista dos papis que estava lendo e sorriu.
   -Passa.
   -foi tudo bem?
   - Como a seda. Matt me contou o de seu compromisso. Parabns, me alegro muito pelos dois.
   -Obrigado -disse Eve, e comearam a lhe tremer os lbios, incapaz como era de manter seu fingida sorriso.
   -Deixa que te repita, Eve, o grande trabalho que tem feito.  uma pea muito importante para ns, Eve. Felicito-te.
   Eve estalou a lngua e disse, procurando tirar importncia a seu tom de voz.
   -No estava to seguro quando Matt te obrigou a me contratar, verdade?
   O sorriso desapareceu do rosto do Bart lentamente, e em sua expresso havia algo que rompeu a ltima soga de esperana a que Eve se aferrava.
   -Eve, eu no...
   -OH, j no tem por que te mostrar evasivo com o tema -disse ela, rendo alegremente e piscando os olhos o olho-. Estou  corrente do trato que fez com o Matt.
   -H-lhe isso dito? depois de que me fizesse jurar pelo mais sagrado... Surpreende-me que te haja dito que...
   Sua expresso deveu delat-la, em realidade, sentia o mesmo que se lhe tivessem transpassado com uma faca de aougueiro, porque, de repente, Bart parecia comovido 
e atemorizado.
   -Esse porco -grunhiu ela.
   Ao Bart lhe mudou o rosto.
   -OH, Deus, Eve -disse, levantando-se pouco a pouco, com evidente horror-. O que tenho feito?
   Eve se jurou no chorar, no derramar nenhuma s lgrima.
   -Assim  verdade -disse, lentamente-. Rogo-te que aceite minha demisso agora mesmo.
   -Eve...
   -Por favor, Bart, no diga nenhuma palavra mais.
   Apertava os dedos com fora, com tanta fora que o anel lhe fez mal. Olhou o diamante, que parecia burlar-se dela. O tirou e o deixou sobre a mesa do Bart.
   -Devolva-lhe a seu companheiro de secretos a prxima vez que o veja.
   deteve-se s o tempo suficiente para esvaziar sua carteira de todo o contedo relativo ao trabalho e para levar a bolsa. Saiu sem lhe dirigir a ningum uma s 
palavra. No se atreveu.
   Com as mos obstinadas ao volante com fora sobre-humana, dirigiu-se diretamente a sua casa.
   Minerva e os ces comearam a danar a seu redor, felizes de v-la em casa a meio-dia. Seguiram-na ao interior. Fechou de uma portada e jogou a chave. O telefone 
comeou a soar.
   Ignorou-o.
   Seguiu soando.
   Desligou-o.
   A Minerva e aos ces lhes uniram Charlie e Pansy, e o grupo inteiro a seguiu quando se meteu em sua habitao e se tirou a jaqueta e as calas, jogando-os no 
cho.
   -L'amour, l'amour, I'amour-cantava Caruso. 
   -te cale! -gritou, lhe atirando uma sapatilha. Surpreendentemente, o pssaro fez conta. Descala, Eve se encarapitou em sua cama, rodeando-se de todos seus fiis 
animais. S ento deu rdea solta a sua pena. Acariciando o lombo do Charlotte e do Lucy, ps-se a chorar desconsolada; nunca tinha tido uma pena to grande, jamais 
tinha sido objeto de uma traio semelhante. Chorou e chorou at que por fim ficou sem foras.
   levantou-se s para arrastar-se  cozinha a por um pacote de bolachas de chocolate que se comeu inteiro sentada na cama. Depois a empreendeu com uma enorme bolsa 
de bolachas.
   Matt e Bart no s lhe tinham enganado mas tambm, para mais inri, tinham-lhe posto em evidencia diante de todos seus colegas. morria de vergonha e humilhao 
s de imaginar-se o muito que deviam haver rido a suas costas.
   De repente, Bowie levantou as orelhas e, de um salto, Pansy desceu da cama e saiu do quarto. Algum estava batendo na porta principal.
   -No lhes movam meninos -disse, mas, sem lhe fazer caso, Minerva seguiu a seus dois camaradas-. Traidora -murmurou.
   Os golpes se fizeram mais prementes, mas ela permaneceu em seus treze.
   -Fi-GA-ro, Fi-GA-ro, Fi-GA-ro...
   Bowie saltou da cama e partiu ladrando para a porta. Seguiram-lhe Charlotte e depois Lucy. S Charlie ficou a seu lado. Eve estreitou ao bichinho.
   -Tem-me feito muito dano, Charlie -confiou-lhe-. Tem quebrado meu corao, tal e como eu sabia que o faria.
   Continuou sem fazer caso dos golpes, e quando, exasperado, Matt se dirigiu  janela do dormitrio, tentando chamar sua ateno, limitou-se a baixar a persiana 
e a jogar os portinhas.
   Ao cabo de um bom momento, Matt deixou de chamar e gritar, mas quando apareceu por uma fresta dos portinhas, Eve viu que seu carro seguia estacionado diante da 
porta. Apareceu a cabea fora do dormitrio e o viu sentado no alpendre, diante da porta principal. Rapidamente, voltou a refugiar-se em seu quarto.
   -Vi-te, Eve -gritou-. Ser melhor que me deixe entrar. Estou disposto a ficar aqui plantado at que me deixe falar contigo.
   -Vete!
   -Nem pensar. Ficarei at que as rs criem plo, sim faz falta. cedo ou tarde ter que sair.
   -Ja! Morrer de fome antes de lombriga fazer semelhante coisa.
   -No creio, pedi uma pizza.
   Furiosa pela forma em que a tinha feito prisioneira em sua prpria casa, ou, pior ainda, em sua habitao, procurou uma toalha de banho e cinta adesiva e se dirigiu 
para a porta.
   Sorrindo, Matt ficou de p. Entretanto, lhe apagou o sorriso do rosto quando viu que ela tampava com a toalha o cristal da porta.
   Seis horas mais tarde, Matt ainda seguia diante da porta. Tinha uma caixa de pizza vazia ante seus ps e bebia pequenos sorvos de uma lata de cerveja. Decidida 
a no dar seu brao a torcer, Eve chamou por telefone ao Jimmy e lhe pediu que se encarregasse de quo animais tinha fora da casa.
   
   O pior para o Matt foi ter que dormir no carro. Os malditos mosquitos quase lhe fizeram desistir de seu propsito. A segunda tarde, Jackson se aproximou da granja 
para lhe levar uns hambrgueres, um saco de dormir, seis latas de cerveja e um repelente de mosquitos.
   Os dois irmos se sentaram no alpendre, vendo como se estrelavam os insetos contra as lmpadas e bebendo cerveja.
   -Que demnios lhe tem feito para que se zangue tanto? -perguntou-lhe Jackson.
   Matt lhe contou os detalhes do trato que tinha acordado com o Bart.
   -Isso foi uma estupidez das gordas, irmozinho.
   -Sei, mas foi o nico que me ocorreu para t-la perto de mim. Nem sequer respondia a minhas chamadas...
   Jackson se ps-se a rir.
   -Por isso vejo, agora est fazendo o mesmo.
   -Maldita seja, Jackson! No tem nem pingo de graa!
   -Perdoa, mas  que nunca te tinha visto te comportar como um estpido por uma mulher. O que  o que v nela?
   -Amor, Jackson, s amor. Estou louco por ela. Assim que a vi, soube que queria passar o resto de minha vida com ela. H sentido alguma vez um pouco parecido acaso?
   Jackson se recostou na cadeira.
   -Pode que sim, uma vez...
   -O que aconteceu?
   -Ela no me correspondeu.
   -Conheo-a eu?
   -Sim, apresentaram-lhe isso. Estava nas bodas do Irish e Kyle.
   -A psicloga?
   -Mmmm.
   ficaram em silncio um instante, contemplando as traas e bebendo mais cerveja, desfrutando por uns momentos de sua simples companhia.
   -Ainda te lembra dela? -perguntou Matt.
   -Sim, de vez em quando.
   -E por que no a chamas?
   -Pode que o faa, o eis estado pensando -respondeu Jackson, levantando-se e estirando os msculos-. Quanto tempo pensa ficar aqui ?
   -No sei. At que fale com ela, ou at que me ocorra algo melhor.
   -Poderia lhe prender fogo  casa.
   Matt tivesse podido jurar que ento se ouviu um pequeno gemido. Aguou o ouvido mas no pde distinguir nenhum som. Devia ter sido o vento.
   -Pensarei-me isso um pouco mais antes de tomar uma medida to drstica.
   Outra vez aquele rudo. Matt tivesse apostado naquele muito mesmo instante algum de seus melhores avies a que Eve estava detrs da porta escutando-os.
   ficou plantado diante de sua porta outros dois dias inteiros, e se tivesse ficado mais tempo se tivesse considerado que havia alguma esperana de que serviria 
de algo. Tinha que idear outra estratgia.
   Procurar reforos.
   Arrojou o chapu  toalha que tampava a porta e partiu dali.
   
   Bart Coleman chegou aquela mesma tarde, quando Eve estava pintando umas florzinhas nos armrios da cozinha. Ao lhe ver, tentada esteve de lhe jogar com caixas 
destemperadas, mas se conteve, pensando que, a fim de contas, ele tinha as de perder. Convidou-lhe a passar e lhe ofereceu um caf.
   -Eve, entendo perfeitamente que esteja desejando me amassar, mas antes de que o faa, creio que deveria saber algumas costure, para comear, direi-te que voc 
 uma diretora criativa muito bom, das melhores que eu conheci, e que seu trabalho na agncia foi magnfico. No penso aceitar sua renncia porque no estou disposto 
a te perder.
   -Bart! No poderia...!
   Ele fez um  gesto para sossegar seus protestos.
   -Quero contar contigo embora isso suponha renunciar  conta do Crow Airlines.  fantstica. E tenho de te dizer que o trato com o Matt foi que ficaria a condio 
de que se  demonstrassem suas qualidades. Ele insistiu em que foi uma jia, a verdade  que me parece que tem mais f em sua capacidade que voc mesma. O trabalho 
 teus e por seus prprios mritos. Voltar conosco?
   Aquela oferta era tentadora. Muito. A verdade era que adorava trabalhar na agncia.
   -me d uns quantos dias, me deixe pens-lo...
   -Parece-me bem. Ah!, por certo, despedi do Bryan Belo
   
   Os Ramos de flores comearam a chegar desde primeira hora da manh, e continuaram fazendo-o hora detrs hora. Rosas. Dzias de rosas. E tudo com o mesmo carto.
   
   Quero-te. me fale. 
   Matt.
   
   Tambm lhe mandou telegramas, histries e palhaos, tuda com a mesma mensagem.
   Quando Irish chegou para v-la, um helicptero sobrevoou a parcela, arrojando umas folhas de cor rosa.
   -Que diabos  isto?
   -Suponho que outra das geniais ideia do Matt -replicou Eve com um suspiro. Sua irm leu uma das folhas: todas tinham a mesma mensagem.
   -No se pode negar que  muito criativo -comentou-. Quando pensa dar seu brao a torcer?
   -Como diz? -exclamou Eve-. Irmzinha, recordo-te que sou a parte ofendida. Tem-me feito ficar como uma parva, e no penso perdo-lo nunca.
   Irish lhe agarrou pelo brao.
   -Vamos, carinho, prepara um ch ou um pouco parecido, e enquanto nos tomamos, contarei-te um par de coisas sobre a personalidade masculina.
   Uns poucos minutos mais tarde, as duas estavam sentadas na cozinha, e Eve lhe tinha relatado "c" por "b" os detalhes de sua humilhao.
   -merece-se um bom puxo de orelhas pelo que fez -disse Irish-. Entretanto, h um par de coisas que eu gostaria de saber. A primeira , se apesar de todo o ocorrido, 
segue apaixonada por ele.
   -Sim -reconheceu Eve com um suspiro.
   -E no crie que ele te queira?
   Ela recordou todo o tempo que tinham acontecido juntos, as inumerveis vezes que lhe havia dito que a queria. Pensou na conversao que tinha ouvido quando Jackson 
foi ver seu irmo.
   -Sim, creio que me quer -disse ao fim.
   -Ento, carinho, deve estar louca para desprezar deste modo a um homem to maravilhoso como Matt. Faz-o por puro orgulho, e isso  uma estupidez. Pode que tenha 
feito um par de tolices, e que voc esteja muito molesta, mas se de verdade lhes querem, podero arrum-lo. me acredite, cu: Matt aprendeu a lio.
   Eve levantou a cabea da taa e ficou olhando a sua irm.
   -Como  que  to preparada? -perguntou com um sorriso.
   -Faz uns meses, quase deixo que algo igual de estpido que o que me acaba de contar se interpor entre o Kyle e eu. Sei exatamente como se sente.
   Por favor, me prometa que, pelo menos, falar com ele, que tentar arrum-lo.
   -Chamarei-o -disse Eve.
   Irish sorriu.
   -Faz-o agora mesmo -disse levantando-se-. Vou a casa.
   Quando as duas saram ao alpendre, viram um avio de pequeno porte voando em crculos ao redor da granja.
   -Espero que no atire mais folhas -comentou Eve contemplando suas evolues.
   Entretanto, foi um pra-quedista quem saltou do avio, aterrissando justo no caminho de entrada, a trs metros escassos do carro do Irish. tirou-se o casco e 
lhes dedicou um amplo sorriso.
   -Boa tarde, senhoras.
   -Matthew Crow! -exclamou Eve-. Podia-te ter quebrado o pescoo!
   -E acaso isso te tivesse importado?
   -claro que sim, bobo!
   Matt deixou a um lado a equipe, abriu a cancela e se dirigiu direito a ela.
   -E por que? -perguntou, lhe agarrando o queixo e obrigando-a a olh-lo aos olhos.
   -Porque sim.
   Irish os interrompeu com um discreto pigarro.
   -Tenho que partir.
   -Como que porque sim? -insistiu Matthew.
   -Porque te quero -sussurrou Eve.
   Matt proferiu um grito de alegria, obrigou-lhe a dar vrias voltas como uma peoa e lhe deu a me de todos os beijos.
   -Casar-te comigo?
   -Pode, mas no antes de que esclareamos um par de coisas.
   -Pois comecemos agora mesmo -rendo, Matt a levantou em seus braos e a levou a interior da casa.
   Minerva e os ces lhes acompanharam entre alegres grunhidos e latidos. Pansy apareceu a cabea por debaixo do sof e Charlie meneou os bigodes alegremente.
   -L'amour, l'amour, l'amour, l'amour...
   -Nem eu mesmo poderia hav-lo dito melhor -exclamou Matt, disposto a beij-la uma e mil vezes mais.
   
   
   Eplogo
   
   -Nervoso? -perguntou-lhe Jackson.
   -por que o diz?
   -Porque quase tem feito um buraco no tapete de tanto dar voltas e porque te arrumaste a gravata ao menos quinhentas vezes nos ltimos dez minutos. Te tornou a 
torcer, por certo.
   Matt voltou a endireitar a olhando-se no espelho do despacho do pastor.
   -Nunca me gostaram destas malditas gravatas. Onde demnios est Kyle?
   -teve que atender uma emergncia, mas vem de caminho. No se preocupe, chegar a tempo.
   -Sim, tambm se supunha que no tinha que me preocupar com o Smith e ao final, olhe, nem rastro dele -grunhiu Matt-. Que desculpa ps esta vez?
   -O av disse que estava no hospital, que se tinha quebrado no sei o que.
   -Ou  muito propenso aos acidentes, ou alrgico a ficar smoking -disse Matt.
   Seu irmo ps-se a rir.
   -Tem razo! Agora, deixa que te coloque bem a gravata antes de que faa uma ofensa.
   -Por certo -perguntou-lhe Matt enquanto o fazia-, chamou o final a sua psicloga?
   -A Olivia? Sim, tentei-o, mas no eis podido localiz-la.
   -Que pena! E no te poderia ajudar Irish a faz-lo?
   -Sim, pode que sim. Mas no quero incomod-la,  uma garota muito especial.
   -Se de verdade o for, Jackson, ter que pr toda a carne no assador.
   -Isso penso fazer -prometeu-lhe.
   Kyle apareceu pela porta.
   -Esto preparados, meninos?
   -Onde demnios estava, Kyle?
   -lhe pondo uns quantos pontos a um guri que se cansado de uma rvore. Tenho gasto as flores -disse, lhes ensinando trs presos.
   
   -Nervosa? -perguntou-lhe Irish, retocando seu penteado.
   -um pouco -disse Eve-. Mas no tanto como temia.
   -Est muito bonito -disse-lhe Nancy Brazil-. Radiante. Embora, como no est-lo? Te vais casar com um homem bonito, rico e que te adora, e vai um ms de cruzeiro 
pelo Mediterrneo. Oxal eu tivesse tanta sorte.
   -Muito em breve encontrar a algum, Nance.
   Nancy soprou e tomou o buqu de flores.
   -Eu? No creio. abandonei a idia de me casar, no necessito a um homem para ser feliz. vou pr minha prpria agncia, trabalhar como uma possessa e me fazer 
rica.
   Eve e Nancy se feito muito boas amigas, e sabia que o forte temperamento do Nancy mascarava a uma mulher tenra e romntica. Eve e Irish sorriram e se piscaram 
os olhos um olho atravs do espelho. Pela primeira vez, podia ver o parecido de famlia entre elas. Ela, certamente, no era to bonita como sua irm, mas estava 
apresentvel...
   No, disse-se, amaldioando, era atrativa. Isso lhe havia dito Matt. Depende, ele, era a mulher mais formosa da terra. Mais encantada que qualquer outro anjo 
que Deus tivesse criado. E atrativa como uma tentao.
   
   Possivelmente fora a gua ou o sol do Texas, mas o certo era que desde que tinha chegado, tinha tido lugar uma maravilhosa transformao. Adeus a torpe e singela 
Eve Ellison. Quando se olhava ao espelho, via uma mulher atrativa, segura de si mesmo. Sorriu. E atrativa como uma tentao.
   Do altar da igreja, em Dallas, vestido com smoking e botas de vestir, Matt viu aproximar-se de um anjo. Um anjo divino do que no podia apartar os olhos. O nico 
que lhe faltavam eram um par de asas.
   Era uma viso celestial em seda branca e com um meio doido formado pelas prolas que lhe tinha agradvel. Ao ver aqueles olhos azuis que o olhavam, lhe inchou 
o peito e lhe alegrou a alma. Sorriu.
   Aquela era sua mulher, sua mulher.
   Quando o olhar do Eve se cruzou com a do Matt, a pouca apreenso que ainda ficava desvaneceu. sentia-se como um anjo sobre uma nuvem. Sua alma se encheu de gozo.
   Do momento em que Matt tomou sua mo at o momento em que pronunciaram os votos, advertiu que uma estranha sensao de sensatez se alojava em seu corao. Amaria, 
honraria e cuidaria daquele homem todos os dias de sua vida, igual a ele a amaria, honraria e cuidaria todos os dias de sua vida. Aquele era seu homem. E ela, dela.
   Quando o pastor disse ao Matt que beijasse  noiva, deu-lhe um grande beijo e to comprido que os convidados os ovacionaram.
   Quando descendiam pelo corredor para sair da igreja, Eve viu o av Pete na segunda fila. Estava radiante e a saudou levantando dois dedos de uma mo.
   Eve se ps-se a rir. No necessitava os dois milhes de dlares que Pete lhe dava de presente por casar-se com um de seus netos, o amor a convertia na mulher 
mais rica do mundo.
   
   FIM
   
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